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Fake news viram arma da estratégia do "lawfare", cada vez mais utilizada pela direita para retomar o poder na América Latina; cenário pós-eleitoral é de ruptura nas relações de cooperação com os vizinhos e a volta da subserviência às grandes potências, a despeito do verniz nacionalista do novo presidente

Cartunista KAL, do estadunidense The Economist, alerta: figura messiânica esconde sérios perigos para seu próprio eleitorado

O espanto internacional com o triunfo eleitoral de um projeto que remete a um passado obscuro no Brasil está estampado nos jornais e portais do mundo todo. Referido como uma espécie de “Donald Trump dos trópicos” e porta-voz de um ideário caricaturado como “nazismo bananeiro”, o capitão reformado (e deputado por 28 anos) Jair Bolsonaro amealhou quase 58 milhões de votos e aguarda a virada do ano para tomar posse no Palácio do Planalto.

Por Felipe Bianchi

Mais que afetar diretamente a vida do povo brasileiro, a vitória de uma candidatura da extrema-direita, casando um plano econômico neoliberal com uma agenda ultraconservadora nos costumes e grosseira retórica neomacartista, interfere diretamente no xadrez geopolítico global, a começar pelos nossos vizinhos, que devem ser "escanteados" em prol de negociações bilaterais com grandes potências, passando até por países do Oriente Médio - o Egito cancelou, recentemente, compromisso com o chanceler brasileiro Aloysio Nunes após Bolsonaro anunciar que deve mudar a embaixada brasileira em Israel para Jerusalém.

Além do papel que o Brasil joga no continente e no mundo, há outro componente a ser levado em conta: Bolsonaro tornou-se símbolo, quase uma hipérbole, do conceito de guerra híbrida. A avalanche de fake news exaltando o capitão reformado e destruindo a reputação, desmoralizando e demonizando seus adversários se deu em escala massiva, graças ao uso de dados vazados de forma ilegal, conforme relatou a emblemática reportagem assinada por Patrícia Campos Mello na Folha de S. Paulo. De acordo com a matéria, a usina de mentiras foi financiada com rios de dinheiro não declarado pela campanha, o que configura o crime de caixa 2.

Para entender a perspectiva internacional sobre a trajetória controversa e os significados da vitória de Bolsonaro, o Barão de Itararé conversou com especialistas e estudiosos de diversos países para registrar as suas impressões sobre como se deu o processo eleitoral e quais impactos seu governo deve ter fora do Brasil.

***

 

 Marina Urrizola, argentina, docente, psicóloga social e integrante do Conselho de Especialistas Eleitorais da América Latina (CEELA) e do Observatório Eleitoral da Conferência Permanente dos Partidos Políticos (COPPAL). Já participou de mais de 30 missões como observadora eleitoral internacional

 

O papel do Judiciário na eleição de Bolsonaro

"É com tremendo assombro que assistimos aos resultados do primeiro turno das eleições no Brasil. Primeiro, claro, pelo fato da proibição de Lula concorrer à presidência, candidato com maior adesão no eleitorado brasileiro segundo todas as pesquisas. Apesar do espanto, isso não surpreende quem vem acompanhando o desenvolvimento deste tipo de estratégia, enquadrada no conceito de lawfare, uma forma de distorção em função da Justiça, tanto em processos quanto em condenações judiciais, algo que vem atingindo toda a América Latina e cujo caso mais emblemático é o brasileiro.

Se você me pergunta se creio que houve uma postura institucional passiva ou permissiva por parte do Tribunal Superior Eleitoral ou do Supremo Tribunal Federal? À luz de todos os acontecimentos, eu afirmo que, sob nenhum ponto de vista, existiram tais posturas, pois todas as instâncias judiciais atuaram de forma orquestrada para levar a cabo a condenação de Lula e sua inabilitação como presidenciável. Mas não cansamos de nos surpreender, já que dias depois o inflamável chefe de Estado da principal nação sul-americana oferece o Ministério da Justiça a ninguém mais, ninguém menos que o juiz Sergio Moro, o mesmo que condenou Lula à prisão."

 

Fake news como estratégia eleitoral

"Entendo que as fake news, ou notícias falsas, têm sido objeto de estudo em vários processos eleitorais na região, mas com essa magnitude como a do caso do Brasil, é a primeira vez. Entendo que a estratégia tem sido uma engrenagem fundamental de uma nova forma de 'chegar ao poder', utilizada, principalmente, pelas direitas internacionais, as quais, no geral, seguem o mesmo esquema em toda a América Latina. Primeiramente, empunham a bandeira da transparência, apropriando-se de valores que jamais lhes pertenceram. Ao mesmo tempo, judicializam, de uma ou outra forma, os processos eleitorais, utilizando fake news com uma clara intencionalidade política, receita que, condimentada com um financiamento significativo, tem gerado bons resultados na maiorias das eleições.

