Tereza Campello: 'No Brasil, é mais fácil acabar com a pobreza do que acabar com o ódio ao pobre'

Política
Typography
  • Smaller Small Medium Big Bigger
  • Default Helvetica Segoe Georgia Times

A economista e pesquisadora Tereza Campello não aceita a tese de que os pobres ascenderam no Brasil só porque passaram a ter acesso aos bens de consumo e rebate as críticas de que os governos Lula e Dilma não criaram políticas estruturantes no país. A inclusão de negras e negros nas universidades, a construção de 1 milhão e 300 mil cisternas em municípios que conviviam com a falta d’água no interior do Nordeste e programas como o Luz para Todos são exemplos de políticas que transformaram a vida de milhões de pessoas:

– A pobreza, hoje, no Brasil não é igual à pobreza que tínhamos há algumas décadas. Porque as mudanças que fizemos foram estruturais”, destacou, antes de lamentar que o que os governos do PT construíram, Bolsonaro conseguiu destruir:

– Nós construímos políticas públicas montadas em evidências. Mas, para destruir, não precisa de diagnóstico. E esse desmonte está sendo dramático”, disse.

A ex-ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome no governo Dilma Rousseff foi a entrevistada do Balbúrdia da quinta-feira (27) e falou sobre o desmonte das políticas sociais do país pelo governo Bolsonaro.

– O Governo do Brasil está aproveitando a pandemia para acelerar o desmonte das políticas sociais”, pontuou.

O programa contou com a participação do jornalista Altamiro Borges, presidente do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé, que divulgou o seminário Decifrando o economês e desmontando o mito da austeridade fiscal – Por que e como é possível revogar o teto de gastos, garantir direitos sociais e promover o desenvolvimento nacional”,   confirmado para junho com participação da própria Tereza Campello e outros especialistas na área.

Por Rafael Duarte, no Saiba Mais

Preconceito

Coordenadora do programa Brasil Sem Miséria, que retirou 22 milhões de pessoas da extrema pobreza, e defensora ferrenha do Bolsa Família, ela acredita que o ódio de classe tenha relação com o passado recente do país ainda ligado à escravidão.

Se fôssemos comparar os mais de 500 anos do Brasil com um mês teríamos três semanas de escravidão e uma semana sem. Então é muito tempo ligado ao que há de pior. No Brasil, é mais fácil acabar com a pobreza do que acabar com o ódio ao pobre”, afirmou.

Apesar do cenário trágico do país onde mais de 450 mil pessoas já perderam a vida em razão da irresponsabilidade e falta de comando do governo federal no combate à pandemia, Campello vê esperança no futuro:

– Os negros estão nas ruas, as mulheres estão nas ruas, os jovens estão na rua. Precisamos nos animar, porque nos sabemos o que fazer para reconstruir esse País”, disse.