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O principal evento que antecedeu a Revolução Cubana de 1959 foi o assalto ao quartel Moncada, em Santiago de Cuba, em 26 de julho de 1953. A ação, liderada pelo então estudante Fidel Castro, tinha por objetivo conseguir armas para distribuir entre a população e iniciar uma ação para destituir o general Fulgência Batista. 

Os revoltosos foram presos e exilados, porém a ação serviu para a criação do Movimento 26 de Julho, um dos principais grupos que atuaram na Revolução Cubana, um dos atos de maior rebeldia na história da América Latina. 65 anos depois, o Movimento Paulista de Solidariedade a Cuba realiza um ato para comemorar o Dia Nacional da Rebeldia Cubana (como ficou conhecida a data em Cuba).

A atividade contará com a participação do escritor e jornalista Fernando Moraes (Blog Nocaute), do jornalista Altamiro Borges (Barão de Itararé) e da cônsul de Cuba em São Paulo, Nélida Hernández. Além disso, haverá apresentação musical de Jara Arraes, com longa carreira no Brasil, na banda Raízes de América e, atualmente, junto com Mayombe Afro-Cubano.

O que: Ato em comemoração ao 26 de julho - Dia Nacional da Rebeldia Cubana

Programação:

18h30 – Recepção com música ao vivo.
19h – Palestra com Fernando Moraes (Blog Nocaute), Altamiro Borges (Barão de Itararé) e Nélida Hernández (Consulado de Cuba em São Paulo).
20h30 – Apresentação de Jara Arraes (Raízes de América/Mayombe Afro-Cubano), com venda de bebidas e comidas cubanas.
Quando: 26 de julho. Às 18h30.
Onde: Auditório do Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo (SASP). Rua Araújo, 216, piso intermediário. República, São Paulo.

Evento gratuito.

Frente à posição do atual governo equatoriano, capitaneado por Lenín Moreno, o Fórum de Comunicação para a Integração de Nossa América (FCINA) publicou manifesto conclamando os movimentos populares e a rede de comunicação alternativa do continente a levantar voz contra os ataques direcionados a União de Nações Sul-Americanas (Unasul). Importante órgão institucional para a integração latino-americana, a Unasul está na mira de governos da região alinhados aos interesses do imperialismo, sobretudo, norte-americano. 

No começo de julho, o Lenin Moreno anunciou que "despejará" o organismo do prédio em que funciona, no Equador. Confira a nota na íntegra:

Unasul é soberania, Unasul é dos povos, Unasul é presente e futuro

O Fórum de Comunicação para a Integração de Nossa América (FCINA) faz um chamamento à população, às organizações e aos líderes da América do Sul a manifestarem-se enfaticamente em defesa da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e rechaçar ações e declarações unilaterais que ameaçam minar o avanço da integração regional que a Unasul encarna.

Por décadas, a integração tem sido uma aspiração dos povos e a Unasul tem contribuído a concretizá-la em termos institucionais.

Reconhecemos, junto à iniciativa de governos valentes, o papel de liderança que o Equador vem tendo em dar impulso a tal processo, criando condições para levar adiante a tarefa de ser sede do organismo, incluindo a doação de um edifício apto para atividades próprias de uma organização com tais características.

Por isso, expressamos nossa preocupação em relação ao anúncio do presidente equatoriano Lenin Moreno, que dilui a consistência exercida até agora pelo Equador a favor de uma diplomacia integradora, multilateral, independente e orientada pelo princípio da cooperação Sul-Sul.

A pretendida deslocalização da sede da Secretaria Geral da Unasul aponta à renúncia da responsabilidade assumida pelo Equador no que diz respeito à consolidação de um projeto histórico de unidade latino-americana.

O anúncio realizado ignora publicamente que a devolução do edifício, segundo o acordo firmado para a sua doação, só pode obedecer a três casualidades: que os países membros decidam mudar a sede do organismo; que o Equador o abandone; ou que os países membros decidam terminar o Tratado Constitutivo da Unasul.

Longe de favorecer uma renovaca concertação de seus integrantes para resolver o impasse político dentro da Unasul, a postura do governo equatoriano escancara a pressão a que governos como os de Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Peru e Paraguai submetem ao organismo para, de forma clara, forçar o continente a se realinhar com a esfera de influência estadunidense e seu braço executor "interamericano", a Organização dos Estados Americanos (OEA).

Desarticular um organismo como a Unasul, surgido da necessidade de somar potencialidades para falar com vóz própria no debate dsa nações do mundo, equivale a uma cessão de soberania e ao retorno da dependência geoestratégica.

