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O golpe brando no Paraguai e o papel da imprensa em debate

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Em 2012, o então presidente do Paraguai, Fernando Lugo, sofreu um processo de impeachment que o alijou do poder. Em poucas horas, o Congresso não somente aprovou medidas que selariam o destino de Lugo, como também abriu caminho para a normalização de um golpe parlamentar, um processo que se provaria nocivo e nefasto no contexto dos países alinhados à esquerda ao sul do Equador.

Com um Congresso que operou em conluio e sob acusações preponderantemente ideológicas, Fernando Lugo foi afastado da presidência, vítima de um golpe brando. O mecanismo jurídico já tinha sido empregado em Honduras em 2009 e se repetiu novamente no Brasil em 2016. 

A complexa trajetória recente e o estado atual do Paraguai após o golpe são os temas da discussão do III Ciclo América Latina - Encuentros, que promove uma série de debates sobre países onde se concentram negativamente exemplos de restrição de democracia, violência de estado e blindagem midiática. 

Horácio Cartes, atual presidente, foi eleito explorando a imagem de um outsider na política, um gestor exitoso e livre das mazelas da antiga politicagem. Estratégia de marketing utilizada antes na América Latina, no Chile, pelo milionário Sebastián Piñera, e na Argentina pelo também empresário, Maurício Macri. Discurso que se replicou recentemente no Brasil com os já consabidos resultados.

Cartes tentou aprovar de forma arbitrária um projeto de reeleição, o que originou protestos no primeiro semestre deste ano, que culminaram na invasão e no incêndio do prédio do Congresso paraguaio. Ameaça à democracia que ainda não foi totalmente afastada, pois os parlamentares poderão analisar novamente o projeto no início do próximo ano.

Em meio ao cenário de disputa política, a situação permaneceu conflituosa na zona de fronteira. Campesinos seguem perdendo as terras para latifundiários brasileiros, que, em nome da exploração agrícola comercial e do crescimento da economia, dominam o campo paraguaio. No entanto, apesar de números positivos na sua economia, a desigualdade social e a extrema pobreza no Paraguai crescem e geram conflitos não somente no campo, mas também bolsões de pobreza nos arredores de grandes cidades. Agricultores que tinham a terra como centro de sua vida em comunidade, agora estão condenados à exclusão e sem condições de sobrevivência. 

São diversas as características e variáveis que assolam aos nossos países e poucos são os espaços dedicados ao debate, tanto na mídia, quanto na academia. No caso específico do Paraguai, a imprensa brasileira segue reproduzindo os estereótipos, sem qualquer preocupação em entender as complexidades da sociedade paraguaia. Em meio a tudo isso, são inúmeros os casos de jornalistas da mídia paraguaia que ousam desafiar o poderio econômico dos latifundiários brasileiros e que têm sido assassinados sem existir registros ou denúncias internacionais na imprensa. 

Para tratar dessas questões, participam da mesa: 

Roberta Brandalise - Doutora em Comunicação, investiga a representação midiática de identidades culturais.

Gustavo Codas - Economista, mestre em Relações Internacionais, doutorando em Energia (UFABC), ex-diretor da Itaipu Binacional.

José Rolon - Doutor em Ciência Política, docente na UMC e na Faculdade São Roque, desenvolve pesquisas sobre o Paraguai na área de política externa e comparada. Autor do livro “Paraguai- Transição Democrática e Política Externa”.

Mediação: Profa. Dra. Margarida Nepomuceno, pesquisadora em América Latina, autora do livro “Livio Abramo en Paraguay, entreteciendo culturas”.

III Ciclo Encuentros - América Latina: PARAGUAI
Data: 07/11/2017
Horário: 18h às 20h
Local: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH/USP). Prédio central de Ciências Políticas, sala n. 8.
*haverá emissão de certificados aos presentes. 
Mais informações: prolam_usp@usp.br

Evento: https://www.facebook.com/events/1502170699870531/