No que concerne ao Brasil, eu devolvo a pergunta: como é possível que, apesar do acordo firmado pelo TSE com o Google e o Facebook (operador do Whatsapp) no mês de junho, para justamente combater esse preocupante fenômeno, tenha sido justamente através desta plataforma que 120 milhões de brasileiros e brasileiras receberam mensagens falsas e convites para votar em Bolsonaro? Como se arquitetou e quem financiou tal engenharia? Por isso afirmo que é muito pouco falarmos em posturas permissivas.

As declarações da OEA, que classificou o caso brasileiro como o primeiro onde a disseminação em massa de fake news interferiu no resultado eleitoral, contam com peso próprio e, desde já, torna o Brasil referência neste debate. É importante, porém, que esta discussão aconteça dentro do campo popular, com a maior profundidade possível, a fim de gerar mecanismos de defesa necessários para combater e punir este tipo de estratégia. Mas, vale insistir, vejo a questão das fake news como parte de uma estratégia mais ampla, na qual a judicialização dos processos eleitoral é o eixo principal, que também incluem fatos não determinados, prisões preventivas, buscando um efeito mais midiático que judicial."

 

Ameaças de Bolsonaro à mídia e instituições

"Lamentavelmente, é impossível comentar o discurso ameaçador de Bolsonaro a respeito de certas instituições e dos meios de comunicação sem remeter ao meu próprio país. A Argentina mostra que é possível calar praticamente todas as vozes opositoras. Aqui estamos vivendo até casos de prisões preventivas de donos de meios de comunicação, numa tentativa de calar as vozes mais importantes deste campo É aí onde deve atuar a resistência de quem tem compromisso em difundir a realidade, reforçando a notável relevância dos meios independentes e alternativos."

 

***

 

Aline Piva, brasileira, socióloga e analista internacional, colaboradora do blog Nocaute, professora de Direito Internacional na Universidad Bolivariana da Venezuela. Ex-vice-diretora e editora-chefe da unidade de estudos sobre Brasil do Council on Hemispheric Affairs, em Washington DC

  

Repercussão nos EUA e na mídia internacional

"Acredito que a mídia internacional tem feito uma crítica mais honesta e sensata do momento histórico em que vivemos, se comparada à mídia tradicional brasileira. Com algumas notáveis exceções (o Wall Street Journal, por exemplo, fez um editorial endossando a candidatura de Bolsonaro), o tom na mídia internacional tem sido de perplexidade e de denúncia das características mais fascistas de Bolsonaro. A perplexidade vem no sentido de tentar entender como um país do porte do Brasil, e com um passado ditatorial tão recente, pode apoiar uma pessoa que representa os piores aspectos do autoritarismo. Por outro lado, ao mesmo tempo em que fazem a denúncia de seu caráter fascista, também colocam a possibilidade de que esse seja um governo 'bom para os negócios', o que traz certa ambiguidade à denúncia. O fato é que, em resumo, apesar de estarem assustados com o que vem acontecendo em nosso país, os interesses econômicos prevalecem - o que reforça a percepção de que esse será um governo profundamente alinhado com os interesses das elites financeiras nacionais e internacionais, em um momento em que a crise do neoliberalismo leva essas elites a adotarem soluções cada vez mais violentas para manter seus privilégios e ganhos."

 

O futuro da diplomacia brasileira e o fator Israel

"Desde o golpe contra Dilma Rousseff, o Brasil vem perdendo relevância no cenário internacional. Passamos de ser um ator global com poder de pautar as discussões internacionais para um mero coadjuvante na disputa geopolítica que vem sendo travada entre Estados Unidos, Rússia e China. E esse é um cenário que tende a se agravar, uma vez que agora entraremos em uma fase distinta do golpe de Estado e da dissolução das instituições republicanas. Essa é uma fase em que a preocupação com a manutenção do verniz democrático (uma constante desde 2016) já não é um tema central, abrindo espaço para políticas cada vez mais entreguistas, o que deve contaminar até mesmo as instituições mais tradicionais, como o Itamaraty. Nesse sentido, creio que podemos esperar um alinhamento incondicional com a agenda de Washington, especialmente em temas relacionados à região.