Se equivoca quem crê que aumenta as possibilidades dos povos rastejando na esteira da corrente de nacionalismos divisionistas e prepotentes. A história mostra que as nações fortes surgiram do compromisso convergente de diversidades, buscando uma unidade superadora. Isso é o que representa a Unasul para a América do Sul e é essa, precisamente, a razão pela qual se tenta, agora, com argumentos secundários, desintegrá-la.

É falso que a Unasul não cumpra nenhuma função. Para além das incontáveis atividades desenvolvidas nos últimos quatro anos desde a Secretaria Geral em diversos países e na sede de La Mitad del Mundo, os 12 conselhos setoriais que estruturam a ação contínua do organismo tem alcançado múltiplas conquistas das quais é possível mencionar apenas um punhado.

Estruturas como o Centro de Estudos Estratégicos de Defena (CEED), o Instituto Sul-Americano de Governo em Saúde (ISAGS), uma estratégia comum para incidir na resolução do problema mundial das drogas, o Estudo Comparativo de Sistemas Educativos Sul-Americanos, o acompanhamento de missões eleitorais, os projetos de conectividade física e energética e infra-estrutura incluídos no Cosiplan ou o fortalecimento da coperação Sul-Sul são apenas algum deles.

A Unasul tem sido fundamental para a preservação da paz no continente, mediando permitir o diálogo e a resolução de conflitos. Ao mesmo tempo, a instituição tem sido importante, também, para evitar golpes de Estado contra governos legitimamente eleitos. Sem dúvidas, ser uma trincheira contra o belicismo e a intromissão estrangeira é outro dos principais motivos para as manobras destrutivas em contra da própria Unasul.

É totalmente falso que a Unasul seja uma burocracia estéril e onerosa para os membros. O seu orçamento anual, de apenas 9 milhões de dólares, é risível frente ao desembolso de juros de dívida que o povo custeia para benefício da banca internacional concentrada. Ademais, a Unasul permite articular capacidades existentes, conectando as diferentes áreas ministeriais e setoriais em um tecido sul-americano que potencializa a atividade do funcionariado local.

Quanto à dificuldade de não contar, desde janeiro de 2017, com um novo Secretário-Geral que goze de consenso entre os membros, trata-se de uma orientação clara de alguns paíseis dirigida a cercear a República Bolivariana da Venezuela, país irmão e membro, algo que é completamente inadmissível e estranho a qualquer proceder de diplomacia integradora.

É imprescindível voltar a convergir ao propósito da Unasul: ser um âmbito de concertação de políticas regionais independentes, a favor da ampliação dos direitos e da melhora da qualidade de vida de suas populações.

É óbvio que somente a pressão popular será capaz de reconduzir a América do Sul por um caminho de justiça social e liberdades compartilhadas, pelo que, junto aos movimentos sociais, as coordenações continentais e as redes de comunicação que confluem em nosso Fórum, exortamos, uma vez mais, a cidadania a mobilizar-se em defesa da Unasul. Uma construção regional que, certamente, é de todos nós.

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O FCINA é uma iniciativa de redes e meios de comunicação e movimentos sociais comprometidos com a integração dos povos da América Latina e do Caribe.

Mais informação: http://integracion-lac.info

E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Curta a página: https://www.facebook.com/comunicacion.para.la.integracion/

Tradução da nota por Felipe Bianchi

Inacreditável, impensável, surpreendente, fantástico! E vai botando adjetivo aí para descrever o que aconteceu na noite desta terça-feira (29) na Câmara dos Deputados: a aprovação, POR UNANIMIDADE, do Projeto de Lei de Proteção de Dados Pessoais. A proposta ainda não é lei, primeiro precisa passar pelo Senado e seguir os trâmites legislativos, mas a vitória nesta primeira fase já é motivo de muita comemoração.

Por Renata Mielli, em sua coluna na Mídia Ninja

Afinal, numa economia cada vez mais baseada na comercialização dos dados pessoais coletados pela internet, é um direito fundamental proteger a privacidade e garantir que cada pessoa decida se ela quer ou não ter seus dados coletados; se ela autoriza ou não o tratamento de seus dados; se sim para quê, por quem, em que condições e por quanto tempo.

Os deputados votaram e aprovaram o relatório apresentado na forma de substitutivo pelo relator, o deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP), ao PL 4060/2012 e que tinha apensados outros dois projetos, o 5276/2016 e o 6291/2016.

