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O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, aprovou a criação da Universidade Internacional de Comunicação, para a formação de comunicadores sociais que lutem contra o neoliberalismo e a favor dos povos da América Latina.

"Uma universidade para a libertação, para a consciência e a defesa da verdade diante da agressão midiática”, enfatizou o chefe de Estado após a constituinte Tania Díaz apresentar a proposta, coordenada durante o Congresso Internacional de Comunicação. 

Por Prensa Latina*

Maduro precisou que o Governo nacional aportará recursos financeiros e logísticos para a fundação da instituição, que prevê iniciar suas atividades acadêmica no primeiro trimestre de 2020. 

Em tal sentido, instruiu o ministro para a Educação Universitária, César Trómpiz, a elaborar a arquitetura do que deve ser o processo pedagógico e comunicacional, assim como seu início de funcionamento.

Durante o encerramento do I Congresso Internacional de Comunicação, as delegações acordaram um plano de luta contra as ingerências do Governo estadunidense na América Latina e no Caribe.

Este plano contempla a criação de uma rede mundial de comunicadores, articulada aos partidos e movimentos sociais da região, para respaldar as lutas dos povos, além da conformação de uma multiplataforma internacional para o intercâmbio de conteúdos.

Os participantes no congresso advertiram ao mundo sobre as intenções da Casa Branca (sede do Executivo estadunidense) de impor sua hegemonia com bloqueios econômicos e golpes de Estado. 

Exigiram ao Governo dos Estados Unidos a cessação imediata da ingerência estadunidense nos assuntos internos dos países da região.

Para o próximo ano, as delegações planejam se reunir na Nicarágua, onde criariam um regulamento básico e uma estrutura de funcionamento.

Com o lema “Agora falam os povos”, o I Congresso Internacional de Comunicação reuniu em Caracas uns 500 delegados de mais de 40 países, com o propósito de desmontar a campanha midiática contra as autoridades e o povo da nação sul-americana.

*Prensa Latina especial para Diálogos do Sul - Direitos reservados

Nesta entrevista exclusiva, o humanista que nos acompanhou na visita ao hospital de El Alto, alertou para “os riscos da campanha de silenciamento, perseguições e ameaças” desencadeada pelos golpistas contra jornalistas, “com o objetivo de invisibilizar as vítimas”. “Quem está conseguindo romper o cerco midiático é a imprensa internacional, pois a mídia nacional está tendo uma relação comercial, mercadológica, que informa à medida em que o veículo recebe publicidades do governo, censuras ou ameaças”, frisou.

Por Leonardo Severo/ComunicaSul

Acompanhando a delegação argentina que se fez presente elevando a voz por justiça no país de Tupac Katari, Bartolina Sisa e Evo Morales, o humanista David Inca condenou o decreto apresentado pelo governo Áñez de desembolsar “um pagamento global e único” de pouco mais de sete mil dólares como ajuda às famílias de cada um dos falecidos. Finalmente, destacou “o papel da solidariedade internacional, que brotou com força, espontaneamente, do coração, respondendo à intensidade, ao grau da brutalidade com que seres humanos foram atacados, chegando a perder a vida”.

Como ativista boliviano, acompanhaste a delegação argentina que veio avaliar a situação dos direitos humanos após o golpe contra o presidente Evo Morales. Qual a importância desta visita?

Em primeiro lugar, é importante dizer que a delegação argentina não foi a única que veio até nós. Inicialmente, a algumas semanas, tivemos a visita da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), e, posteriormente, da audiência realizada no dia primeiro de dezembro, participaram representantes das Nações Unidas. Eu, pessoalmente, fui quem organizei, coordenei a visita da CIDH à cidade de El Alto. A princípio queriam que as vítimas baixassem até La Paz, mas houve uma decisão do povo, dos feridos, dos afetados, que seriam eles quem deveriam subir a El Alto.


Ficou expresso que era necessário realizar uma reunião sem a presença das forças da Polícia e do Exército.

