Mídia, mulheres, racismo e a diversidade são debates urgentes

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Além de debates sobre mídia e democracia, o 3º Encontro de Blogueir@s e Ativistas Digitais de São Paulo teve espaço para rodas de conversa sobre a relação dos meios de comunicação com as mulheres, os negros e a diversidade. As discussões ocorreram na manhã do sábado (10), na sede do Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo (Sindisep).

Jéssica Moreira, do Nós, Mulheres da Periferia, e Beatriz Accioly Lins, doutoranda em Antropologia Social pela USP, foram as provocadoras do debate em torno das mulheres. A atividade, que contou com a mediação de Fernanda Targa, do Levante Popular da Juventude, tratou não apenas da perspectiva pelo qual o monopólio midiático retrata a mulher, mas também como as mídias alternativas e o ativismo digital possibilitam novas abordagens sobre o tema.

Segundo o relatório da roda de conversa, o novo cenário propiciado pelos coletivos de mídia e os meios contra-hegemônicos traz uma mudança fundamental: a mulher passa a ser tratada a partir de suas reivindicações de direitos. Apesar disso, o déficit feminista afeta, também, as mídias alternativas, constituindo um desafio importante a ser pensado e superado.

Racismo estrutural: problema para todas as mídias

Com a coordenação de Douglas Belchior (Negro Belchior), Junião (Ponte Jornalismo) e mediação de Gisele Brito (Rede Jornalistas da Periferia), a roda de conversas sobre o genocídio negro e a comunicação apontou para uma problemática urgente: o racismo não é exclusividade das grandes corporações midiáticas, mas, por ser estrutural, também está impregnado na imprensa de esquerda.

O contexto histórico, da escravidão à marginalização e exclusão dos negros em relação a direitos como o voto, conforme relatado pelos participantes, ajuda a entender o quadro. Quando a periferia é pauta da mídia, geralmente é por conta de criems ou pautas negativas, e quem está com a voz é a polícia ou as autoridades.

Uma forma de constranger as mídias tradicionais, de acordo com o relatório da atividade, é usar as mídias alternativas de forma a criar um diálogo com todos os movimentos em torno da urgência de enfrentar a questão do racismo estrutural.

Diversidade: você se vê na mídia?

Ane Sarinara (Coletivo Luana Barbosa), Andrey Lemos (presidente da União Nacional LGBT – UNA-LGBT) e Léo Moreira Sá, ator, homem-trans e integrante dos Jornalistas Livres, discutiram a ausência do debate sobre a diversidade da sociedade brasileira na mídia.

Segundo Lemos, os processos de comunicação sempre foram estabelecidos de forma violenta, escravagista, racista, como uma forma de controle. Na avaliação dele, esses processos sempre foram utilizados de forma dominante, para pautar o discurso das massas.

A questão, de acordo com o relatório da atividade, não é somente se a mídia mostra a diversidade, mas como ela o faz. A mídia alternativa, de acordo com Leo Moreira Sá, é uma forma de estampar outra imagem das pessoas trans, por exemplo. Para ele, é preciso entender que pautas como a LGBT também é a pauta do povo trabalhador e devem ser discutidos.

As mídias alternativas e o midiativismo, segundo a roda de conversa, são mecanismos fundamentais para a construção de outras narrativas, fundamentais para fazer contraponto a narrativas como a de Jair Bolsonaro, que tem ‘colado’ em muita gente da periferia, por exemplo.

Confira fotos das rodas de conversa: 

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