O deputado se debruçou principalmente sobre o projeto 5276, que foi um dos últimos encaminhados ao Congresso pela ex-presidenta Dilma Rousseff. Elaborado em paralelo e na mesma plataforma do Marco Civil da Internet, o projeto de Proteção de Dados Pessoais também contou na sua fase de elaboração com ampla participação social, na forma de mais de 2 mil contribuições por plataforma de consulta na internet. Quando chegou à Câmara, uma subcomissão especial foi criada para debater o tema. Dezenas de audiências públicas, seminários e reuniões foram promovidas por esta comissão nos últimos dois anos.

Seus dados são você!

O debate internacional sobre proteção de dados pessoais, em particular na era digital, tem sido objeto de preocupação de organismos de direitos humanos, estados e organizações sociais de todo o mundo.

Muitos países já possuem legislação específica sobre o tema e, os que não possuem, estão tratando de construir uma. Principalmente a partir da entrada em vigor do Regulamento Geral de Proteção de Dados (na sigla em inglês GDPR) no dia 25 de maio, cujo objetivo é “harmonizar as leis de dados por toda a Europa e empoderar a privacidade de todos os cidadãos, além de reorganizar a maneira como as companhias lidam com dados privados”.

Grifo o termo empoderar, não porque é uma palavra que anda na moda, mas porque neste caso específico tem um conteúdo fundamental: as pessoas desconhecem o funcionamento das aplicações e plataformas da internet, não sabem como elas coletam os dados, como tratam e usam. A relação entre as pessoas e essas “empresas digitais” é de hipossuficiência, porque nós, usuários, não temos na prática muita escolha ou poder sobre a prática destas empresas. Na esmagadora maioria das vezes, somos levados a aceitar os termos de uso e a política de privacidade, sob pena de não podermos usar os serviços. Por tudo isso e muito mais é que precisamos nos empoderar e esse empoderamento passa necessariamente pelo papel do Estado em regular, fiscalizar e quando for o caso, punir quem usar dados pessoais sem conhecimento e consentimento do titular, ou fazê-lo de forma abusiva e com propósitos diferentes dos permitidos.

Neste sentido, o projeto aprovado pela Câmara é muito positivo. Primeiro porque define os conceitos de forma bem específica, sem deixar margens para interpretações muito amplas do mercado para a definição de dados pessoais, sensíveis e anônimos. O projeto, também, é muito explícito sobre os direitos dos titulares sobre seus dados e sobre as formas de consentimento para a coleta e tratamento dos dados, exigindo que este seja feito de forma livre, informada e inequívoca e específica, ou seja, para determinadas finalidades.

Além disso, define as responsabilidades das empresas e inclusive as sanções nos casos de uso indevido. Estabelece regras para a transferência internacional de dados, faz distinção para tornar ainda mais rigoroso o uso de dados sensíveis (os que dizem respeito à raça, etnia, religião, posição política, dados de saúde, etc).

O relatório avança, ao incluir um capítulo para proteção de dados de crianças e adolescentes, que não estavam especificados nos projetos originais e, também, ao incluir no rol de regras de proteção dos dados pessoais, aqueles coletados e tratados pelos órgãos do Poder Público.

Para garantir a aplicabilidade da lei, o relatório apresentado detalha a criação, conforme já proposto no PL 5276/2016 do Executivo, de uma autoridade nacional de proteção de dados de caráter regulatório para acompanhar e fiscalizar a aplicação da lei.

Para chegar na redação final, houve muito diálogo e pressão da sociedade. E, aqui, cabe o registro essencial para o conjunto de organizações que integram a Coalizão Direitos na Rede. São entidades e ativistas das mais variadas áreas que se articularam para discutir temas de direitos na Internet e que priorizaram o trabalho em torno do projeto de dados pessoais. Entidades que atuam na luta pela democratização da comunicação, como o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), o Intervozes, o Barão de Itararé, a Artigo 19, entidades do direito do consumidor como Proteste e Idec, entidades específicas de luta em defesa dos direitos humanos na internet, como Coding Rights, Actantes, Coletivo Digital, Movimento Mega Não, Instituto Beta, Internet Sem Fronteiras, coletivos de especialistas, universidades e grupos de pesquisa, como o Instituto Tecnologia e Sociedade (ITS-Rio), a Rede latina-americana de Estudos sobre Vigilância, Tecnologia e Sociedade (Lavits), Grupo de Estudos em Direito, Tecnologia e Inovação do Mackenzie, Coolab, entre muitas outras, que já me desculpo por não citar aqui mas que podem ser acessadas no site da Coalizão.