Exatamente. Os corpos dos falecidos estavam na Capela São Francisco de Assis, em Senkata, na zona 25 de julho. Eles morreram no dia 19 de novembro, na parte da manhã e da tarde, e estavam sendo velados na capela. No dia 20 se realizaram as autópsias, da qual participaram o procurador geral e o procurador do departamento, e se fizeram presentes a Defensoria do Povo nacional e departamental, minha pessoa, como representante da Assembleia Permanente de Direitos Humanos de El Alto, a Igreja e uma equipe do Fórum. Não foi permitido que levassem os corpos até os ambulatórios judiciais que se encontram em La Paz. Foi feito um pedido para que subissem e assim o fizeram.

Qual foi a avaliação das autópsias?

Se chegou à conclusão que de seis dos corpos inicialmente avaliados, dois tinham impactos de bala na cabeça, dois no peito – um que perfurou o pulmão e outro que perfurou o coração -, e outros dois no ventre, no rim e no fígado. Todos morreram devido ao sangramento produzido pelas balas. A dedução é que todos morreram pela intensa perda de sangue e foram vítimas da ação de franco-atiradores. Em outubro de 2003 passou o mesmo, muitos dos mortos foram abatidos com tiros na cabeça ou no peito. Pela precisão, isso é claramente a demonstração de que houve intervenção de franco-atiradores.

Uma covardia sem limites, é fascismo…

É fascismo. Todos os cerca de 60 feridos registrados, absolutamente todos, assim o foram pelo impacto de balas, seja no pescoço, no braço, na perna, na panturrilha… Foram utilizadas armas de guerra para dispersar uma mobilização de paz. Qual seria o argumento para se utilizar armas de guerra? Se aprova um decreto supremo que viabiliza, garante, permite que os militares e policiais usem armamento de guerra sempre que se cumpram dois requisitos. O primeiro, o da legítima defesa. Se as “forças da ordem” estão sendo ameaçadas por um grupo, entre aspas terrorista, sedicioso ou de criminosos com armas de fogo, eles, por princípio de legítima defesa têm ordem de disparar. Nenhum dos mortos e feridos de El Alto foi encontrado com arma de guerra, nem de grosso, nem de pequeno calibre, nem de qualquer calibre. Portanto, não se cumpriu este requisito prévio. Mas o que disse o ministro da Defesa? Que nenhuma bala saiu das armas do Exército, que os soldados não dispararam um único tiro. Isso é mentira.

O segundo requisito proposto pelo decreto supremo é o estado de necessidade, que é quando um direito fundamental – e o primeiro direito fundamental é a vida – está sendo agredido por outros direitos. Pode ser que caso se estivesse exagerando no direito ao protesto, à marcha, que isso pudesse estar colocando em risco a vida. Mas o direito ao protesto e à manifestação não estava pondo em vida o perigo de militares que estavam com helicópteros, tanques e muito bem armados. Dificilmente quem está com paus e pedras poderia agredir com a mesma intensidade, proporcionalmente, uma força militar. Então, à luz da Corte Interamericana de Direitos Humanos, houve a violação de um princípio básico, do direito de manifestantes a protestarem.

Houve o caso de um enfermeiro que denunciou que pessoas morreram sangrando porque os militares abriram fogo, inclusive contra ele, na tentativa de impedir os seus primeiros socorros.

Sim, agora este enfermeiro está na prisão e acusado dos delitos de sedição e terrorismo. A CIDH e as Nações Unidas receberam a denúncia da esposa dele e devem pedir uma medida cautelar em defesa da vida do enfermeiro. A mesma solicitação foi apresentada ao Parlasul.

Foram violados os direitos humanos deste enfermeiro, sendo aplicado o princípio de culpabilidade e não de inocência. Em menos de 48 horas lhe fizeram uma acusação e o levaram à prisão por ter socorrido feridos à bala. Essa foi a sua culpa.

