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#CalarJamais

calarjamais

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 A severa crise econômica do governo argentino é praticamente ignorada pela mídia brasileira. O motivo? Seu presidente, Maurício Macri, foi vendido pelo mercado como o modelo do que o sistema financeiro e o liberalismo quer para a região - após mais de uma década de fortalecimento de governos progressistas. Daí a esconder o alto índice de desemprego, aumento da fome e da pobreza e saques em supermercados. Este vídeo é um registro de um caso ocorrido na semana passada. 

Fonte: Conexão Jornalismo

Os principais jornais do país, Página 12 e Clarin, registraram saques nas cidades de Mendoza e Comodoro Rivadavia. Os grupos se organizaram através da rede whatsapp e usaram para isso o código "Saqueos hambre de Macri" (Saques fome de Macri). Em Comodoro Rivadavia, nove pessoas foram presas, quatro jovens menores de idade. Assista o vídeo do saque em Mendoza.

Macri acredita estar diante de uma bifurcação que se abre à sua frente. Não sabe se atende o mercado, que exige mais ajustes e arrochos, ou a população que teme medidas de austeridade que provocam desemprego. Enquanto isso diverte-se vendo a Justiça fustigar Cristina Kirchner. 

Em agosto optou pela maxi desvalorização do peso que perdeu 35% do seu valor e, no ano, 104%. Ou seja: vale metade do que valia em janeiro.

A crise argentina é tão grande que até mesmo venezuelanos que buscaram refúgio no país por conta da crise no país de Maduro começaram a retornar.

Caracas, 27 de agosto de 2018.- O presidente da República Bolivariana da Venezuela, Nicolás Maduro Moros, anunciou esta segunda que todos os trabalhadores e trabalhadoras da Venezuela, incluídos também aposentados e aposentadas, terão a possibilidade de adquirir certificados emitidos pelo Banco Central da Venezuela (BCV) lastreados em lingotes de ouro nacional, como parte do Plano de Poupança do “Programa de Recuperación, Crecimiento y Prosperidad Económica” que está em processo no país.

Por Orodriguez, na VTV

Tradução por odiferreira, dos Tradutores pela Paz na Venezuela

O lastro em ouro e os certificados servirão como base sólida para o sistema de crédito e cada venezuelano poderá obter créditos para comprar um carro, dar uma entrada para adquirir uma casa, um negócio… para mil coisas e servirá para ir recuperando a capacidade do sistema financeiro, para seu funcionamento”, disse o Chefe do Estado na segunda-feira passada na Casa da Moneda, estado Aragua.

Informou o Presidente que os lingotes de ouro puro, em formas de 1,5 gramas e 2,5 gramas, respectivamente, são a riqueza da Guayana venezuelana colocada à disposição dos venezuelanos e venezuelanas para ajudar a recuperar a cultura da poupança em instrumentos que não perderão valor em nenhum momento.

Os lingotes, que Maduro chamou “lingoticos”, poderão ser adquiridos em moeda nacional, ou seja, em Bolívar Soberano, que está ancorado à poderosa criptomoeda venezuelana, o Petro, cujo valor monetário está em vigência desde 20 de agosto passado.

As autoridades econômicas e monetárias do país informaram que estão avaliando outras formas de poupança, cujas características serão anunciadas oportunamente.

Entretanto, os venezuelanos terão à disposição as seguintes modalidades:

  • Lingote de 1,5 gramas, por um valor de Bs.S 3.502.

  • Lingote de 2,5 gramas, por um valor de Bs.S 5.837.

Cada lingote, que será incluído num cartão especial visivelmente identificado e com um certificado em papel de segurança da Casa da Moeda, terá por sua vez um Certificado Eletrônico com o nome de quem o adquiriu, que funciona de forma semelhante aos certificados de poupança em dinheiro, mas com uma maior solidez.

O certificado terá como data de validade um ano, mas o respaldo em ouro garante que não perde valor nunca. Porém, poderão ser monetizados aos três meses em planos especiais para poupança, para a qual está dirigido especialmente este plano com facilidades que serão divulgadas proximamente.

Todos os venezuelanos (dona de casa, trabalhador, pensionistas, etc.) poderão comprar estes instrumentos, cuja custodia estará a cargo do Banco Central de Venezuela.