Ter conquistado essa vitória na atual situação do Brasil é um grande feito! Afinal, desde o golpe que depôs uma presidente legitimamente eleita, impôs uma política econômica neoliberal de desmonte do Estado, da soberania e dos direitos sociais, e que atacou como há muito não se via a liberdade de expressão e direitos humanos fundamentais — como a própria vida — a sociedade brasileira não tem tido muito o que comemorar em termos de conquistas. Impedimos a aprovação da Reforma da Previdência, talvez a vitória mais emblemática contra as forças conservadoras, mas essa foi uma vitória no campo da resistência para barrar retrocessos. Já, a aprovação do PL de Dados está no rol de uma conquista nova, fruto da mobilização do movimento social.

Conseguimos com a nossa persistência e unidade aprovar um projeto equilibrado, protetivo, baseado em direitos fundamentais, entre os quais a liberdade de expressão e que, agora, passará por nova fase de debate, no Senado Federal. Devemos seguir firmes e unidos, porque assim podemos derrotar o golpe e alcançar novas conquistas!

Coalizão Direitos na Rede

Foi tão rápido que todo mundo ficou perdido. Mas é isso: o Projeto de Lei nº 4060/2012 foi aprovado ontem pela Câmara dos Deputados. 

Mas pera, qual? Esse é bom, é ruim? Que?

Explicamos. 

Existem dois PLs de dados pessoais correndo hoje no Congresso Nacional: o nº 4060/2012, da Câmara, e o nº 330/2013, do Senado. 

Desde março, os dois entraram em uma espécie de corrida para ver qual seria aprovado primeiro. O primeiro motivo é de contexto: o caso Cambridge Analytica, a pressão da sociedade civil contra o cadastro positivo e a necessidade de uma legislação sobre dados pessoais para a entrada do Brasil na OCDE deram gás na discussão. O segundo motivo é processual: a primeira casa legislativa a aprovar a lei é também a que pode dar a "última palavra" sobre seu conteúdo, o que dá maior controle sobre o texto final. 

Esse cenário levou o governo a acelerar a discussão e negociar a elaboração do texto da Lei com o Senado - por isso o PLS 330/2013 trazia exceções ao Poder Público, criticadas publicamente pela Coalizão Direitos na Rede em nota. 

A princípio, o PL do Senado estava na frente da corrida. O texto final ainda não estava público, mas a votação estava prevista para ontem à tarde, por conta de requerimento que aprovou sua tramitação em regime de urgência. 
Mas ontem à noite, o jogo virou. 

O Senado encerrou a sessão deliberativa mais cedo que o previsto e, nesse meio tempo, foi iniciada sessão extraordinária na Câmara, para análise do substitutivo do deputado Orlando Silva. Ciente das movimentações do Senado, ele também apresentou requerimento de urgência e costurou a aprovação do texto com diferentes partidos e setores interessados. 

Com isso, o PL da Câmara passou na frente e ganhou a corrida: foi aprovado, ontem à noite, por consenso! 

Certamente, a votação de ontem foi uma vitória para a sociedade civil e para a Coalizão Direitos na Rede. O texto é muito mais avançado que o do Senado: não prevê exceções ao Poder Público, tem uma melhor definição de legítimo interesse e um regime adequado de responsabilidade civil. Mas, claro, ainda há o que melhorar – em breve divulgaremos análise do conteúdo final 

Agora o Projeto seguirá para o Senado, onde pode sofrer novas modificações. Seguiremos acompanhando esse processo. 

#SeuDadosSãoVocê

Símbolo da luta pela democracia e contra as desigualdades no Brasil, Waldir Pires e sua trajetória serão tema de debate na terça-feira, 31 de julho, a partir das 19h, em São Paulo. Por ocasião do lançamento do livro Waldir Pires: Biografia Vol. 1, de Emiliano José, o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé promove debate com as presenças do autor da obra, do jornalista Bob Fernandes, do deputado federal Paulo Teixeira, além de Isabel dos Anjos Leandro (Fundação Perseu Abramo) e Renata Mielli (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação).

A entrada é gratuita. Para garantir seu lugar, basta preencher o formulário de inscrições aqui.

A Fundação Perseu Abramo transmite ao vivo, com reprodução na página do Barão de Itararé (www.facebook.com/baraomidia).