Do ponto de vista dos direitos humanos, como estão agindo os meios de comunicação locais?

Aqui é preciso que sejamos pontuais. Uma coisa são os trabalhadores dos meios de comunicação e outra a mídia como instituição, que têm uma linha editorial a favor ou contra o governo. Quem sofreu neste período foram os profissionais que faziam seu trabalho, recolhiam informações, entrevistavam, gravavam, levavam diretamente ao jornal, rádio ou emissora, e o diretor de redação colocava o que convinha ao proprietário. Resulta que a maioria da mídia, no caso dos canais de televisão os mais conhecidos, teve uma posição contrária aos manifestantes e, ao se colocar contra, fez o chamado circo midiático. Não expunham, não informavam nada sobre o falecido, não mostravam como notícia o irmão que morreu, boliviana ou boliviano. Tampouco faziam a cobertura sobre o manifestante ferido que estava neste ou naquele hospital, se esqueciam totalmente.

Os manifestantes vítimas foram invisibilizados.

Completamente invisibilizados. Quem vem conseguindo romper o cerco midiático atualmente é a imprensa internacional. A mídia nacional está tendo uma relação comercial, mercadológica, que informa à medida em que o meio de comunicação recebe publicidades do governo, censuras ou ameaças. As pessoas não compreendiam o que estava acontecendo e viam os trabalhadores, os jornalistas locais, como os inimigos. As lideranças sindicais, comunitárias, os dirigentes populares, pensavam que era o profissional de imprensa quem estava fazendo a censura, e por isso os agrediam, insultavam e batiam. Aqui houve uma desproporção, com as pessoas jogando sua raiva contra o trabalhador, que estava exposto, em vez de despejá-la contra a linha editorial do veículo, contra os proprietários que estavam tentando manipular abertamente a situação. E tiraram proveito, muito proveito, enquanto seus jornalistas eram feridos.

O que viu a delegação de ativistas de direitos humanos da Argentina?

Em primeiro lugar, os companheiros comprovaram que houve tortura e, sendo assim, não cabe enviar qualquer informe ao Estado boliviano, uma vez que ele está comprometido com tal prática, mas às Nações Unidas.

Em segundo lugar, foi comprovado que houve prisões arbitrárias de menores de idade, abuso de autoridade por parte dos militares e policiais que os jogaram no cárcere sem qualquer critério ou julgamento, violando direitos humanos.

E os centros de tortura?

Os quartéis viraram centros de tortura, da mesma forma que as delegacias de polícia. No caso das companheiras, conforme denunciado, houve não só ultraje da sua dignidade como estupro.

E temos massacres.

Ocorreram dois massacres: um em Cochabamba, Sakaba, e outro em El Alto, Senkata, violando os direitos humanos, como denunciamos, em um delito de lesa-humanidade. Quando comprovamos que houve um massacre, é preciso que sejamos atendidos por um órgão judicial interno, e caso não haja justiça, é preciso que sejamos atendidos pela CIDH.

Diante do terrorismo de Estado praticado pelo governo de Jeanine Áñez, uma delegação da ONU desembarcou em La Paz com um mandato. Há uma clara fascistização do poder. O que fazer?

Me reuni com as Nações Unidas, que sempre quando se deslocam vêm com um mandato. O presidente Evo Morales já havia solicitado sua presença, antes mesmo de partir para o exílio. O primeiro mandato era para a mediação e a pacificação. A mediação para que se reunissem os setores desencontrados e depois se conseguisse a pacificação. Então as Nações Unidas pleitearam que se estivesse a Igreja também. O resultado desta primeira ação, necessariamente, teria que ser a aprovação de uma lei para uma próxima eleição com uma convocatória, Tribunais Eleitorais, com sua regulamentação. A segunda ação seria arrecadar informações e denúncias sobre o desrespeito aos direitos humanos. E então fui convocado para fazer uma apreciação, assim como tu estás fazendo para o ComunicaSul, para dar uma visão de El Alto que não seja alinhada, que não seja parcial.

