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#CalarJamais

calarjamais

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Em relação à medida anunciada por Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Peru de suspender suas participações em atividades convocadas pela Unasul enquanto não se eleja um novo Secretário Geral e se normalizem alguns aspectos administrativos, o Fórum de Comunicação para a Integração de Nossa América (FCINA) se manifesta instando esses países a reconsiderarem a medida. O FCINA é uma articulação que agrupa redes, meios de comunicação e movimentos sociais comprometidos com a integração dos povos da América Latina e do Caribe. Confira o comunicado:

Pela reconstrução de uma região unida, soberana e solidária, defendamos a Unasul!

O Fórum de Comunicação para a Integração de Nossa América (FCINA) lamenta profundamente a postura dos países que anunciaram a suspensão de suas atividades na Unasul.

Os termos do comunicado publicado são coercitivos, próprios de um “ultimato”, atitude que de modo algum coincide com o espírito de consenso que prevaleceu na Unasul desde sua fundação.

Esta decisão não facilita o renova impulso ao organismo anunciado pela nova presidência pro témpore da Bolívia, mediante um diálogo que pretende aproximar posturar diversas.

As nações da América do Sul conseguiram consolidar, no transcurso dos últimos 11 anos, um organismo de ação coletiva eficas, que não somente funciona em um nível declaratório, mas que também executa, através de seus Conselhos e sua estrutura permanente, múltiplas ações úteis ao bem-estar humano nas áreas de infraestrutura, conectividade, saúde, democracia e defesa coletiva, entre outras.

Também é destacável a premissa da Cidadania Sul-Americana, aprovada em 2016, que a atual presidência pró tempore indica como uma das prioridades em sua gestão.

A Unasul foi e é a garantia de paz para a América do Sul. A Unasl foi e é resguardo da vontade soberana de seus povos. A Unasul foi e é a possibilidade de unir potencialidades para construir um destino comum mais justo.

A necessidade de que uma personalidade à altura do cargo ocupe a Secretaria Geral deveria ser fonte de esforços renovados para alcançar um acordo aceitável para todas as nações membros, não para ser a justificativa de uma paralisação ou suspensão das atividades.

Exortamos aos governos de Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Paraguai e Peru a reconsiderar esta posição que não condiz com os princípios de diálogo e unidade na diversidade consignados nos estatutos que regem a Unasul.

Nosso Fórum faz um chamado às organizações populares, aos movimentos sociais, aos cidadãos amantes da Pátria Grande a manifestarem-se com firmeza diante deste passo atrás na construção de uma região unida, soberana e solidária.

Fórum de Comunicação para a Integração de Nossa América

www.integracion-lac.info

Twitter: @integracionlac

Página do Facebook: Comunicación para la Integración

Nossa América no espelho do Brasil: Lula livre, por um Brasil democrático e pela América Latina e o Caribe soberanos!

Os olhos de todo o continente estão colocados sobre o Brasil. E olhando para o Brasil, os povos da América Latina e do Caribe estão olhando para o próprio espelho.

Logo após o golpe parlamentar contra a presidenta Dilma Rousseff, o assassinato de líderes sociais e políticos e a militarização do Rio de Janeiro, os últimos pilares democráticos estão sendo violentados no Brasil. Lula não somente lidera a intenção de voto, como representa as esperanças populares para as próximas eleições. Por isso e por seu governo amplamente favorável aos mais desprotegidos, o condenam sem provas e pretendem prescrevê-lo de fato, encarcelando antes mesmo de se esgotarem todas as suas garantias constitucionais.

Ante esta violação de direitos políticos, ante o flagrante retrocesso social das políticas de um governo ilegítimo, ante a grosseira manipulação exercida pelos meios concentrados - em especial os do grupo Globo - o Fórum de Comunicação para a Integração de Nossa América (FCINA) expressa seu decidido rechaço à evidente deterioração democrática no Brasil.

Uma particular preocupação que expressamos é a aberta ameaça de setores militares golpistas, que não apenas nos remetem à épocas nefastas de profunda dor e violência armada, como também constituem um funesto precedente a partir do qual poderia insuflar outros setores semelhantes em distintos pontos de nossa região.