Israel, por sua vez, joga um papel distinto, mas complementar, uma vez que é uma espécie de 'garantia simbólica' desse verniz nacionalista de Bolsonaro. Essa é uma tendência que observamos com cada vez mais força em movimentos de ultradireita em diversas partes do mundo, que usam a bandeira de Israel para justificar políticas xenófobas e racistas do ponto de vista interno, enquanto no cenário internacional adotam práticas ultraneoliberais - uma contradição que muitas vezes escapa à percepção pública."

 

Relações com a Venezuela e os demais países vizinhos

"A eleição de Bolsonaro certamente muda o balanço de forças na região, que já vinha se configurando em um cenário desfavorável para a Venezuela. Até o momento, o que estávamos vendo era um aumento da retórica contra a Venezuela, mas que não necessariamente se refletia em ações práticas - veja, por exemplo, a recusa do Brasil em assinar a última declaração do Grupo de Lima contra a Venezuela, que pedia uma intervenção mais direta no país vizinho. Isso demonstra que, em certa medida, o Itamaraty seguia fiel aos princípios basilares de nossa política externa. O cenário agora é outro, e coloca em evidência as implicações geopolíticas da eleição de Bolsonaro. E aqui há dois desdobramentos: do ponto de vista interno, ou seja, da nossa diplomacia, é possível que comecemos a ver um afastamento desses princípios basilares de não-intervenção e de relações cordiais com nossos vizinhos para uma política mais agressiva.

Do ponto de vista internacional, já observamos um movimento de trazer para a América Latina a lógica que move as ações dos Estados Unidos no Oriente Médio. Temos, por exemplo, Tom Shannon afirmando, em entrevista à BBC Brasil, que o Brasil deveria entrar para a OTAN (assim como Colômbia já o está fazendo). Temos John Bolton, assessor de segurança nacional de Trump, afirmando que os Estados Unidos não irão mais tolerar a 'Troika da Tirania' Venezuela, Cuba e Nicarágua) na região - uma clara referência ao 'Eixo do Mal' de George W. Bush, que jogou o Oriente Médio em uma guerra que já dura quase duas décadas.

Em resumo, acredito que dificilmente as alas mais moderadas do Itamaraty conseguirão frear esse processo, e o Brasil deixará de ser o garantidor da paz regional para ser uma peça fundamental no processo de asfixiamento da Venezuela. Ainda que, historicamente, a guerra não é recurso utilizado por nossa diplomacia, acredito que essa não é possibilidade a ser descartada. Mas também acho importante termos sempre em conta que a região está em um processo de guerra híbrida, e isso quer dizer que os ataques vindos do Brasil não necessariamente necessitarão de tanques mobilizados nas ruas para acontecerem. É preciso estar muito atento aos movimentos mais sutis que certamente ocorrerão."

 

Mercosul, o xadrez da geopolítica global e um projeto de mundo multipolar

"Eu vejo a posição de Paulo Guedes sobre o Mercosul como um reflexo das posições adotadas por Trump no cenário internacional, e que tendem a ser replicadas com especial ênfase por governos títeres, mais interessados em seguir à risca a agenda do Washington do que em atender aos interesses nacionais, como vem sendo o governo de Temer e será o governo de Jair Bolsonaro. Desde que assumiu o governo, Trump vem adotando uma posição de deixar de lado os foros de concertação multilateral e privilegiar as relações e negociações bilaterais. Essa é um cálculo político que vem do entendimento de que, em negociações bilaterais, é muito mais fácil exercer o poder coercitivo do que em negociações multilaterais. Agora, a diferença é que o balanço de poder real e simbólico dos Estados Unidos permitem que essa seja uma equação positiva para eles. O que não é o caso do Brasil e outros países da região, que ficarão à mercê dos interesses do vizinho do norte.

O processo de fortalecimento de foros de integração regional vinha justamente nesse sentido, do entendimento de que, individualmente, os países da região não teriam força suficiente para contrapor os interesses hegemônicos dos Estados Unidos. A ascensão de Mauricio Macri na Argentina, o golpe no Brasil, e tantos outros governos neoliberais na região colocam em xeque esse processo de integração, e jogam um papel fundamental na consolidação dos interesses geopolíticos dos Estados Unidos na região.

Do ponto de vista econômico, o posicionamento dos jornais internacionais é bastante revelador: o Brasil está aberto a negócios. E não hesitará em desmantelar os foros de concertação regional que coloquem qualquer empecilho para a execução de uma política econômica ultraneoliberal."