E qual a tua visão?

Que houve uma sistemática violação de direitos humanos, agressões desumanas e cruéis, que jornalistas foram impedidos de difundir informação e as pessoas foram barradas de receber. Vejo que estão sendo violados os direitos dos líderes sindicais e populares, dos parlamentares, até mesmo de se pronunciar, de criticar.

E há claramente a prática de dois pesos e duas medidas.

É evidente. Quando queimam residências de governadores do Movimento Ao Socialismo – Instrumento Político pela Soberania dos Povos (MAS-) não dizem que isso é vandalismo, terrorismo ou fascismo. Na prática estão agindo para perseguir, amedrontar e descabeçar quem se levanta para denunciar os atropelos.

Desta forma está agindo a OEA ao dizer que houve fraude nas eleições de 20 de outubro, desconhecendo todos os que reclamam seu justo direito frente a este golpe de Estado.

Se amanhã eu for a um meio de comunicação e disser que houve um golpe, exercendo o meu direito à livre opinião, automaticamente o ministro de Governo me acusará de sedicioso ou terrorista. Porém, se eu, David Inca, disser que o governo Evo não respeitou o voto e que por isso foi delinquente, me aplaudem. Por quê? Esse é o jogo que estão fazendo. Por isso, nós, como instituição de direitos humanos, sugerimos às organizações que não utilizem a palavra golpe de Estado para não entrarmos no jogo linguístico dos que estão agredindo os direitos humanos. Sugerimos que utilizem violação, que é muito mais amplo.

Mas é muito mais impreciso, porque estamos diante de um governo fascista.

Sim, mas o fato é que ele está nos proibindo um direito humano. Estamos tentando não cair na justificativa, no jogo, que eles querem nos empurrar para uma cela. Vivemos uma situação sui generis em que no campo interno todos os dirigentes estão sendo perseguidos e amedrontados, todos os jornalistas, todos os ativistas estão sendo ameaçados. As palavras que disseram e seguem repetindo todos os dias é sedição e terrorismo. Consolidaram o golpe de Estado à medida em que calaram quem poderia dar uma orientação contra os seus inúmeros atropelos aos direitos humanos. A população boliviana já se deu conta de que este governo quer aumentar seu prazo e que se porventura conseguisse não iria deixar ninguém tranquilo pelo exemplo que nos deixou de tratos desumanos e degradantes, de mortes, desaparições e torturas. Do dia 10 de novembro em diante, há uma mensagem clara que salta no imaginário coletivo povo, dos trabalhadores do campo e da cidade, de que se entra a direita, vai entrar matando. Foi deixada uma mensagem, a partir da prática concreta, de que a direita é o lado dos assassinos, dos torturadores e estupradores. E quem o diz não sou eu, é as Nações Unidas, a CIDH, a Anistia Internacional e a Unasul.

Neste contexto de conflitos, traições, perseguições e terror, qual o papel da solidariedade internacional?

Felizmente, a solidariedade internacional brotou com força, espontaneamente, do coração, respondendo à intensidade, ao grau da brutalidade com que seres humanos foram atacados, chegando a perder a vida. Porque se não houvesse este grau de violência, de menosprezo à vida, acredito que o apoio não teria se dado de maneira tão forte e tão ampla.

* Leonardo Wexell Severo é jornalista da Hora do Povo e integra o Coletivo de Comunicação Colaborativa ComunicaSul que está cobrindo a luta do povo boliviano com o apoio das seguintes entidades: Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé; Diálogos do Sul; SaibaMais; 6 três comunicação; Jaya Dharma Audiovisual; Fundação Perseu; Abramo; Fundação Mauricio Grabois; CTB; CUT; Adurn-Sindicato; Apeoesp; Contee; CNTE; Sinasefe-Natal; Sindicato dos Metalúrgicos de Guarulhos e Região; Sindsep-SP, Sinpro MG, Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, e Professores e Técnicos da Universidade da Integração Latino-Americana (Unila).