Com o intuito de ecoar o clamor de paz que emana da imensa maioria dos habitantes do continente, o FCINA convoca ao rechaço deste movimento e à defesa enfática do enorme avanço que constitui a Declaração da Zona de Paz, alcançada na II Cúpula da CELAC, em 2014.

Neste sentido, como aliança de veículos e movimentos sociais dedicada a fomentar o espírito de integração regional soberana, não podemos permanecer passivos ante à ofensiva neocolonialista que, com a cumplicidade de alguns governantes dóceis da direita continental - encabeçados por Michel Temer - tenta paralizar ou tergiversar o sentido de espaços de concertação intrarregional sem ingerência externa, como a Unasul, o Mercosul e a própria CELAC.

Não nos parece estranho que a onda de judicialização da política, como temos denunciado, esteja sendo fomentada desde os Estados Unidos como arma política, em uma espécie de novo Plano Condor midiático e judicial, que mira a criminalização de iniciativas e forças empenhadas em promover transformações democráticas a favor das grandes maiorias.

O FCINA se soma ao protesto uníssono de milhares de pessoas que, no Brasil, na América Latina e no mundo, denunciam o processo judicial viciado e politicamente motivado contra o ex-presidente e agora candidato Lula.

Advogamos pelo aprofundamento da democracia e dos direitos humanos na América Latina e no Caribe, colocados em xeque hoje, como também foi no passado, pelos interesses mesquinhos do poder econômico.

Eleições sem candidatos do povo são fraude. Eleições sem democratização da comunicação são fraude.

Nossa solidariedade com Lula e o povo brasileiro.

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O FCINA é uma iniciativa de redes e meios de comunicação e movimentos sociais comprometidos com a integração dos povos da América Latina e do Caribe.

Mais informação: http://integracion-lac.info

E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Curta a página: https://www.facebook.com/comunicacion.para.la.integracion/

A foto que ilustra o texto é de Francisco Proner.

Tradução da nota por Felipe Bianchi

Por Felipe Bianchi

Já imaginou um bloco carnavalesco cujo trajeto percorresse as principais redes sociais e aplicativos, coletando por onde você andou, com quem estava, o que consumiu e tudo o que você fez ou deixou de fazer? Essa é a proposta do Bloco Dado Bem Dado, que ocorrerá no celular de todos os foliões interessados em entender a importância da discussão sobre a proteção de dados pessoais.

Depois da mudança do governo como consequência do impeachment, também a Telebrás teve sua gerência afastada, e o projeto do satélite SGDC (Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas), cujo projeto inicial visava prestar serviço de banda larga em localidades ainda não atendidas, escolas rurais, postos de saúde, de fronteira, interconexão de órgãos de governo, que estava sob sua responsabilidade de implantação, foi completamente desfigurado. A prioridade do atendimento social foi substituída por uma privatização da capacidade do satélite para grandes corporações, que sem grandes compromissos explícitos de atendimento, tarifas e regionalização, poderiam comercializar ou revender esta capacidade em todo o território nacional. Ou seja, sem nenhuma discussão importante com a sociedade, um governo impopular e ilegítimo muda totalmente a essência de um projeto que a irá impactar por décadas.

Nesta mudança acobertou-se até uma fraude pela inexigibilidade de realização de licitação para escolha de qual entidade iria ser responsável pela implantação do satélite, no caso a Telebrás, e por um pagamento apenas simbólico da posição orbital, já que na origem do projeto este posicionamento se fundamentava na alegação procedente da ênfase no atendimento social, o que na verdade não ocorre atualmente, tendo em vista que o projeto virou meramente uma fonte arrecadatória e um repasse de recursos públicos para a iniciativa privada. Estas inconsistências geraram inclusive uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental, movido contra a Telebrás, ajuizada no STF e que se encontra em andamento.