O presidente Maduro convidou aos mais de 4 milhões e meio de pensionistas, além dos trabalhadores e trabalhadoras, a motivarem-se para colocar parte de seus próximos bônus e rendimentos na compra destes certificados respaldados no ouro de Guayana.

Creio que o presente mais notável e apetecível para as próximas festas será o certificado em ouro”, disse o chefe o Chefe de Estado, ao exemplificar que qualquer trabalhador poderá inclusive adquirir um destes lingotes para presentear seus filhos, netos, afilhados, familiares, o que permitirá não apenas poupar, mas também garantir a estabilidade econômica para o futuro.

O Mandatário Nacional aproveitou para adiantar que nos próximos dias também anunciará um Plano de Poupança em Petros, que também possibilitará aos venezuelanos expandir suas capacidades de poupar para fortalecer seu futuro e o de sua família.

Este anúncio foi confirmado pelo vice-presidente para a área econômica, Tareck El Aissami, adiantando que aa Plataforma Pátria contará com uma opção que permitirá o manejo em Petros, para que os venezuelanos tenham a possibilidade de poupar também na criptomoeda venezuelana.

Este é apenas o início e o faço com trabalhadores, com os aposentados…”, comentou o Chefe de Estado.

Agregou que esses revolucionários planos de poupança nunca poderão ser oferecidos em nenhum outro país que não seja a Venezuela bolivariana “porque estamos na Revolução socialista, humanista, chavista, proletária”.

Esses certificados sairão ao mercado venezuelano, para venda, na próxima terça-feira, 11 de setembro. Começa a poupança em ouro”, celebrou o Chefe de Estado. /JB

Inacreditável, impensável, surpreendente, fantástico! E vai botando adjetivo aí para descrever o que aconteceu na noite desta terça-feira (29) na Câmara dos Deputados: a aprovação, POR UNANIMIDADE, do Projeto de Lei de Proteção de Dados Pessoais. A proposta ainda não é lei, primeiro precisa passar pelo Senado e seguir os trâmites legislativos, mas a vitória nesta primeira fase já é motivo de muita comemoração.

Por Renata Mielli, em sua coluna na Mídia Ninja

Afinal, numa economia cada vez mais baseada na comercialização dos dados pessoais coletados pela internet, é um direito fundamental proteger a privacidade e garantir que cada pessoa decida se ela quer ou não ter seus dados coletados; se ela autoriza ou não o tratamento de seus dados; se sim para quê, por quem, em que condições e por quanto tempo.

Os deputados votaram e aprovaram o relatório apresentado na forma de substitutivo pelo relator, o deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP), ao PL 4060/2012 e que tinha apensados outros dois projetos, o 5276/2016 e o 6291/2016.

O deputado se debruçou principalmente sobre o projeto 5276, que foi um dos últimos encaminhados ao Congresso pela ex-presidenta Dilma Rousseff. Elaborado em paralelo e na mesma plataforma do Marco Civil da Internet, o projeto de Proteção de Dados Pessoais também contou na sua fase de elaboração com ampla participação social, na forma de mais de 2 mil contribuições por plataforma de consulta na internet. Quando chegou à Câmara, uma subcomissão especial foi criada para debater o tema. Dezenas de audiências públicas, seminários e reuniões foram promovidas por esta comissão nos últimos dois anos.

Seus dados são você!

O debate internacional sobre proteção de dados pessoais, em particular na era digital, tem sido objeto de preocupação de organismos de direitos humanos, estados e organizações sociais de todo o mundo.

Muitos países já possuem legislação específica sobre o tema e, os que não possuem, estão tratando de construir uma. Principalmente a partir da entrada em vigor do Regulamento Geral de Proteção de Dados (na sigla em inglês GDPR) no dia 25 de maio, cujo objetivo é “harmonizar as leis de dados por toda a Europa e empoderar a privacidade de todos os cidadãos, além de reorganizar a maneira como as companhias lidam com dados privados”.