Na última quarta-feira (20/08), a Coalizão Direitos na Rede (CDR) participou de uma reunião com Júlio Semeghini, secretário executivo do Ministério da Ciência, Tecnologias, Inovações e Comunicações (MCTIC), em Brasília (DF), onde foram debatidas propostas em relação ao cenário de transformações no marco regulatório do setor de telecomunicações.

Por Coalizão Direitos na Rede

A CDR apresentou alternativas à proposta do governo de antecipar o fim das concessões de telefonia pública por meio de alteração na Lei Geral de Telecomunicações (LGT), e indicou quais, em seu entendimento, devem ser os critérios para o investimento do saldo das obrigações das concessões de telefonia fixa. Semeghini recebeu bem as demandas e mostrou disposição e interesse comum em garantir a universalização do acesso à internet, premissa essencial à cidadania como estabelece o Marco Civil da Internet.

A organização, no entanto, reivindica o arquivamento do Projeto de Lei da Câmara (PLC) 79/2016, o chamado “PL das Teles”. “A gente entende que esse projeto de lei não responde aos interesses públicos e responde apenas aos interesses privados de algumas grandes empresas. O secretário Semeghini se mostrou disposto a manter um diálogo frutífero no sentido de acelerar a universalização do acesso à internet, inclusive para as classes D e E”, relatou Marina Pita, associada do coletivo Intervozes, uma das mais de 30 entidades que compõe a Coalizão.

O PLC 79/2016 continua tramitando no Congresso Nacional, mas enfrenta questionamentos tanto da sociedade civil como do Tribunal de Contas da União (TCU). Uma das críticas é sobre a forma de cálculo de bens reversíveis — patrimônio púbico utilizado pelas empresas de telecomunicações pertencentes à União –, que o órgão avalia girar na casa de R$ 100 bilhões.

Para a Coalizão Direitos na Rede, é necessário discutir um novo marco regulatório para o setor, contanto que se leve em consideração a universalização do acesso à Internet. Como está, o PLC 79/2016 é insuficiente e não atende ao interesse público.

A entidade ainda expôs para o secretário do MCTIC a necessidade de que se avance nas iniciativas legislativas para a utilização dos recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (FUST), que poderia encampar a demanda da universalização da Internet.

Em época de perseguição a jornalistas, principalmente por meio de haters na internet, conhecer as boas práticas em segurança digital é um diferencial importante para qualquer profissional que use a rede como meio de trabalho.

Consciente dessa necessidade, a Associação Profissão Jornalista decidiu oferecer aos colegas, às colegas jornalistas e a quem mais se interessar a Oficina de Segurança Digital para Jornalistas.

Em 6 horas de aprendizado, com alguma teoria e muita prática, os participantes desenvolverão habilidades e boas práticas em segurança digital, receberão orientações sobre as melhores ferramentas para comunicação com parceiros – considerando riscos, alternativas e opções – e terão, ao final, maior compreensão sobre segurança e capacidade de adotar práticas que reduzam os riscos, táticas de defesa e o uso de ferramentas digitais.

Você entenderá o que é vigilantismo, coleta massiva de dados e terá uma melhor compreensão das comunicações digitais em geral. Conhecerá as ferramentas seguras para fazer o seu trabalho e traçar estratégias adequadas de segurança para sua navegação.

Responsáveis

Gabriela Nardy e Carla Jancz são as responsáveis pela oficina.

Gabriela Nardy é mestranda em antropologia pela Unicamp, pesquisadora sobre feminismos e movimentos sociais e suas relações com as diversas formas de tecnologias. Ela integra o MariaLab, coletivo hacker feminista.

Carla Jancz – voluntária no MariaLab – é formada em Segurança da Informação, trabalha com segurança digital para o terceiro setor e com treinamento em tecnologias livres, cultura maker, redes autônomas, cultura hacker e criptografia.

Quando?