Neste processo de tentar justificar as mudanças, em recente Audiência Pública do Senado Federal, entre as Comissões de Relações Exteriores e Defesa Nacional e de Ciência Tecnologia Inovação Comunicação e Informática, o representante da Telebrás afirmou, que “está apenas alugando as sobras do satélite”. Afirmação altamente descabida, pois, significaria dizer que o satélite foi concebido sem ter uma demanda apurada. Não levaria ainda em conta as sessenta mil escolas rurais não atendidas, cerca de dois mil e trezentos municípios sem infraestrutura de banda larga. Ignoraria trinta milhões de domicílios não atendidos e o abismo digital entre as diversas regiões do país. Em última análise representaria uma omissão do Estado em estabelecer políticas públicas de inclusão digital consistentes.  

Na oportunidade, os senadores presentes perceberam os posicionamentos antagônicos defendidos pela Telebrás e pelo Clube de Engenharia, que em sua apresentação evidenciou que mesmo que se utilizasse toda a capacidade do satélite haveria, na verdade, a necessidade de uma constelação de satélites para um atendimento adequado da demanda. No sentido de dirimir as dúvidas dessas posições diferentes, ficou registrado e encaminhada a necessidade de uma reunião entre o Senado, a Telebrás e o Clube de Engenharia, que, no entanto, inexplicavelmente, até o momento, não se realizou.  

Um outro ponto bastante sensível na discussão diz respeito à segurança da informação e à soberania nacional. Temos atualmente prestando serviços sobre o território nacional cerca de 50 satélites, todos pertencentes a entidades estrangeiras. Nenhum genuinamente nacional. Desde as evidências de espionagem reveladas por Edward Snowden, que atingiram especialmente o Brasil, colocou-se a necessidade de que as forças armadas e órgãos de governo fossem dotados de recursos de rede que pudessem conferir maior confidencialidade e segurança às nossas comunicações. Ora, com a venda da capacidade do satélite, continuaríamos a ter nossas comunicações ameaçadas.

Caso o atual governo e a Telebrás insistam em manter as condições estabelecidas no edital de licitação de venda das capacidades do satélite com a perda do sentido social do projeto, ao invés de implementarem políticas públicas de banda larga diretamente sob responsabilidade do Estado, para um serviço essencial ao exercício da cidadania, vislumbra-se que o déficit de atendimento do serviço será mantido, com uma tendência ao aumento das tarifas, um aumento da concentração na competição, continuidade na dificuldade da entrada dos provedores de internet na cadeia produtiva e finalmente uma maior vulnerabilidade à segurança e soberania nacionais.

Portanto, aproveitando que não houve propostas para aquisição das capacidades no leilão do SGDC realizado em 31/10, acreditamos ser essencial uma maior discussão com a sociedade para amadurecimento do projeto, de forma a torná-lo instrumento que efetivamente venha para diminuir as diferenças regionais e a promover a inclusão digital em nosso país.

*Marcio Patusco é diretor do Clube de Engenharia e chefe da Divisão Técnica Especializada de Eletrônica e Tecnologia da Informação. Atualmente, é presidente do Conselho Consultivo da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e integrante do Conselho Deliberativo do FNDC.

Mais novo livro do jornalista Leonardo Wexell Severo, “Curuguaty, o combate paraguaio por Terra, Justiça e Liberdade” (Editora Papiro, 96 páginas, R$ 20) denuncia o papel dos grandes conglomerados de comunicação, em conluio com um judiciário e parlamentares corruptos, na condenação de sem-terras inocentes. A obra será lançada no próximo dia 27 de abril, sexta-feira, na livraria Martins Fontes da avenida Paulista, em parceria com o Centro Popular de Cultura da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de São Paulo (CPC-UMES).

Ricamente ilustrada, a obra mostra como em um acampamento de trabalhadores rurais em Curuguaty, no Paraguai, foram mortos 11 camponeses e seis policiais no dia 15 de junho de 2012. O “enfrentamento” envolveu 324 policiais, tropas de elite treinadas pela CIA e pelo exército dos Estados Unidos fortemente armadas com fuzis, bombas de gás, cavalos e até helicóptero. Do outro lado, menos de 60 trabalhadores rurais, metade deles mulheres, crianças e idosos.