Grifo o termo empoderar, não porque é uma palavra que anda na moda, mas porque neste caso específico tem um conteúdo fundamental: as pessoas desconhecem o funcionamento das aplicações e plataformas da internet, não sabem como elas coletam os dados, como tratam e usam. A relação entre as pessoas e essas “empresas digitais” é de hipossuficiência, porque nós, usuários, não temos na prática muita escolha ou poder sobre a prática destas empresas. Na esmagadora maioria das vezes, somos levados a aceitar os termos de uso e a política de privacidade, sob pena de não podermos usar os serviços. Por tudo isso e muito mais é que precisamos nos empoderar e esse empoderamento passa necessariamente pelo papel do Estado em regular, fiscalizar e quando for o caso, punir quem usar dados pessoais sem conhecimento e consentimento do titular, ou fazê-lo de forma abusiva e com propósitos diferentes dos permitidos.

Neste sentido, o projeto aprovado pela Câmara é muito positivo. Primeiro porque define os conceitos de forma bem específica, sem deixar margens para interpretações muito amplas do mercado para a definição de dados pessoais, sensíveis e anônimos. O projeto, também, é muito explícito sobre os direitos dos titulares sobre seus dados e sobre as formas de consentimento para a coleta e tratamento dos dados, exigindo que este seja feito de forma livre, informada e inequívoca e específica, ou seja, para determinadas finalidades.

Além disso, define as responsabilidades das empresas e inclusive as sanções nos casos de uso indevido. Estabelece regras para a transferência internacional de dados, faz distinção para tornar ainda mais rigoroso o uso de dados sensíveis (os que dizem respeito à raça, etnia, religião, posição política, dados de saúde, etc).

O relatório avança, ao incluir um capítulo para proteção de dados de crianças e adolescentes, que não estavam especificados nos projetos originais e, também, ao incluir no rol de regras de proteção dos dados pessoais, aqueles coletados e tratados pelos órgãos do Poder Público.

Para garantir a aplicabilidade da lei, o relatório apresentado detalha a criação, conforme já proposto no PL 5276/2016 do Executivo, de uma autoridade nacional de proteção de dados de caráter regulatório para acompanhar e fiscalizar a aplicação da lei.

Para chegar na redação final, houve muito diálogo e pressão da sociedade. E, aqui, cabe o registro essencial para o conjunto de organizações que integram a Coalizão Direitos na Rede. São entidades e ativistas das mais variadas áreas que se articularam para discutir temas de direitos na Internet e que priorizaram o trabalho em torno do projeto de dados pessoais. Entidades que atuam na luta pela democratização da comunicação, como o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), o Intervozes, o Barão de Itararé, a Artigo 19, entidades do direito do consumidor como Proteste e Idec, entidades específicas de luta em defesa dos direitos humanos na internet, como Coding Rights, Actantes, Coletivo Digital, Movimento Mega Não, Instituto Beta, Internet Sem Fronteiras, coletivos de especialistas, universidades e grupos de pesquisa, como o Instituto Tecnologia e Sociedade (ITS-Rio), a Rede latina-americana de Estudos sobre Vigilância, Tecnologia e Sociedade (Lavits), Grupo de Estudos em Direito, Tecnologia e Inovação do Mackenzie, Coolab, entre muitas outras, que já me desculpo por não citar aqui mas que podem ser acessadas no site da Coalizão.

Ter conquistado essa vitória na atual situação do Brasil é um grande feito! Afinal, desde o golpe que depôs uma presidente legitimamente eleita, impôs uma política econômica neoliberal de desmonte do Estado, da soberania e dos direitos sociais, e que atacou como há muito não se via a liberdade de expressão e direitos humanos fundamentais — como a própria vida — a sociedade brasileira não tem tido muito o que comemorar em termos de conquistas. Impedimos a aprovação da Reforma da Previdência, talvez a vitória mais emblemática contra as forças conservadoras, mas essa foi uma vitória no campo da resistência para barrar retrocessos. Já, a aprovação do PL de Dados está no rol de uma conquista nova, fruto da mobilização do movimento social.

Conseguimos com a nossa persistência e unidade aprovar um projeto equilibrado, protetivo, baseado em direitos fundamentais, entre os quais a liberdade de expressão e que, agora, passará por nova fase de debate, no Senado Federal. Devemos seguir firmes e unidos, porque assim podemos derrotar o golpe e alcançar novas conquistas!

Coalizão Direitos na Rede

Foi tão rápido que todo mundo ficou perdido. Mas é isso: o Projeto de Lei nº 4060/2012 foi aprovado ontem pela Câmara dos Deputados. 

Mas pera, qual? Esse é bom, é ruim? Que?