27 de abril (sábado), das 9h às 16h30, com intervalo para almoço.

Onde

Na sede do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé (Rua Rego Freitas, 454, metrô República, em São Paulo).

Quanto?

A inscrição custa R$ 220,00, à vista ou em 3 parcelas, pelo PagSeguro*. Para associados(as) da Associação Profissão Jornalista (APJor), o valor é de R$ 160,00 à vista. Ou em 4 parcelas sem acréscimo.

Por quê?

Segundo Gabriela Nardy e Carla Jancz, “a internet já foi vista como um espaço democrático, em que todas e todos teriam espaço para falar livremente. Hoje em dia as redes sociais são ambientes onde nos conectamos, divulgamos, trabalhamos, aprendemos, mas também onde somos perseguidos, vigiados e ameaçados. Essa falta de segurança se torna ainda mais marcante com a ascensão de governos pouco democráticos, que perseguem e ameaçam principalmente jornalistas e ativistas de pautas progressistas”.

* Pelo PagSeguro é possível parcelar em até 12 vezes, sendo que a partir da 4ª. Parcela, os encargos financeiros ficam por conta do participante. 

________________

Não deixe de nos contatar, caso tenha interesse. Inscreva-se e o nosso setor de Atendimento fará o contato.

Outras informações em Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. ou (11) 99-916-1297 (Vivo e WhatsApp).

Programação completa https://bit.ly/2Oio4gl

Assista em tempo real ao Seminário Os desafios da comunicação nas administrações públicas, direto de Salvador, na Bahia. Serão dois dias (29 e 30 de novembro) de muita troca de ideias sobre as experiências e os desafios da comunicação nos governos progressistas, reunindo debatedores de peso de todo o país. Você pode acompanhar pelo Canal do Barão no YouTube (com reprodução em nosso site) ou direto na página do Barão no Facebook: facebook.com/baraomidia.

A cultura para a emancipação humana

• Célio Turino – ex-secretário de Cidadania Cultural do MinC;
• Ivana Bentes – diretora e professora da Escola de Comunicação da UFRJ;

- Coordenação da mesa: Mauro Lopes

Assista em tempo real ao Seminário Os desafios da comunicação nas administrações públicas, direto de Salvador, na Bahia. Serão dois dias (29 e 30 de novembro) de muita troca de ideias sobre as experiências e os desafios da comunicação nos governos progressistas, reunindo debatedores de peso de todo o país. Você pode acompanhar pelo Canal do Barão no YouTube (com reprodução em nosso site) ou direto na página do Barão no Facebook: facebook.com/baraomidia.

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• Ivana Bentes – diretora e professora da Escola de Comunicação da UFRJ;

- Coordenação da mesa: Mauro Lopes

O futebol das mulheres ganha o planeta como nunca antes em sua história

Grande dia!
Grande dia de verdade e não o externado pelo boçal que ocupa desastradamente o posto mais alto do executivo brasileiro.

Hoje é um grande dia porque tem início a oitava edição da Copa do Mundo de Futebol Feminino! A anfitriã França abre a competição diante da Coréia do Sul a partir das 16h00 – horário de Brasília – e além da ansiedade pelo ponta pé deste jogo temos muito o que comemorar em termos de visibilidade.

Por Lu Castro, especial para o Barão de Itararé

Há pouco mais de dez anos, assumi uma responsabilidade pessoal: utilizar a tecnologia em favor da visibilidade das mulheres que faziam a bola rolar pelos campos da cidade. Minha primeira busca foi no Juventus, formador por excelência, e sua técnica Magali.

O material, publicado no antigo portal OléOlé, já se perdeu, mas, de lá para cá, perda deixou de ser sinônimo de mulher dentro e fora das quatro linhas.

Avançamos. E os contatos com os principais agentes da modalidade se intensificaram. E espaços alternativos começaram a surgir com mais força na busca pelo tratamento igualitário do futebol de mulheres e homens – ao menos no que diz respeito ao que se noticia, inicialmente.