FARSA - Passados quase seis anos, denuncia Leonardo Severo, “como resultado de uma grotesca manipulação, temos quatro camponeses condenados a até 35 anos de prisão por ‘homicídio doloso’, ‘associação criminosa’ e ‘invasão de imóvel alheio’, crimes que não cometeram”. “Os mortos foram atingidos por armas de grosso calibre, que não foram encontradas com os sem-terra; a associação era uma organização, prevista em lei pelo próprio governo para reivindicar o local; e a terra em litígio é pública. Portanto, o livro se dedica a desmontar uma farsa”, afirma o autor. Com base em montanhas de documentos e depoimentos de testemunhas, Severo sustenta que “os sem-terra não são culpados de nada, são vítimas de um sangrento confronto armado por franco-atiradores com as digitais dos Estados Unidos”. A chacina, observa, “serviu de justificativa para afastarem o presidente Fernando Lugo uma semana depois”.

A manipulação feita pela grande mídia, ressalta Severo, que integra o conselho consultivo do Barão de Itararé, “está clara para mim e ficará evidente para o leitor não só pela politicagem que fizeram nos dias que se seguiram à mortandade, mas sempre. Quando os paraguaios relembravam com vibrantes manifestações os cinco anos da carnificina de Curuguaty, as reportagens desviavam o olhar. Destacavam a loucura de mães desesperadas diante de inomináveis tragédias pessoais. Uma senhora que, após acionar a seguradora do carro pelo desaparecimento do veículo, recebeu o corpo do filho, cravejado de balas, confundido com o ladrão. Outra que, enlouquecida, se desfez do bebê, recém-parido, jogando-o nas águas de uma lavadora de roupas. Há um esforço enorme dos jornais e revistas, da s emissoras de rádio e televisão para confundir, desorientar, manipular. Como no Brasil, daí a importância da imprensa democrática, popular, alternativa, que infelizmente veio sendo asfixiada ao longo dos últimos anos em que tivemos muita retórica e tão parcos recursos para enfrentar os nossos inimigos no campo político e ideológico”, avalia.

CONHECIMENTO - ”Como Observador Internacional do caso no Tribunal de Sentenças de Assunção, presente nos momentos extremamente tensos e ricos dos enfrentamentos, o autor expõe e denuncia, com profundo conhecimento de causa, as inúmeras irregularidades e ilegalidades do processo”, declara Guillermina Kanonnikoff, membro do Movimento de Solidariedade aos camponeses de Curuguaty e ex-presa política da ditadura de Alfredo Stroessner. Para Guillermina, que tem uma longa folha de serviços prestados à luta pelos direitos humanos, “mais do que uma soma de reportagens colhidas no calor dos acontecimentos, Leonardo relata, de forma didática e direta, a comovente história de amor e abnegação dos camponeses de Curuguaty em sua incansável luta pela reforma agrária”. Para além de um livro, sublinha, “temos a convicção de que esta é uma conclamação à solidariedade, que fortalecerá não só a caminhada pela libertação dos nossos presos políticos, como pela integração de nossos países e povos”.

PARCERIA - Em sua apresentação no livro, o presidente do CPC-UMES, Valério Bemfica avalia que “a parceria para o lançamento do livro do amigo Leonardo é muito natural”. “Pois já somos parceiros há muito tempo: quando ainda formávamos o CPC, no começo dos anos 90 do século passado, regidos pela batuta precisa de Denoy de Oliveira, lá estavam o Léo e sua companheira Monica, prontos para qualquer parada. E já então ele demonstrava claramente suas inúmeras qualidades. Duas nos interessam aqui: a capacidade sincera de sentir a mais profunda indignação contra todas as injustiças, não importa contra quem ou ao nde sejam cometidas; e a incansável disposição de bater-se contra elas. Fez isso nas montanhas da Nicarágua, junto aos trabalhadores da Guatemala, junto aos camponeses paraguaios. Faz isso no seu dia-a-dia de militante-jornalista-escritor, sempre comprometido com os mais profundos valores da humanidade”. Conforme Valério Bemfica, “a presente obra é prova disso. Nela Leonardo vale-se de toda a sua competência para realizar uma denúncia profunda, com todos os elementos que uma boa reportagem deve conter. Para quem quiser saber a verdade sobre os acontecimentos de Curuguaty, é obra imprescindível”.