Explicamos. 

Existem dois PLs de dados pessoais correndo hoje no Congresso Nacional: o nº 4060/2012, da Câmara, e o nº 330/2013, do Senado. 

Desde março, os dois entraram em uma espécie de corrida para ver qual seria aprovado primeiro. O primeiro motivo é de contexto: o caso Cambridge Analytica, a pressão da sociedade civil contra o cadastro positivo e a necessidade de uma legislação sobre dados pessoais para a entrada do Brasil na OCDE deram gás na discussão. O segundo motivo é processual: a primeira casa legislativa a aprovar a lei é também a que pode dar a "última palavra" sobre seu conteúdo, o que dá maior controle sobre o texto final. 

Esse cenário levou o governo a acelerar a discussão e negociar a elaboração do texto da Lei com o Senado - por isso o PLS 330/2013 trazia exceções ao Poder Público, criticadas publicamente pela Coalizão Direitos na Rede em nota. 

A princípio, o PL do Senado estava na frente da corrida. O texto final ainda não estava público, mas a votação estava prevista para ontem à tarde, por conta de requerimento que aprovou sua tramitação em regime de urgência. 
Mas ontem à noite, o jogo virou. 

O Senado encerrou a sessão deliberativa mais cedo que o previsto e, nesse meio tempo, foi iniciada sessão extraordinária na Câmara, para análise do substitutivo do deputado Orlando Silva. Ciente das movimentações do Senado, ele também apresentou requerimento de urgência e costurou a aprovação do texto com diferentes partidos e setores interessados. 

Com isso, o PL da Câmara passou na frente e ganhou a corrida: foi aprovado, ontem à noite, por consenso! 

Certamente, a votação de ontem foi uma vitória para a sociedade civil e para a Coalizão Direitos na Rede. O texto é muito mais avançado que o do Senado: não prevê exceções ao Poder Público, tem uma melhor definição de legítimo interesse e um regime adequado de responsabilidade civil. Mas, claro, ainda há o que melhorar – em breve divulgaremos análise do conteúdo final 

Agora o Projeto seguirá para o Senado, onde pode sofrer novas modificações. Seguiremos acompanhando esse processo. 

#SeuDadosSãoVocê

Símbolo da luta pela democracia e contra as desigualdades no Brasil, Waldir Pires e sua trajetória serão tema de debate na terça-feira, 31 de julho, a partir das 19h, em São Paulo. Por ocasião do lançamento do livro Waldir Pires: Biografia Vol. 1, de Emiliano José, o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé promove debate com as presenças do autor da obra, do jornalista Bob Fernandes, do deputado federal Paulo Teixeira, além de Isabel dos Anjos Leandro (Fundação Perseu Abramo) e Renata Mielli (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação).

A entrada é gratuita. Para garantir seu lugar, basta preencher o formulário de inscrições aqui.

A Fundação Perseu Abramo transmite ao vivo, com reprodução na página do Barão de Itararé (www.facebook.com/baraomidia).

Falecido no dia 22 de junho de 2018, aos 91 anos, Waldir Pires chegou a participar do lançamento do livro em Salvador, oito dias antes de sofrer uma parada cardiorrespiratória. Seu legado, entretanto, segue vivo - o "primeiro tempo" de sua contribuição à luta política no Brasil é contado neste primeiro volume da biografia, assinada pelo jornalista Emiliano José, outro grande militante baiano. Nesta parte da publicação, que será lançada em São Paulo no dia 31 de julho, é dado destaque à formação intelectual e política de Waldir Pires, além de sua participação no governo João Goulart, o exílio no exterior - em abril de 1964, Pires embarcou em um monomotor, em Brasília, ao lado de Darcy Ribeiro, rumo ao Uruguai, de onde seguiu para a França - e o retorno ao Brasil em 1970.

Em reportagem publicada pela CartaCapital, Emiliano José declarou que "Waldir era um democrata inamovível, convicto, mas nunca deixou de entender que ela só faria completo sentido se estivesse a serviço do combate à desigualdade". O biógrafo também falou sobre vitórias eleitorais de Pires e seu papel na denúncia do golpe de 2016.