Falecido no dia 22 de junho de 2018, aos 91 anos, Waldir Pires chegou a participar do lançamento do livro em Salvador, oito dias antes de sofrer uma parada cardiorrespiratória. Seu legado, entretanto, segue vivo - o "primeiro tempo" de sua contribuição à luta política no Brasil é contado neste primeiro volume da biografia, assinada pelo jornalista Emiliano José, outro grande militante baiano. Nesta parte da publicação, que será lançada em São Paulo no dia 31 de julho, é dado destaque à formação intelectual e política de Waldir Pires, além de sua participação no governo João Goulart, o exílio no exterior - em abril de 1964, Pires embarcou em um monomotor, em Brasília, ao lado de Darcy Ribeiro, rumo ao Uruguai, de onde seguiu para a França - e o retorno ao Brasil em 1970.

Em reportagem publicada pela CartaCapital, Emiliano José declarou que "Waldir era um democrata inamovível, convicto, mas nunca deixou de entender que ela só faria completo sentido se estivesse a serviço do combate à desigualdade". O biógrafo também falou sobre vitórias eleitorais de Pires e seu papel na denúncia do golpe de 2016.

Faça a sua inscrição gratuita para o debate: https://doity.com.br/waldir-pires

Repleto de episódios absurdos e surreais, o episódio que culminou no impeachment da presidenta democraticamente eleita Dilma Rousseff virou obra de cinema e está em cartaz, no país, desde o dia 17 de maio. Trata-se do documentário O Processo, dirigido por Maria Augusta Ramos. A cineasta esteve no Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé nesta terça-feira (12) e teve a oportunidade de dialogar sobre o filme com o público presente.

Por Felipe Bianchi

“Um grupo de amigos juristas e progressistas me estimularam a filmar o que estava acontecendo no Planalto. Fui para Brasília - onde nasci e fui criada - de repente, faltando oito dias para a votação do impeachment na Câmara dos Deputados, registrar o que estava ocorrendo”, conta a cineasta.

Com o plano inicial de passar duas semanas na capital federal, Guta Ramos acabou prolongando a visita. Esperançosa de que o Parlamento pudesse rechaçar a admissibilidade da denúncia contra Dilma Rousseff, a cineasta relata ter se dado conta, após aquela votação, de que dali poderia sair um enredo de grandes dimensões.

“Sabemos que aconteceram mil e um fatos na trajetória do impeachment, que podem ser abordados de diversas maneiras”, diz Guta. “Eu optei por focar no processo jurídico e político, no 'teatro' da Justiça e da política”, argumenta. Ela deixa claro: o termo teatro, aqui, não é empregado em um sentido pejorativo.

A perspectiva escolhida pela cineasta não foi ao acaso, mas sim uma sequência lógica do trabalho que desenvolve no cinema há anos. “Todos os documentários que fiz lidam com o conceito de Justiça, tanto do ponto de vista dos operadores da lei, quanto do ponto de vista da comunidade e dos cidadãos, das relações que se dão através do ‘teatro’ da Justiça”, conta Guta. Dentre os trabalhos citados por ela estão o filme Justiça (2004), sobre varas criminais do Rio de Janeiro; Juízo (2008), sobre menores infratores; e Morro dos Prazeres (2013), que retrata a ocupação de uma Unidade de Polícial Pacificadora (UPP) na comunidade de Santa Teresa, também no Rio.

“Como sempre em meu trabalho, não uso entrevistas e nem comentários. É assim que faço documentário. Proponho a descoberta de um universo através de personagens e protagonistas”, explica Guta Ramos. Segundo ela, os personagens da obra são pessoas reais que se tornam protagonistas, como Gleisi Hoffmann, Janaína Paschoal, José Eduardo Cardozo... “Somos guiados através desse universo por esses protagonistas. Chamo de cinema reflexivo”, sublinha.

Não é que o cinema seja isento, pondera a cineasta. “Não existe cinema, nem jornalismo e nem fotografia isentos”, já que sempre há um conjunto de valores e ideias embutidos, mas no caso do cinema reflexivo, Guta aposta que o filme vá além de sua visão como indivíduo. “Por paradoxal que possa parecer, eu sei que os espectadores verão coisas que eu jamais imaginaria. Mas claro que cada corte é uma escolha, cada fala é uma escolha, tudo é intencional”.

Para se ter ideia, O Processo foi filmado com apenas uma câmera, com exceção das imagens feitas no Plenário da Câmara, quando foram utilizadas duas câmeras. A cineasta trabalhou com cerca de 450 horas de filmagem para chegar ao resultado final.

Reação da mídia e prêmios internacionais

Ao contrário do que parte da esquerda brasileira pensa, Guta Ramos considera ser uma ilusão achar que a opinião pública internacional tem clareza do golpe em curso no Brasil. De acordo com a cineasta, a maioria das pessoas ficam boquiabertas com a dimensão do que ocorreu. “Tem, sim, gente lá fora denunciando, mas boa parte da opinião pública acha que foi um simples processo de impeachment. As pessoas ficam completamente surpresas”, diz.