Observando a movimentação da imprensa nacional, noto um grande cuidado ao tratar do assunto, diferente de muitos outros anos. Acredito que esteja diretamente relacionado ao número de mulheres presentes em redações esportivas, algo que apontei como imprescindível para a melhora na comunicação do futebol de mulheres em mídias tradicionais.

Avançamos. E avançamos noutros tantos aspectos do futebol, inclusive na gestão, onde o trabalho realizado pela ex capitã da seleção, Aline Pellegrino, como diretora de futebol feminino da Federação Paulista de Futebol, tem ampliado os espaços para trabalhar as categorias de base.

Avançamos. A seleção brasileira tem uma estrutura que nunca teve. A seleção brasileira conta com uniforme próprio e não sobra do uniforme masculino. A seleção tem seus jogos transmitidos de modo inédito em tevê aberta de alcance nacional. A seleção só não tem uma coisa: técnico.

E isso, car@s, é algo que me preocupa tanto quanto me alegra: o fato de termos a Copa do Mundo mais noticiada de todos os tempos.

Diante de uma seleção nacional que caiu no ranking FIFA nos últimos anos, sob o comando de alguém que não tem perfil para comandar o selecionado nacional em nenhuma circunstância – e já o demonstrou em outras ocasiões - que carrega para a França nove derrotas consecutivas, minha expectativa é de termos que reforçar nosso discurso e argumentar como nunca que o que eles (os espectadores desconhecedores da realidade do futebol feminino) estão vendo não é bem isso.

Num momento, em que os olhos do mundo estão voltados para a amarelinha tão conceituada um dia, mostrar um jogo baseado apenas na garras das nossas habilidosas e talentosas atletas, tem sido o protagonista dos meus pesadelos.

Tudo o que lutamos para construir – atletas, gestores, comissões técnicas sérias, jornalistas interessados no assunto – pode sofrer um revés de opinião pública se o coletivo não estiver bem arrumado. E nós sabemos que não está.

Há poucas horas da abertura do mundial mais importante de todos os tempos, vou da euforia e ansiedade que mal me deixou dormir a testa constantemente franzida de preocupação.

Avancemos pois, nossas atletas se entregarão e é muito provável que nos jogos do Brasil o que avance é o nível da gengibrinha pra dar conta da montanha russa de emoções.

Uma mulher registra um boletim de ocorrência acusando um homem por estupro. Em depoimento, descreve que o parceiro teria ficado subitamente agressivo e usado da violência para praticar relação sexual sem seu consentimento. O laudo médico, anexado ao caso, apresenta sinais físicos de agressão e estresse pós-traumático. Em resposta, o homem acusado desmente a história publicamente, argumentando que o episódio não passou de “uma relação comum entre um homem e uma mulher”.

Por Mariana Pitasse, no Brasil de Fato

Esse poderia ser apenas mais um entre os cerca de 135 casos de estupro registrados por dia – que equivalem a cerca de 10% a 15% dos abusos que acontecem diariamente no Brasil, segundo levantamento do Atlas da Violência de 2018. Mas não é um episódio qualquer. O homem acusado é Neymar, um dos jogadores de futebol mais bem pagos do mundo. Por isso, o caso tomou as páginas dos jornais dentro e fora do Brasil nos últimos dias, com ampla repercussão nas redes sociais.

Após a denúncia registrada contra o jogador do Paris Saint-Germain na última sexta-feira (31), a acusadora foi exposta de diferentes formas – pela mídia comercial e pelo próprio Neymar. Para "sensibilizar" a opinião pública, o jogador postou um vídeo em suas contas do Instagram e do Facebook em que diz ser inocente. Ao tentar “comprovar” sua versão dos fatos, divulgou conversas que manteve com a mulher pelo Whatsapp, assim como fotos e vídeos íntimos da acusadora. A ação fez com que o jogador passasse a ser investigado também pelo vazamento de fotos íntimas.