Faça a sua inscrição gratuita para o debate: https://doity.com.br/waldir-pires

Repleto de episódios absurdos e surreais, o episódio que culminou no impeachment da presidenta democraticamente eleita Dilma Rousseff virou obra de cinema e está em cartaz, no país, desde o dia 17 de maio. Trata-se do documentário O Processo, dirigido por Maria Augusta Ramos. A cineasta esteve no Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé nesta terça-feira (12) e teve a oportunidade de dialogar sobre o filme com o público presente.

Por Felipe Bianchi

“Um grupo de amigos juristas e progressistas me estimularam a filmar o que estava acontecendo no Planalto. Fui para Brasília - onde nasci e fui criada - de repente, faltando oito dias para a votação do impeachment na Câmara dos Deputados, registrar o que estava ocorrendo”, conta a cineasta.

Com o plano inicial de passar duas semanas na capital federal, Guta Ramos acabou prolongando a visita. Esperançosa de que o Parlamento pudesse rechaçar a admissibilidade da denúncia contra Dilma Rousseff, a cineasta relata ter se dado conta, após aquela votação, de que dali poderia sair um enredo de grandes dimensões.

“Sabemos que aconteceram mil e um fatos na trajetória do impeachment, que podem ser abordados de diversas maneiras”, diz Guta. “Eu optei por focar no processo jurídico e político, no 'teatro' da Justiça e da política”, argumenta. Ela deixa claro: o termo teatro, aqui, não é empregado em um sentido pejorativo.

A perspectiva escolhida pela cineasta não foi ao acaso, mas sim uma sequência lógica do trabalho que desenvolve no cinema há anos. “Todos os documentários que fiz lidam com o conceito de Justiça, tanto do ponto de vista dos operadores da lei, quanto do ponto de vista da comunidade e dos cidadãos, das relações que se dão através do ‘teatro’ da Justiça”, conta Guta. Dentre os trabalhos citados por ela estão o filme Justiça (2004), sobre varas criminais do Rio de Janeiro; Juízo (2008), sobre menores infratores; e Morro dos Prazeres (2013), que retrata a ocupação de uma Unidade de Polícial Pacificadora (UPP) na comunidade de Santa Teresa, também no Rio.

“Como sempre em meu trabalho, não uso entrevistas e nem comentários. É assim que faço documentário. Proponho a descoberta de um universo através de personagens e protagonistas”, explica Guta Ramos. Segundo ela, os personagens da obra são pessoas reais que se tornam protagonistas, como Gleisi Hoffmann, Janaína Paschoal, José Eduardo Cardozo... “Somos guiados através desse universo por esses protagonistas. Chamo de cinema reflexivo”, sublinha.

Não é que o cinema seja isento, pondera a cineasta. “Não existe cinema, nem jornalismo e nem fotografia isentos”, já que sempre há um conjunto de valores e ideias embutidos, mas no caso do cinema reflexivo, Guta aposta que o filme vá além de sua visão como indivíduo. “Por paradoxal que possa parecer, eu sei que os espectadores verão coisas que eu jamais imaginaria. Mas claro que cada corte é uma escolha, cada fala é uma escolha, tudo é intencional”.

Para se ter ideia, O Processo foi filmado com apenas uma câmera, com exceção das imagens feitas no Plenário da Câmara, quando foram utilizadas duas câmeras. A cineasta trabalhou com cerca de 450 horas de filmagem para chegar ao resultado final.

Reação da mídia e prêmios internacionais

Ao contrário do que parte da esquerda brasileira pensa, Guta Ramos considera ser uma ilusão achar que a opinião pública internacional tem clareza do golpe em curso no Brasil. De acordo com a cineasta, a maioria das pessoas ficam boquiabertas com a dimensão do que ocorreu. “Tem, sim, gente lá fora denunciando, mas boa parte da opinião pública acha que foi um simples processo de impeachment. As pessoas ficam completamente surpresas”, diz.

Na avaliação dela, a reação das pessoas no exterior é diferente da nossa pelo fato de não terem vivido de forma tão intensa esse processo todo. “Nós tivemos uma relação muito emocional. As pessoas choram, interagem, batem palma”, diz. Mas no exterior, revela, tem sido comum momentos de aplausos.

O filme foi aclamado no consagrado Festival de Berlim, além de ter conquistado o prêmio de melhor longa-metragem no Festival Documenta Madri, na Espanha, e escolhido como melhor longa-metragem tanto pelo público quanto pelo júri do festival IndieLisboa, em Portugal, além de aplausos na Suíça e no Canadá. “As pessoas podem não ter vivido isso tudo, mas compreendem muito bem o que está sendo retratado, o que se passou, quem é quem na história”.