DIREITOS HUMANOS - Para o jornalista e cientista político Dermi Azevedo, renomado batalhador pelos direitos humanos, “a solidariedade com os presos políticos paraguaios é uma exigência moral e ética”. “Principalmente para nós, brasileiros, que precisamos, nesta hora, de gestos solidários de apoio à democracia e contra as novas falsidades do império”, acrescenta. Na avaliação de Dermi, ele também um ex-preso político, “se há um país que venha sendo humilhado na Latinoamérica esse país é o Paraguai. No entanto, se existe uma Nação que resiste, quase sempre em silêncio, mas de forma heroica, essa Nação está aqui pertinho, e se chama Paraguai”.

ONDE - Livraria Martins Fontes, Avenida Paulista, 509, ao lado da estação do Metrô Brigadeiro, São Paulo-SP

QUANDO - 27 de abril, sexta-feira, das 18h30 às 21h30

Produzida pelo Netflix, a série O Mecanismo foi ao ar no dia 23 de março e tornou-se, imediatamente, alvo de polêmicas pela forma como conta a história da Operação Lava Jato. Uma das principais críticas foi feita pela presidenta democraticamente eleita Dilma Rousseff, que acusa a série, dirigida por José Padilha e escrita por Elena Soárez, de propagar fake news para assassinar reputações de forma seletiva. Segundo Rousseff, a série é "mentirosa" e "dissimulada". "O diretor inventa fatos. Não reproduz fake news. Ele próprio tornou-se um criador de notícias falsas".

Optando por contar a história de forma maniqueísta, na qual os agentes da Polícia Federal são os heróis lutando contra o sistema e nenhum político presta, a série surfa na onda da antipolítica insuflada pela mídia em sua caçada a Lula, à própria Dilma e à esquerda brasileira. A série, complementa Rousseff, pode até ser "baseada em fatos reais", mas "Padilha incorre na distorção da realidade e na propagação de mentiras de toda sorte" para atacar seus alvos.

Para se ter ideia da "licença poética" tomada pelo cineasta, a famigerada fala do senador Romero Jucá (PMDB) sobre a necessidade de se fazer "um grando acordo nacional" (com Supremo, com tudo) para "estancar a sangria" da Lava Jato, um dos momentos mais simbólicos da articulação do golpe que depôs Dilma Rousseff, é protagonizado não por Jucá, mas pelo personagem que representa Lula na série. 

Confira, na íntegra, a crítica de Dilma Rousseff:

O país continua vivo, apesar dos ilusionistas, dos vendedores de ódio e dos golpistas de plantão. Agora, a narrativa pró-Golpe de 2016 ganha novas cores, numa visão distorcida da história, com tons típicos do fascismo latente no país.

A propósito de contar a história da Lava-Jato, numa série “baseada em fatos reais”, o cineasta José Padilha incorre na distorção da realidade e na propagação de mentiras de toda sorte para atacar a mim e ao presidente Lula.

A série “O Mecanismo”, na Netflix, é mentirosa e dissimulada. O diretor inventa fatos. Não reproduz “fake news”. Ele próprio tornou-se um criador de notícias falsas.

O cineasta trata o escândalo do Banestado, cujo doleiro-delator era Alberto Yousseff, numa linha de tempo alternativa. Ora, se a série é “baseada em fatos reais”, no mínimo é preciso se ater ao tempo em que os fatos ocorreram. O caso Banestado não começou em 2003, como está na série, mas em 1996, em pleno governo FHC.

Sobre mim, o diretor de cinema usa as mesmas tintas de parte da imprensa brasileira para praticar assassinato de reputações, vertendo mentiras na série de TV, algumas que nem mesmo parte da grande mídia nacional teve coragem de insinuar.

Youssef jamais teve participação na minha campanha de reeleição, nem esteve na sede do comitê, como destaca a série, logo em seu primeiro capítulo. A verdade é que o doleiro nunca teve contato com qualquer integrante da minha campanha.

A má fé do cineasta é gritante, ao ponto de cometer outra fantasia: a de que eu seria próxima de Paulo Roberto da Costa. Isso não é verdade. Eu nunca tive qualquer tipo de amizade com Paulo Roberto, exonerado da Petrobras no meu governo.

jucc3a1 grampoNa série de TV, o cineasta ainda tem o desplante de usar as célebres palavras do senador Romero Jucá (PMDB-RR) sobre “estancar a sangria”, na época do impeachment fraudulento, num esforço para evitar que as investigações chegassem até aos golpistas. Juca confessava ali o desejo de “um grande acordo nacional”. O estarrecedor é que o cineasta atribui tais declarações ao personagem que encarna o presidente Lula.

