CEE-Fiocruz realiza Seminário ‘Saúde sem dívida e sem mercado’

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Quais as possibilidades de se contar com um orçamento generoso para o setor Saúde, de modo que o SUS, hoje subfinanciado, cumpra seus objetivos constitucionais? Que fontes alternativas de financiamento de políticas públicas podem ser utilizadas, em curto, médio e longo prazos? Que estratégias podem ser adotadas para que essa utilização se viabilize? E que cara deveria ter esse SUS com melhor financiamento? Essas perguntas, entre outras relacionadas à questão orçamentária e à mercantilização das políticas sociais e à Saúde, nem sempre trazidas à tona, estarão em debate no seminário Saúde sem dívida e sem mercado, que o Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz (CEE-Fiocruz) e o Centro de Estudos da Escola Nacional de Saúde Pública (Ceensp/Ensp/Fiocruz) realizam nos dias 21 e 28 de junho de 2017, às 13h30, no Salão Internacional da Ensp.

E aí, bloquear o Whatsapp pode ou não? O STF vai decidir

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Por Renata Mielli (Secretária-Geral do Barão de Itararé, para a Mídia Ninja

O aplicativo de mensagens WhatsApp já foi tirado do ar, no Brasil, três vezes, em função de decisões de juízes de primeira instância. As três determinações tinham como base a recusa da empresa em divulgar o conteúdo das mensagens trocadas entre pessoas que estavam sendo alvo de investigação policial. Mas será que impedir milhões de usuários a terem acesso ao serviço é correto? Quem vai tomar essa decisão é o Supremo Tribunal Federal.

Mídia regional no Brasil: expansão do mercado e laços com políticos será lançado dia 21/6

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O livro “Brasil e as suas mídias regionais: estudos sobre as regiões Norte e Sul” será lançado quarta-feira (21/06), no Espaço Multifoco (Lapa). Ele discute o papel estratégico da mídia feita nas regiões e ilustra a diversidade da mídia brasileira ao comparar o mercado dessas regiões com contrastes marcantes. A tese que originou o livro foi desenvolvida no Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal Fluminense  (UFF) e recebeu oPrêmio Compolítica de Melhor Tese, de 2017, concedida pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política.

A pesquisa trata a mídia das regiões sobre uma perspectiva relacional, mostrando o impacto da afiliação a redes nacionais (Globo, SBT, Record e Band) na organização dos grupos locais e a interferência direta dessas redes no tempo e no tipo de conteúdo produzido. O mapeamento de rádios, TV´s e jornais localizou 392 veículos, em 29 cidades no Norte, e 824 veículos no Sul, em 58 cidades.

POLÍTICOS DONOS DE MÍDIA – A amostra identificou 34 políticos donos de mídias no Norte e 56 políticos no Sul. Muitos são donos de veículos afiliados a redes de rádio e TV nacionais. Em 2015, doze políticos do Norte e doze do Sul exerceram cargos eletivos no congresso e nas assembleias es taduais.

Os ministros Ricardo Barros (Saúde) e Helder Barbalho (Integração Nacional) e o ex-ministro Romero Jucá (Planejamento) são donos de mídias nas suas bases eleitorais – Paraná, Pará e Roraima, respectivamente. Eles ilustram como a posse de mídia impacta o cenário político nacional, pois usam estas mídias locais como plataforma e se tornam atores com interferência direta na vida política do país.

Helder é filho do senador Jader Barbalho e herdeiro de um conglomerado no Pará, afiliado à Band. Jucá é dono de TV afiliadas à Band e à Record. As mídias alavancaram a sua carreira como senador (desde 1995), a da sua esposa Teresa Jucá - prefeita de Boa Vista por cinco mandatos - e a do filho Rodrigo, deputado estadual. Ricardo Barros tem rádios em Maringá e elas auxiliam na visibilidade da família, pois a sua esposa é vice-governadora e a filha, Victoria, é deputada estadual.

“No Brasil, a comunicação é vista como negócio e ainda não é tratada como um direito. Temos uma mídia concentrada em poucos grupos, alguns veículos são de propriedade de políticos e há uma forte influência das redes de TV (comerciais) nos mercados regionais. Essa configuração limita a produção de conteúdo local nos mercados regionais. A parceria com as redes nacionais fortalece os grupos locais, que acabam por criar conglomerados regionais que controlam a informação”, pontua a autora Pâmela Pinto.

Serviço: Brasil e as suas mídias regionais: estudos sobre as regiões Norte e Sul

Autora: Pâmela Araujo Pinto

Data: 21/06/2017 (quarta-feira)

Endereço: Espaço Multifoco (Av. Mem de Sá, 126 - Lapa)

Editora: Multifoco - Rio de Janeiro

Ano: 2017                                        Páginas: 320

AUTORA - Pâmela Pinto dedica-se à pesquisa da temática de mídia e política no Brasil, com ênfase nos mercados regionais. É graduada em jornalismo na Universidade Federal do Maranhão (2007) e tem mestrado (2010) e doutorado (2015) em Comunicação pela UFF. É professora substituta da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO-UFRJ).