Na avaliação dela, a reação das pessoas no exterior é diferente da nossa pelo fato de não terem vivido de forma tão intensa esse processo todo. “Nós tivemos uma relação muito emocional. As pessoas choram, interagem, batem palma”, diz. Mas no exterior, revela, tem sido comum momentos de aplausos.

O filme foi aclamado no consagrado Festival de Berlim, além de ter conquistado o prêmio de melhor longa-metragem no Festival Documenta Madri, na Espanha, e escolhido como melhor longa-metragem tanto pelo público quanto pelo júri do festival IndieLisboa, em Portugal, além de aplausos na Suíça e no Canadá. “As pessoas podem não ter vivido isso tudo, mas compreendem muito bem o que está sendo retratado, o que se passou, quem é quem na história”.

Com forte teor kafkiano, na opinião da própria diretora, a identificação do público estrangeiro com O Processo se dá, também, pela universalidade do que ela chama “teatro” da política: “Existem Janaínas Paschoais no Brasil, mas existem Trumps lá fora. Existe uma extrema-direita em ascensão. Fui exibir o filme na França e havia uma greve gigantesca contra a reforma trabalhista de Emmanuel Macron. É um filme atual, que se relaciona com essa universalidade da política”.

O fato de ter recebido premiações internacionais, na visão de Guta Ramos, mostra que o filme não é panfletário, mas um filme bom como cinema. “Não é um filme feito só para denunciar, mas para retratar e refletir sobre o tema”, diz.

Sobre a crítica feita pela mídia tradicional brasileira, um dos principais formuladores do golpe contra Dilma Rousseff, a cineasta diz que não está sendo tão negativo como alguns poderiam esperar. “A crítica até que foi boa. Algumas positivas, outras nem tanto. Cada um com sua opinião, eu respeito”, diz. “Mas teve gente que disse que o filme é monótono. Monótono pra quem? Teve, também, gente dizendo que o filme é tendencioso… Ora, e a mídia não é tendenciosa?”.

Quanto às acusações de que o filme teria lado ou levantar bandeiras, Guta esclarece que a mídia inteira estava presente na Câmara durante o impeachment, mas muitos parlamentares questionavam apenas a presença da equipe do documentário. “Fora as insinuações e suposições de que estávamos sendo pagos, estávamos enviesados… Eu pedi acesso aos bastidores da esquerda e da direita. A esquerda me deu acesso. Os assessores jurídicos das lideranças de esquerda já conheciam meus filmes”.

Por fim, a cineasta reforçou a importância de que o filme seja um sucesso nas salas de cinema como forma de fortalecer esse tipo de produção. “É importante que resgatemos espaços de cinema no Brasil. É difícil emplacar filmes no cinema. Há, inclusive, poucos cinemas no país. Quanto mais gente for ver, mais tempo o filme fica. O público tem que ir ao cinema e isso, por si só, tem muito peso político. É importante que haja esse esforço para que o filme seja assistido no cinema e, quando não for possível, que utilizemos a Internet e outras plataformas para disseminá-lo”.

Núcleo de Cultura

A atividade marcou o lançamento oficial do Núcleo de Cultura do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé. A proposta do Núcleo é realizar debates, diálogos e atividades relacionadas ao mundo das artes em intersecção com temas como a mídia e a política.

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O coletivo "Futebol, Mídia e Democracia" lançou uma nota de repúdio à medida adotada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro em parceria com o Gepe e o consórcio Maracanã que implantaram um setor de 2 mil lugares para as torcidas organizadas. Um setor cercado de grades que mais parece uma prisão para isolar todas as torcidas do resto dos torcedores "comuns".

Confira a nota e abaixo as torcidas, movimentos, coletivos e demais entidades que assinam o documento:

Não seremos enjaulados!

Em nota, viemos aqui dar um recado a respeito da decisão de isolar torcidas organizadas nos estádios do Rio de Janeiro.

Essa medida absurda começa com um cadastro realizado junto ao MP/RJ e o Grupamento Especial de Policiamento em Estádios (GEPE, da PM do Rio), onde ambos definem e aceitam, ou não, o que é uma torcida. Isso passa por diversas exigências para se colocar apenas uma bandeira no estádio, e culmina agora em um setor do Maracanã para as organizadas. Um setor isolado, cercado de grades, igual a um presídio.