Reparem. Na vida real, Lula jamais deu tais declarações. O senador Romero Jucá, líder do golpe, afirmou isso numa conversa com o delator Sérgio Machado, que o gravou e a quem esclarecia sobre o caráter estratégico do meu impeachment.

Na ocasião, Jucá e Machado debatiam como paralisar as investigações da Lava Jato contra membros do PMDB e do governo Temer, o que seria obtido pela chegada dos golpistas ao poder, a partir do meu afastamento da Presidência da República, em 2016.

Outra mentira é a declaração do personagem baseado em Youssef de que, em 2003, o então ministro da Justiça era seu advogado. Uma farsa. A pasta era ocupada naquela época por Márcio Thomas Bastos. Padilha faz o ataque à honra do criminalista à sorrelfa. O advogado sequer está vivo hoje para se defender.

O cineasta não usa a liberdade artística para recriar um episódio da história nacional. Ele mente, distorce e falseia. Isso é mais do que desonestidade intelectual. É próprio de um pusilânime a serviço de uma versão que teme a verdade.

É como se recriassem no cinema os últimos momentos da tragédia de John Kennedy, colocando o assassino, Lee Harvey Oswald, acusando a vítima. Ou Winston Churchill acertando com Adolf Hitler uma aliança para atacar os Estados Unidos. Ou Getúlio Vargas muito amigo de Carlos Lacerda, apoiando o golpe em 1954.

O cineasta faz ficção ao tratar da história do país, mas sem avisar a opinião pública. Declara basear-se em fatos reais e com isso tenta dissimular o que está fazendo, ao inventar passagens e distorcer os fatos reais da história para emoldurar a realidade à sua maneira e ao seu bel prazer.

Reitero meu respeito à liberdade de expressão e à manifestação artística. Há quem queira fazer ficção e tem todo o direito de fazê-lo. Mas é forçoso reconhecer que se trata de ficção. Caso contrário, o que se está fazendo não está baseado em fatos reais, mas em distorções reais, em “fake news” inventadas.

O coletivo "Futebol, Mídia e Democracia" lançou uma nota de repúdio à medida adotada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro em parceria com o Gepe e o consórcio Maracanã que implantaram um setor de 2 mil lugares para as torcidas organizadas. Um setor cercado de grades que mais parece uma prisão para isolar todas as torcidas do resto dos torcedores "comuns".

Confira a nota e abaixo as torcidas, movimentos, coletivos e demais entidades que assinam o documento:

Não seremos enjaulados!

Em nota, viemos aqui dar um recado a respeito da decisão de isolar torcidas organizadas nos estádios do Rio de Janeiro.

Essa medida absurda começa com um cadastro realizado junto ao MP/RJ e o Grupamento Especial de Policiamento em Estádios (GEPE, da PM do Rio), onde ambos definem e aceitam, ou não, o que é uma torcida. Isso passa por diversas exigências para se colocar apenas uma bandeira no estádio, e culmina agora em um setor do Maracanã para as organizadas. Um setor isolado, cercado de grades, igual a um presídio.

Já está muito claro que essas medidas são na verdade higienistas: “limpam” os estádios, segregam os pobres e vão elitizando cada vez mais nossos espaços populares. Nenhuma medida dessas, acima citadas, resolve a questão da violência. Pelo contrário: por marginalizar os torcedores, é criado um ambiente hostil que, obviamente, aumenta a violência.

As brigas continuam, as pessoas continuam morrendo, a impunidade continua, os preços dos ingressos só aumentam, as tensões nos estádios nunca foram tão grandes, porque nunca foi tão difícil torcer; e até hoje, não se sabe de um só policial preso por abuso de autoridade nos estádios, e sabemos que isso ocorre aos montes. Mas preferem fechar os olhos e nos enjaular.