Resumo: O livro apresenta uma nova abordagem para o conceito de mídia regional no Brasil, entendendo-a como meio de comunicação existente em uma área geográfica, com articulação em diferentes níveis espaciais (o local, o regional e o nacional). Analisa os mercados midiáticos das regi&otil de;es Norte e Sul, contemplando 29 cidades e 392 veículos na primeira e 824 veículos em 58 cidades na região Sul. Observa-se também o vínculo de políticos donos de mídia nas duas áreas e os reflexos dessa posse para a democracia brasileira. A pesquisa que originou o livro recebeu oPrêmio Compolítica de Melhor Tese, de 2017, concedida pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política.

Roda das Vozes em Estado de Sítio debate o papel da palavra

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Num tempo em que somos estilhaçados pelo capital corporativo, a voz e a palavra podem emergir como resistência a toda forma de controle e violência. Em sintonia com a Carta de Lord Chandos, de Hugo von Hofmannsthal, e outros textos que seguem seu rastro, a Ausgang de Teatro estreia, no dia 22 de junho, a peça sinfônica “Roda das Vozes em Estado de Sítio”, no TUSP (Teatro da USP), na rua Maria Antonia, 294, Consolação, São Paulo, SP.

Partido da mídia segue unido e quer saída da crise ao seu modo

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Por Laurindo Leal Filho, conselheiro do Barão de Itararé, na Rede Brasil Atual

A Globo interrompe sua programação, pouco antes do Jornal Nacional, para dar uma notícia extraordinária. Gravação mostrava relações promíscuas entre Michel Temer e o dono da empresa JBS. A partir dai o conglomerado de mídia líder do movimento golpista que derrubou a presidenta Dilma Rousseff e apoiadora fiel do governo ilegítimo passou a atacá-lo duramente. Outras empresas de comunicação não adotaram a mesma linha, caso dos jornais Folha de S.Paulo, o Estado de S. Paulo e da Rede Bandeirantes. Ao contrário, seguiram apoiando o governo ilegítimo.

Aparentemente rompia-se o monopólio de ideias defendidas pelo conjunto dos grandes meios de comunicação brasileiros, formadores há muito tempo de um verdadeiro partido político, hoje aliado a setores do Judiciário. A divergência, no entanto, é apenas tática e superficial. O alinhamento de todos eles continua firme em torno das reformas trabalhista, previdenciária e política. Discordaram momentaneamente em torno apenas de quem seria o condutor desse processo. A novidade foi que as Organização Globo, com sua longa experiência de envolvimento com os poderes constituídos, viram com antecedência a impossibilidade do governo Temer de levá-las adiante com presteza e agilidade.

Um governo com baixíssima popularidade teria muita dificuldade de implementar as reformas. Ainda mais depois do sucesso da greve geral de 28 de abril. O vazamento da conversa entre o presidente da República e o dono da JBS veio a calhar. Serviu de justificativa para que a Globo virasse de lado e passasse a apostar numa rápida substituição do governo Temer por outro, eleito indiretamente pelo Congresso, capaz de seguir em frente com as reformas.

Repetia-se, dessa forma, o que ocorreu no episódio da eleição e da renúncia de Collor. A Globo criou o candidato na figura do Caçador de Marajás alagoano, o elegeu e depois de algum tempo resolveu destituí-lo, apoiando movimentos como o dos famosos "caras-pintadas". Agora faz o mesmo. Encabeçou o golpe contra Dilma colocando Temer na presidência para, neste momento, pedir a sua cabeça.

No primeiro domingo de junho, a Folha de S.Paulo, em editorial, deu também uma guinada. Sem o estardalhaço do grupo Globo, realizou mais discretamente o seu desembarque do governo Temer. Mas foi bem mais explícita do que o grupo carioca na persistência do apoio às reformas e na descrença na capacidade do governo em realizá-las. "O governo Temer vem implantando um audacioso elenco de reformas estruturais que estão no rumo certo. Sua capacidade de seguir adiante com esse programa parece seriamente prejudicada", diz o jornal da família Frias.

E segue: "Por ora, o mais importante, com ou sem Temer, é que o governo e o Congresso persistam nesse rumo, único capaz de nos livrar da recessão e preparar um futuro mais próspero e promissor". Ainda não se ouviu algo semelhante do Estadão ou da TV Bandeirantes. Mas mesmo que não sigam as piruetas de Globo e Folha, esses e outros integrantes do partido da mídia continuam unidos na defesa das medidas anti-populares e anti-nacionalistas colocadas em prática pelo governo originário do golpe.

As diferenças superficiais entre um e outro meio de comunicação não representam, como se vê, nenhum alento para aqueles que sonham com um conjunto de meios diversificados, capazes de oferecer diferentes interpretações da realidade, dando ao público a possibilidade do entendimento e da escolha. Aqui não é possível ler ou ouvir nesses veículos análises críticas às reformas trabalhistas, elaboradas por entidades acadêmicas ou sindicais. Muito menos apreciações fundamentadas mostrando a falácia que é o tal "déficit da Previdência", mote usado por essa mídia para justificar o fim desta que é, sem dúvida, uma das mais importantes proteções sociais ainda existentes no pais.

A guinada pioneira da Globo, seguida pela da Folha, um pouco mais tardia, representam também a tentativa de ambas de se tornarem fiadoras de primeira hora de um novo governo que parece se anunciar para breve.