Já está muito claro que essas medidas são na verdade higienistas: “limpam” os estádios, segregam os pobres e vão elitizando cada vez mais nossos espaços populares. Nenhuma medida dessas, acima citadas, resolve a questão da violência. Pelo contrário: por marginalizar os torcedores, é criado um ambiente hostil que, obviamente, aumenta a violência.

As brigas continuam, as pessoas continuam morrendo, a impunidade continua, os preços dos ingressos só aumentam, as tensões nos estádios nunca foram tão grandes, porque nunca foi tão difícil torcer; e até hoje, não se sabe de um só policial preso por abuso de autoridade nos estádios, e sabemos que isso ocorre aos montes. Mas preferem fechar os olhos e nos enjaular.

A violência se agravará, mais pessoas serão excluídas, e qualquer lembrança de um Maracanã popular acaba de vez. Agora o teatro está concluído: se antes nos comercializavam com vídeos de nossas festas e músicas, agora somos descartáveis. A prioridade são setores mais caros nos estádios, atraindo um público ainda mais elitizado, apático e frio. A burocratização da festa prejudica o espetáculo, é mais uma etapa da criminalização da cultura torcedora.

Ao invés de segregação, propomos que os governos, Ministério Público, Polícia Militar e outros agentes que organizam o futebol dialoguem e debatam com os torcedores, para construir em conjunto um planejamento que melhore a segurança e a organização dos jogos sem violar direitos, sem reprimir e sem atacar a cultura de festa dos torcedores brasileiros.

Torcer não é crime, nem o torcedor é um bandido!

Não aceitaremos calados sem luta! Não seremos enjaulados! Liberdade para as torcidas e para os torcedores! O futebol é do povo!

#LiberdadePraTorcer

Assinam esta nota:

TORCIDAS E ENTIDADES

Anatorg (Associação Nacional de Torcidas Organizadas)
Associação Avante Fantasma (Operário Ferroviário/PR)
Associação Esportiva Araguaia
Avante Santa Cruz - Portão 10 (Santa Cruz/PE)
B16 - Bangu Antifascista
Brava Ilha - Saída 3 (Sport/PE)
Brigada Marighella (Esporte Clube Vitória/BA)
Brigada Popular Alvirrubra (Náutico/PE)
Castores da Guilherme (Bangu/RJ)
Centro Acadêmico Caio Júnior - Futebol - Faculdade Carlos Drummond de Andrade (SP)
Coletivo Democracia Corinthiana
Coletivo Democracia SantaCruzense (Santa Cruz/PE)
Coletivo Dino Colli (Operário Ferroviário/PR)
Coletivo Futebol, Mídia e Democracia
Coletivo INTERfeminista (Internacional/RS)
Comando Rasta do Cruzeiro
Coral Antifa (Santa Cruz/PE)
Esquerda Botafoguense (Botafogo/RJ)
Feminino Portão 7 (Internacional/RS)
FFC - Força Feminina Colorada (Internacional/RS)
Flamengo Antifascista
Frente Esquadrão Popular (Esporte Clube Bahia/BA)
Frente Vitória Popular (Esporte Clube Vitória/BA)
Grêmio Antifascista
Grêmio Recreativo Torcida Organizada Máfia Azul (Cruzeiro/MG)
Inter Antifascista (Internacional/RS)
Leões de Sampa (Sport/PE)
Máfia Azul - Comando Guerreiro do Eldorado
Meca Antifa (América/PE)
Movimento Coralinas (Santa Cruz/PE)
Movimento Popular Coral (Santa Cruz/PE)
Mulheres de Arquibancada
Ocupa Palestra (Palmeiras/SP)
O Povo do Clube (Internacional/RS)
Palmeiras Antifascista
Punk Santista (Santos/SP)
Resistência Azul Popular (Cruzeiro/MG)
Setor 2 (Juventus/SP)
Teóricos do Futebol
Torcida Alcoolizada Cachazeiros (Cruzeiro/MG)
Torcidas Antifas Unidas
Torcida Antifascista Sport
Torcida Bolche FLA (Flamengo/RJ)
Torcida Independente Garra Tricolor (Esporte Clube Bahia/BA)
Torcida Jovem Fanáutico (Náutico/PE)
Torcida Organizada Bamor (Esporte Clube Bahia/BA)
Torcida Uniformizada Garra Alvinegra (Americano/RJ)
Torcida Organizada Raça Coral (Santa Cruz/PE)
Torcida Pavilhão Independente (Cruzeiro/MG)
Torcida Santos Chopp (Santos/SP)
Torcida Trem Fantasma (Operário Ferroviário/PR)
Torcida Uniformizada do Palmeiras - TUP
Torcida Tulipas Vascaínas (Vasco/RJ)
Tribuna 77 - GFBPA (Grêmio/RS)
Turma do Chico Leone - 515 (Palmeiras/SP)