Com forte teor kafkiano, na opinião da própria diretora, a identificação do público estrangeiro com O Processo se dá, também, pela universalidade do que ela chama “teatro” da política: “Existem Janaínas Paschoais no Brasil, mas existem Trumps lá fora. Existe uma extrema-direita em ascensão. Fui exibir o filme na França e havia uma greve gigantesca contra a reforma trabalhista de Emmanuel Macron. É um filme atual, que se relaciona com essa universalidade da política”.

O fato de ter recebido premiações internacionais, na visão de Guta Ramos, mostra que o filme não é panfletário, mas um filme bom como cinema. “Não é um filme feito só para denunciar, mas para retratar e refletir sobre o tema”, diz.

Sobre a crítica feita pela mídia tradicional brasileira, um dos principais formuladores do golpe contra Dilma Rousseff, a cineasta diz que não está sendo tão negativo como alguns poderiam esperar. “A crítica até que foi boa. Algumas positivas, outras nem tanto. Cada um com sua opinião, eu respeito”, diz. “Mas teve gente que disse que o filme é monótono. Monótono pra quem? Teve, também, gente dizendo que o filme é tendencioso… Ora, e a mídia não é tendenciosa?”.

Quanto às acusações de que o filme teria lado ou levantar bandeiras, Guta esclarece que a mídia inteira estava presente na Câmara durante o impeachment, mas muitos parlamentares questionavam apenas a presença da equipe do documentário. “Fora as insinuações e suposições de que estávamos sendo pagos, estávamos enviesados… Eu pedi acesso aos bastidores da esquerda e da direita. A esquerda me deu acesso. Os assessores jurídicos das lideranças de esquerda já conheciam meus filmes”.

Por fim, a cineasta reforçou a importância de que o filme seja um sucesso nas salas de cinema como forma de fortalecer esse tipo de produção. “É importante que resgatemos espaços de cinema no Brasil. É difícil emplacar filmes no cinema. Há, inclusive, poucos cinemas no país. Quanto mais gente for ver, mais tempo o filme fica. O público tem que ir ao cinema e isso, por si só, tem muito peso político. É importante que haja esse esforço para que o filme seja assistido no cinema e, quando não for possível, que utilizemos a Internet e outras plataformas para disseminá-lo”.

Núcleo de Cultura

A atividade marcou o lançamento oficial do Núcleo de Cultura do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé. A proposta do Núcleo é realizar debates, diálogos e atividades relacionadas ao mundo das artes em intersecção com temas como a mídia e a política.

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O coletivo "Futebol, Mídia e Democracia" lançou uma nota de repúdio à medida adotada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro em parceria com o Gepe e o consórcio Maracanã que implantaram um setor de 2 mil lugares para as torcidas organizadas. Um setor cercado de grades que mais parece uma prisão para isolar todas as torcidas do resto dos torcedores "comuns".

Confira a nota e abaixo as torcidas, movimentos, coletivos e demais entidades que assinam o documento:

Não seremos enjaulados!

Em nota, viemos aqui dar um recado a respeito da decisão de isolar torcidas organizadas nos estádios do Rio de Janeiro.

Essa medida absurda começa com um cadastro realizado junto ao MP/RJ e o Grupamento Especial de Policiamento em Estádios (GEPE, da PM do Rio), onde ambos definem e aceitam, ou não, o que é uma torcida. Isso passa por diversas exigências para se colocar apenas uma bandeira no estádio, e culmina agora em um setor do Maracanã para as organizadas. Um setor isolado, cercado de grades, igual a um presídio.

Já está muito claro que essas medidas são na verdade higienistas: “limpam” os estádios, segregam os pobres e vão elitizando cada vez mais nossos espaços populares. Nenhuma medida dessas, acima citadas, resolve a questão da violência. Pelo contrário: por marginalizar os torcedores, é criado um ambiente hostil que, obviamente, aumenta a violência.