A violência se agravará, mais pessoas serão excluídas, e qualquer lembrança de um Maracanã popular acaba de vez. Agora o teatro está concluído: se antes nos comercializavam com vídeos de nossas festas e músicas, agora somos descartáveis. A prioridade são setores mais caros nos estádios, atraindo um público ainda mais elitizado, apático e frio. A burocratização da festa prejudica o espetáculo, é mais uma etapa da criminalização da cultura torcedora.

Ao invés de segregação, propomos que os governos, Ministério Público, Polícia Militar e outros agentes que organizam o futebol dialoguem e debatam com os torcedores, para construir em conjunto um planejamento que melhore a segurança e a organização dos jogos sem violar direitos, sem reprimir e sem atacar a cultura de festa dos torcedores brasileiros.

Torcer não é crime, nem o torcedor é um bandido!

Não aceitaremos calados sem luta! Não seremos enjaulados! Liberdade para as torcidas e para os torcedores! O futebol é do povo!

#LiberdadePraTorcer

Assinam esta nota:

TORCIDAS E ENTIDADES

Anatorg (Associação Nacional de Torcidas Organizadas)
Associação Avante Fantasma (Operário Ferroviário/PR)
Associação Esportiva Araguaia
Avante Santa Cruz - Portão 10 (Santa Cruz/PE)
B16 - Bangu Antifascista
Brava Ilha - Saída 3 (Sport/PE)
Brigada Marighella (Esporte Clube Vitória/BA)
Brigada Popular Alvirrubra (Náutico/PE)
Castores da Guilherme (Bangu/RJ)
Centro Acadêmico Caio Júnior - Futebol - Faculdade Carlos Drummond de Andrade (SP)
Coletivo Democracia Corinthiana
Coletivo Democracia SantaCruzense (Santa Cruz/PE)
Coletivo Dino Colli (Operário Ferroviário/PR)
Coletivo Futebol, Mídia e Democracia
Coletivo INTERfeminista (Internacional/RS)
Comando Rasta do Cruzeiro
Coral Antifa (Santa Cruz/PE)
Esquerda Botafoguense (Botafogo/RJ)
Feminino Portão 7 (Internacional/RS)
FFC - Força Feminina Colorada (Internacional/RS)
Flamengo Antifascista
Frente Esquadrão Popular (Esporte Clube Bahia/BA)
Frente Vitória Popular (Esporte Clube Vitória/BA)
Grêmio Antifascista
Grêmio Recreativo Torcida Organizada Máfia Azul (Cruzeiro/MG)
Inter Antifascista (Internacional/RS)
Leões de Sampa (Sport/PE)
Máfia Azul - Comando Guerreiro do Eldorado
Meca Antifa (América/PE)
Movimento Coralinas (Santa Cruz/PE)
Movimento Popular Coral (Santa Cruz/PE)
Mulheres de Arquibancada
Ocupa Palestra (Palmeiras/SP)
O Povo do Clube (Internacional/RS)
Palmeiras Antifascista
Punk Santista (Santos/SP)
Resistência Azul Popular (Cruzeiro/MG)
Setor 2 (Juventus/SP)
Teóricos do Futebol
Torcida Alcoolizada Cachazeiros (Cruzeiro/MG)
Torcidas Antifas Unidas
Torcida Antifascista Sport
Torcida Bolche FLA (Flamengo/RJ)
Torcida Independente Garra Tricolor (Esporte Clube Bahia/BA)
Torcida Jovem Fanáutico (Náutico/PE)
Torcida Organizada Bamor (Esporte Clube Bahia/BA)
Torcida Uniformizada Garra Alvinegra (Americano/RJ)
Torcida Organizada Raça Coral (Santa Cruz/PE)
Torcida Pavilhão Independente (Cruzeiro/MG)
Torcida Santos Chopp (Santos/SP)
Torcida Trem Fantasma (Operário Ferroviário/PR)
Torcida Uniformizada do Palmeiras - TUP
Torcida Tulipas Vascaínas (Vasco/RJ)
Tribuna 77 - GFBPA (Grêmio/RS)
Turma do Chico Leone - 515 (Palmeiras/SP)

INDIVIDUAIS:

Anizio Silva (@tuitdosantinha)
Lu Castro - Jornalista
Marcelo Moisés - Presidente da TUP (Torcida Uniformizada do Palmeiras)
Maria da Penha - Ex-presidente da Torcida Organizada Tulipas Vascaínas

En respuesta a la ofensiva del gobierno de Mauricio Macri, en Argentina, que pretende tranformar los clubes de fútbol en sociedades anónimas deportivas (SAD), hinchas argentinos están dejando de lado la rivalidad para resistir al inminente ataque contra el fútbol local. En solidaridad a la lucha de los hinchas del país hermano, aglutinados en la Coordinadora de Hinchas, el Coletivo Futebol Mídia e Democracía y diversas organizaciones publican nota este lunes 9 fortaleciendo el movimiento de protesta de los vecinos y recordando que la ofensiva contra el fútbol democrático y popular no es exclusividad de un solo lado de la frontera.

Lea la nota integra abajo o haga click para la versión en portugués:

NOTA DE APOYO DE LOS HINCHAS BRASILEROS A LOS HINCHAS ARGENTINOS

“NO A LAS SAD!”

Parte de un efervecente movimiento de hinchas, activistas, comunicadores sociales y militantes en lucha por un fútbol más democrático y popular en Brasil, nos solidarizamos con la lucha correspondiente de nuestros hermanos argentinos aglutinados en torno a la Coordinadora de Hinchas.

Concientes de la grave amenaza del entendimiento del futbol como patrimonio cultural de nuestros pueblos, manifestamos nuestro absoluto repudio a la propuesta de transformar los clubes de futbol en sociedades anónimas deportivas (SAD). Para nosotros la envestida mercantilista en curso en Argentina usa armas diferentes, pero tiene el mismo objetivo que combatimos en Brasil: la extinción de la cultura del tablón, la exclusión de los pobres de las canchas, la manutención y ampliación del poder de los dueños del deporte mas popular de nuestros países, además de la reducción de uno de los elementos culturales mas importantes de nuestro continente en un producto meramente mercantilista, mediático y estéril.

Para nosotros, el proyecto en curso en Argentina no puede ser comprendido como un hecho aislado. Se trata de una ficha mas en el tablero que atenta contra nuestro fútbol. En este escenario, creemos que es indisociable del proyecto en curso en Argentina, el proceso de elitización de las tribunas vigente en Brasil a través de entradas caras y cada vez mas inaccesibles para los ciudadanos de más bajo sueldo; el poder sin limites de dirigentes de las instituciones que mandan en el fútbol a nivel nacional y continental; y la actuación de los monopolios mediáticos, que atropellan a los hinchas, a la sociedad civil organizada y a la democracia con sus intereses económicos y de clase.

Pero además de nuestro esfuerzo actual, emprendido en la campaña “Ingresso Caro Não! [No a las entradas caras]”, una pauta urgente para los hinchas de todos los clubes brasileros, también alertamos que hay en curso un proyecto real de transformación de nuestros clubes en empresas, retomando los objetivos de la fracasada “ley Pelé” (1998). La amenaza de transformación de los clubes brasileros en empresas también es real.

Saludamos el esfuerzo de los hinchas del país vecino en sobreponer la importancia de esas luchas por encima de la rivalidad entre clubes, tarea difícil, que exige maduración y que también estamos enfrentando en Brasil. Así como nuestra resistencia abraza todas las banderas, ella también debe transcender fronteras.

Firman abajo las organizaciones de hinchadas brasileras que luchan por la democracia en nuestros clubes y nuestras tribunas.

Fútbol, Fiesta Popular!

Firman:

Coletivo Futebol, Mídia e Democracia

Coletivo Democracia Corinthiana - SC Corinthians P

Coletivo Democracia Santacruzense - Santa Cruz FC

Frente Vitória Popular - EC Vitória

Flamengo da Gente - CR Flamengo

Movimento Clube do Povo - ABC Futebol Clube

Massa e Raça 88 - EC Bahia

Movimento Ocupa Palestra - SE Palmeiras

Resistência Azul Popular - Cruzeiro EC

O Povo do Clube - SC Internacional

Associação Nacional das Torcidas Organizadas (Anatorg)


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