INDIVIDUAIS:

Anizio Silva (@tuitdosantinha)
Lu Castro - Jornalista
Marcelo Moisés - Presidente da TUP (Torcida Uniformizada do Palmeiras)
Maria da Penha - Ex-presidente da Torcida Organizada Tulipas Vascaínas

En respuesta a la ofensiva del gobierno de Mauricio Macri, en Argentina, que pretende tranformar los clubes de fútbol en sociedades anónimas deportivas (SAD), hinchas argentinos están dejando de lado la rivalidad para resistir al inminente ataque contra el fútbol local. En solidaridad a la lucha de los hinchas del país hermano, aglutinados en la Coordinadora de Hinchas, el Coletivo Futebol Mídia e Democracía y diversas organizaciones publican nota este lunes 9 fortaleciendo el movimiento de protesta de los vecinos y recordando que la ofensiva contra el fútbol democrático y popular no es exclusividad de un solo lado de la frontera.

Lea la nota integra abajo o haga click para la versión en portugués:

NOTA DE APOYO DE LOS HINCHAS BRASILEROS A LOS HINCHAS ARGENTINOS

“NO A LAS SAD!”

Parte de un efervecente movimiento de hinchas, activistas, comunicadores sociales y militantes en lucha por un fútbol más democrático y popular en Brasil, nos solidarizamos con la lucha correspondiente de nuestros hermanos argentinos aglutinados en torno a la Coordinadora de Hinchas.

Concientes de la grave amenaza del entendimiento del futbol como patrimonio cultural de nuestros pueblos, manifestamos nuestro absoluto repudio a la propuesta de transformar los clubes de futbol en sociedades anónimas deportivas (SAD). Para nosotros la envestida mercantilista en curso en Argentina usa armas diferentes, pero tiene el mismo objetivo que combatimos en Brasil: la extinción de la cultura del tablón, la exclusión de los pobres de las canchas, la manutención y ampliación del poder de los dueños del deporte mas popular de nuestros países, además de la reducción de uno de los elementos culturales mas importantes de nuestro continente en un producto meramente mercantilista, mediático y estéril.

Para nosotros, el proyecto en curso en Argentina no puede ser comprendido como un hecho aislado. Se trata de una ficha mas en el tablero que atenta contra nuestro fútbol. En este escenario, creemos que es indisociable del proyecto en curso en Argentina, el proceso de elitización de las tribunas vigente en Brasil a través de entradas caras y cada vez mas inaccesibles para los ciudadanos de más bajo sueldo; el poder sin limites de dirigentes de las instituciones que mandan en el fútbol a nivel nacional y continental; y la actuación de los monopolios mediáticos, que atropellan a los hinchas, a la sociedad civil organizada y a la democracia con sus intereses económicos y de clase.

Pero además de nuestro esfuerzo actual, emprendido en la campaña “Ingresso Caro Não! [No a las entradas caras]”, una pauta urgente para los hinchas de todos los clubes brasileros, también alertamos que hay en curso un proyecto real de transformación de nuestros clubes en empresas, retomando los objetivos de la fracasada “ley Pelé” (1998). La amenaza de transformación de los clubes brasileros en empresas también es real.

Saludamos el esfuerzo de los hinchas del país vecino en sobreponer la importancia de esas luchas por encima de la rivalidad entre clubes, tarea difícil, que exige maduración y que también estamos enfrentando en Brasil. Así como nuestra resistencia abraza todas las banderas, ella también debe transcender fronteras.

Firman abajo las organizaciones de hinchadas brasileras que luchan por la democracia en nuestros clubes y nuestras tribunas.

Fútbol, Fiesta Popular!

Firman:

Coletivo Futebol, Mídia e Democracia

Coletivo Democracia Corinthiana - SC Corinthians P

Coletivo Democracia Santacruzense - Santa Cruz FC

Frente Vitória Popular - EC Vitória

Flamengo da Gente - CR Flamengo

Movimento Clube do Povo - ABC Futebol Clube

Massa e Raça 88 - EC Bahia

Movimento Ocupa Palestra - SE Palmeiras

Resistência Azul Popular - Cruzeiro EC

O Povo do Clube - SC Internacional

Associação Nacional das Torcidas Organizadas (Anatorg)


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