As brigas continuam, as pessoas continuam morrendo, a impunidade continua, os preços dos ingressos só aumentam, as tensões nos estádios nunca foram tão grandes, porque nunca foi tão difícil torcer; e até hoje, não se sabe de um só policial preso por abuso de autoridade nos estádios, e sabemos que isso ocorre aos montes. Mas preferem fechar os olhos e nos enjaular.

A violência se agravará, mais pessoas serão excluídas, e qualquer lembrança de um Maracanã popular acaba de vez. Agora o teatro está concluído: se antes nos comercializavam com vídeos de nossas festas e músicas, agora somos descartáveis. A prioridade são setores mais caros nos estádios, atraindo um público ainda mais elitizado, apático e frio. A burocratização da festa prejudica o espetáculo, é mais uma etapa da criminalização da cultura torcedora.

Ao invés de segregação, propomos que os governos, Ministério Público, Polícia Militar e outros agentes que organizam o futebol dialoguem e debatam com os torcedores, para construir em conjunto um planejamento que melhore a segurança e a organização dos jogos sem violar direitos, sem reprimir e sem atacar a cultura de festa dos torcedores brasileiros.

Torcer não é crime, nem o torcedor é um bandido!

Não aceitaremos calados sem luta! Não seremos enjaulados! Liberdade para as torcidas e para os torcedores! O futebol é do povo!

#LiberdadePraTorcer

Assinam esta nota:

TORCIDAS E ENTIDADES

Anatorg (Associação Nacional de Torcidas Organizadas)
Associação Avante Fantasma (Operário Ferroviário/PR)
Associação Esportiva Araguaia
Avante Santa Cruz - Portão 10 (Santa Cruz/PE)
B16 - Bangu Antifascista
Brava Ilha - Saída 3 (Sport/PE)
Brigada Marighella (Esporte Clube Vitória/BA)
Brigada Popular Alvirrubra (Náutico/PE)
Castores da Guilherme (Bangu/RJ)
Centro Acadêmico Caio Júnior - Futebol - Faculdade Carlos Drummond de Andrade (SP)
Coletivo Democracia Corinthiana
Coletivo Democracia SantaCruzense (Santa Cruz/PE)
Coletivo Dino Colli (Operário Ferroviário/PR)
Coletivo Futebol, Mídia e Democracia
Coletivo INTERfeminista (Internacional/RS)
Comando Rasta do Cruzeiro
Coral Antifa (Santa Cruz/PE)
Esquerda Botafoguense (Botafogo/RJ)
Feminino Portão 7 (Internacional/RS)
FFC - Força Feminina Colorada (Internacional/RS)
Flamengo Antifascista
Frente Esquadrão Popular (Esporte Clube Bahia/BA)
Frente Vitória Popular (Esporte Clube Vitória/BA)
Grêmio Antifascista
Grêmio Recreativo Torcida Organizada Máfia Azul (Cruzeiro/MG)
Inter Antifascista (Internacional/RS)
Leões de Sampa (Sport/PE)
Máfia Azul - Comando Guerreiro do Eldorado
Meca Antifa (América/PE)
Movimento Coralinas (Santa Cruz/PE)
Movimento Popular Coral (Santa Cruz/PE)
Mulheres de Arquibancada
Ocupa Palestra (Palmeiras/SP)
O Povo do Clube (Internacional/RS)
Palmeiras Antifascista
Punk Santista (Santos/SP)
Resistência Azul Popular (Cruzeiro/MG)
Setor 2 (Juventus/SP)
Teóricos do Futebol
Torcida Alcoolizada Cachazeiros (Cruzeiro/MG)
Torcidas Antifas Unidas
Torcida Antifascista Sport
Torcida Bolche FLA (Flamengo/RJ)
Torcida Independente Garra Tricolor (Esporte Clube Bahia/BA)
Torcida Jovem Fanáutico (Náutico/PE)
Torcida Organizada Bamor (Esporte Clube Bahia/BA)
Torcida Uniformizada Garra Alvinegra (Americano/RJ)
Torcida Organizada Raça Coral (Santa Cruz/PE)
Torcida Pavilhão Independente (Cruzeiro/MG)
Torcida Santos Chopp (Santos/SP)
Torcida Trem Fantasma (Operário Ferroviário/PR)
Torcida Uniformizada do Palmeiras - TUP
Torcida Tulipas Vascaínas (Vasco/RJ)
Tribuna 77 - GFBPA (Grêmio/RS)
Turma do Chico Leone - 515 (Palmeiras/SP)

