Rio-16: Fuga de Temer e protestos marcam abertura da Olimpíada

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Foto: Carla SantosFoto: Carla Santos

Por Felipe Bianchi

Na sexta-feira (5), dia que marcou a abertura da Olímpiada 2016, o Rio de Janeiro foi palco de massivas manifestações populares contra o presidente interino Michel Temer e o golpe de Estado em curso no país. Apesar de a cidade respirar o clima olímpico, movimentos sociais e ativistas marcharam por Copacabana com o mote “Fora Temer! Nenhum direito a menos! Contra a calamidade olímpica!”.

Os movimentos estimam em 30 mil o número de manifestantes que saíram às ruas para denunciar a ilegalidade do impeachment da presidenta Dilma Rousseff e rechaçar os retrocessos impostos pelo novo governo – a agenda imposta inclui, por exemplo, corte de gastos públicos e retirada de direitos trabalhistas.

 

Evitando as vaias

Diversos jornais noticiaram, ao longo da semana, o preparo de uma operação técnica para abafar vaias durante a fala de Michel Temer na cerimônia de abertura dos jogos. Mas nem precisou. Pouco afeito a críticas, o presidente ilegítimo, que contaria com ajuda do operador de áudio para inserir efeitos de sonoplastia nos intervalos de sua fala, desistiu de sequer ser anunciado como autoridade presente. 

Antes da pira olímpica ser acesa, Temer teve de cumprir o protocolo e declarar os jogos abertos. O fez rapidamente, debaixo de vaias. Um vexame olímpico.

Epidemia de faixas e cartazes

Não foi só nas ruas que o golpismo teve de conviver com manifestações em defesa da democracia. Nos jogos de futebol feminino, que ocorreram nos dias 3 e 4 de agosto, teve início uma onda de cartazes e faixas contrários a Michel Temer.

Como resposta ao movimento, o governo avisou que os críticos terão de arcar com as consequências. Em vídeo divulgado amplamente nas redes sociais, seguranças advertem espectadores sobre a proibição.

Com a reação do governo interino e a ordem para as equipes de segurança vetarem manifestações políticas, não é possível afirmar se as fotos continuaram a inundar as mídias sociais.

Na noite da quinta-feira (4), foi a vez de Chico Buarque expressar sua desaprovação em relação ao novo governo. Em evento promovido por uma ocupação de artistas contra Temer, o ícone da música popular brasileira cantou a música “Apesar de você”.

A canção é uma das mais emblemáticas músicas de protesto do artista, que não a cantava desde a década de 1970, período pelo qual a ditadura militar se abatia sobre o Brasil. O momento marcante da letra, dedicado, em 2016, a Michel Temer, diz: “Apesar de você, amanhã há de ser outro dia”.