A divulgação do conteúdo não foi um equívoco e, sim, uma escolha. Neymar preferiu cometer um crime virtual para tentar dialogar com pessoas que concordam com a ideia de que uma mulher que envia fotos íntimas pela internet é necessariamente "aproveitadora" e "interesseira".

O que está sendo ignorado nessa leitura rasa proposta pela defesa de Neymar é que a intimidade exposta para milhões de pessoas não diz nada sobre a acusação de estupro. Como lembra a antropóloga Débora Diniz, o que circula é a versão de um homem poderoso que se ancora em elementos do fascínio pelo sexo e na desqualificação fácil das mulheres vítimas de violência sexual. E essa é também a narrativa em que tem se amparado a cobertura da mídia comercial sobre o caso. Mesmo sem afirmar que estão assumindo uma posição, jornalistas passaram o recibo de que a acusadora está tentando se aproveitar do “menino” Neymar.

Entre as reportagens que tomaram conta do noticiário brasileiro nos últimos dias, a matéria Jornal Nacional – no dia seguinte à divulgação das conversas – foi a que mais repercutiu. Ela traz um panorama sobre o caso e ressalta o depoimento de um ex-advogado da mulher afirmando que o estupro não aconteceu. A reportagem também divulga o nome da nova advogada de defesa da mulher, ainda que ela não tenha dado autorização para isso, desrespeitando um princípio básico do jornalismo: a garantia de sigilo das fontes. Na mesma reportagem, sem mostrar as fotografias e vídeos do corpo da mulher, divulgados por Neymar, são expostas frases soltas da conversa em que o jogador aparece enredado em um jogo de sedução.

Em outra reportagem, desta vez publicada no Jornal de Brasília, a mulher tem a vida financeira e judicial revirada. O texto aponta que ela tem uma ação de despejo em seu nome, após três meses de aluguel atrasado, e que acumula dívidas. A reportagem também disponibiliza o nome completo da mulher e detalha suas contas a pagar.

A invasão de privacidade promovida por jornalistas com a justificativa de mostrar a “real versão dos fatos” não terminou por aí. Em reportagem publicada pelo jornal O Globo, a família da mulher é procurada e sua mãe é informada sobre o caso a partir da abordagem da repórter. Dias depois, uma matéria veiculada pelo portal UOL evidencia que o filho da mulher, de cinco anos, está sofrendo com chacotas na internet e na escola por conta da repercussão do caso.

Mais do que a intimidade revirada e exposta em fotos e vídeos íntimos e informações detalhadas sobre sua situação financeira, a mulher teve sua versão dos acontecimentos contestada a todo tempo, de forma pública, inclusive por seu ex-advogado. Mas isso não é levado em consideração, porque tudo parece legítimo quando a motivação é “dar o furo” de reportagem. Na lógica do jornalismo, é necessário apresentar respostas antes mesmo das investigações. Tudo isso com base na “isenção e na imparcialidade”, ainda que à serviço da versão do jogador milionário…

Neymar, por outro lado, segue a rotina de treinos, jogos e compromissos publicitários, blindado por seu estafe. A presença dele está confirmada no jogo amistoso do Brasil contra o Qatar nesta quarta-feira (5).

Paris Saint-Germain e Seleção Brasileira se esquivam de comentar o caso. Familiares e amigos se pronunciam publicamente garantindo que ele é inocente e vítima de uma armadilha. A preocupação maior parece vir dos patrocinadores: ao menos quatro das 10 marcas manifestaram incômodo com o caso, segundo levantamento da Folha.

Comprovada ou não a acusação, a sentença já está dada: a mulher é sempre a ponta vulnerável. Não à toa, segundo o Atlas da Violência, são cerca de 1300 estupros por dia no país – dos quais apenas 135 são notificados.

*Jornalista, editora do Brasil de Fato no Rio de Janeiro e doutoranda em Antropologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

Edição: Daniel Giovanaz