INDIVIDUAIS:

Anizio Silva (@tuitdosantinha)
Lu Castro - Jornalista
Marcelo Moisés - Presidente da TUP (Torcida Uniformizada do Palmeiras)
Maria da Penha - Ex-presidente da Torcida Organizada Tulipas Vascaínas

En respuesta a la ofensiva del gobierno de Mauricio Macri, en Argentina, que pretende tranformar los clubes de fútbol en sociedades anónimas deportivas (SAD), hinchas argentinos están dejando de lado la rivalidad para resistir al inminente ataque contra el fútbol local. En solidaridad a la lucha de los hinchas del país hermano, aglutinados en la Coordinadora de Hinchas, el Coletivo Futebol Mídia e Democracía y diversas organizaciones publican nota este lunes 9 fortaleciendo el movimiento de protesta de los vecinos y recordando que la ofensiva contra el fútbol democrático y popular no es exclusividad de un solo lado de la frontera.

Lea la nota integra abajo o haga click para la versión en portugués:

NOTA DE APOYO DE LOS HINCHAS BRASILEROS A LOS HINCHAS ARGENTINOS

“NO A LAS SAD!”

Parte de un efervecente movimiento de hinchas, activistas, comunicadores sociales y militantes en lucha por un fútbol más democrático y popular en Brasil, nos solidarizamos con la lucha correspondiente de nuestros hermanos argentinos aglutinados en torno a la Coordinadora de Hinchas.

Concientes de la grave amenaza del entendimiento del futbol como patrimonio cultural de nuestros pueblos, manifestamos nuestro absoluto repudio a la propuesta de transformar los clubes de futbol en sociedades anónimas deportivas (SAD). Para nosotros la envestida mercantilista en curso en Argentina usa armas diferentes, pero tiene el mismo objetivo que combatimos en Brasil: la extinción de la cultura del tablón, la exclusión de los pobres de las canchas, la manutención y ampliación del poder de los dueños del deporte mas popular de nuestros países, además de la reducción de uno de los elementos culturales mas importantes de nuestro continente en un producto meramente mercantilista, mediático y estéril.

Para nosotros, el proyecto en curso en Argentina no puede ser comprendido como un hecho aislado. Se trata de una ficha mas en el tablero que atenta contra nuestro fútbol. En este escenario, creemos que es indisociable del proyecto en curso en Argentina, el proceso de elitización de las tribunas vigente en Brasil a través de entradas caras y cada vez mas inaccesibles para los ciudadanos de más bajo sueldo; el poder sin limites de dirigentes de las instituciones que mandan en el fútbol a nivel nacional y continental; y la actuación de los monopolios mediáticos, que atropellan a los hinchas, a la sociedad civil organizada y a la democracia con sus intereses económicos y de clase.

Pero además de nuestro esfuerzo actual, emprendido en la campaña “Ingresso Caro Não! [No a las entradas caras]”, una pauta urgente para los hinchas de todos los clubes brasileros, también alertamos que hay en curso un proyecto real de transformación de nuestros clubes en empresas, retomando los objetivos de la fracasada “ley Pelé” (1998). La amenaza de transformación de los clubes brasileros en empresas también es real.

Saludamos el esfuerzo de los hinchas del país vecino en sobreponer la importancia de esas luchas por encima de la rivalidad entre clubes, tarea difícil, que exige maduración y que también estamos enfrentando en Brasil. Así como nuestra resistencia abraza todas las banderas, ella también debe transcender fronteras.

Firman abajo las organizaciones de hinchadas brasileras que luchan por la democracia en nuestros clubes y nuestras tribunas.

Fútbol, Fiesta Popular!

Firman:

Coletivo Futebol, Mídia e Democracia

Coletivo Democracia Corinthiana - SC Corinthians P

Coletivo Democracia Santacruzense - Santa Cruz FC

Frente Vitória Popular - EC Vitória

Flamengo da Gente - CR Flamengo

Movimento Clube do Povo - ABC Futebol Clube

Massa e Raça 88 - EC Bahia

Movimento Ocupa Palestra - SE Palmeiras

Resistência Azul Popular - Cruzeiro EC

O Povo do Clube - SC Internacional

Associação Nacional das Torcidas Organizadas (Anatorg)


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