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Andrés Thomas Conteris, estadunidense, fundador do Democracy Now! en Español, jornalista e escritor

 

 Steve Bannon e a avalanche de fake news nas eleições

"A eleição brasileira escancarou que propaganda falsa e enganosa continua sendo usada no hemisfério para cometer fraude eleitoral. O apoio dado a Bolsonaro por pessoas como Steve Bannon revelam que o extremismo é o maior vencedor, e não a vontade do povo brasileiro. Pessoas como Bolsonaro etiquetam o jornalismo que não lhes convém como fake media (mídia fake) e, ao mesmo tempo, se engajam em práticas ilegais que encoraja a mídia de direita a espalhar conteúdos falsos. A falta de transparência na declaração de fontes de volumosas quantias no apoio à campanha de Bolsonaro é outro exemplo de como o presidente eleito no Brasil se engajou e, certamente, seguirá se engajando em comportamentos ilícitos."

 

Bolsonaro na mídia norte-americana e as relações com Trump

"Há uma variada gama da cobertura da eleição de Bolsonaro pela imprensa nos Estados Unidos. A mídia dominante, a bem dizer, praticamente ignorou a eleição. Muitos dos cidadãos estadunidenses sequer sabem que Bolsonaro foi eleito. A mídia independente e veículos progressistas, por outro lado, têm se empenhado em tornar conhecida a figura de Bolsonaro como um apoiador ativo do fascismo. Como Trump também mostra tendências fascistas, espera-se que ele e Bolsonaro tenham uma relação bastante próxima."

 

O que representa a vitória de Bolsonaro e como ficam as relações internacionais

"O sentido da vitória de Bolsonaro mostra que o medo segue sendo uma arma muito poderosa. O suficiente para, pelo menos, balançar milhões de pessoas, como aconteceu na última eleição no Brasil. O medo perpetrado pela campanha foi algo esmagador e pode, sim, ser comparado com a forma que Trump vem agindo nos Estados Unidos. A ascensão de Bolsonaro ao poder certamente criará um buraco imenso na questão da integração e da cooperação regional na América Latina. O nacionalismo como princípio-guia provavelmente substituirá a democracia autêntica."

 

***

 Javier Tolcachier, argentino, pesquisador do Centro Mundial de Estudos Humanistas, produtor na Agência Internacional de Notícias Pressenza e integrante do Fórum de Comunicação para a Integração de Nossa América (FCINA)

 

Integração regional, cooperação e Mercosul

"O governo de extrema direita acentuará o processo de decomposição dos mecanismos de integração soberanos, como Unasul e Celac. Também vai colaborar com o reposicionamento da OEA (Organização dos Estados Americanos), principal braço de ação da diplomacia estadunidense na América Latina e no Caribe.

Em relação ao Mercosul, o novo governo, à imagem ou caricatura do governo Trump, imitará a tentativa de impor novas condições aos aspectos que lhe sejam favoráveis, incluindo a ameaça de denunciar o tratado se não for liberado estabelecer negociações unilaterais, como rezam as atuais cláusulas do órgão. No caso argentino, haverá pressão de alguns setores brasileiros, já que a Argentina representa aproximadamente 7% do comércio exterior, sendo o terceiro maior destino de exportações e a quarta maior origem de importações brasileiras.

É provável, também, que o Brasil busque um relacionamento mais íntimo com os países integrantes da Aliança do Pacífico e intensifique, através do Grupo de Lima, o fortalecimento de um eixo militarista com o presidente colombiano e uribista Ivan Duque, além da pressão e das ameaças contra a Venezuela, Bolívia e outros países."

 

Perpsectivas para a retomada de projetos democráticos e populares na região

"O pior que podemos fazer é olhar para trás com nostalgia. O que foi construído na chamada 'década ganha' (década ganada) foi feito, de uma forma geral, em um contexto que já não existe. As forças da crueldade não toleram compartilhar o lucro e estão saindo com tudo para recuperar o que consideram ser deles por 'direito divino'.

É preciso haver unidade para a proteção mútua dos ataques das barbáries. Mas também é fundamental pensar e atuar de forma mais estratégica e menos reativa. Retomar e aprofundar a conscientização da transformação social nas bases, ao invés de seguir com a ilusão de que o crescimento do bem-estar social e do consumo garantiriam, por si só, a continuidade dessas políticas e o apoio aos governos progressistas."

 

Guerra híbrida e as fake news de Bolsonaro

"Trata-se de uma réplica do que vem sendo feito em outros lugares. Foi assim na Grã-Bretanha, na ocasião do plebiscito sobre o Brexit; na campanha de Barack Obama e de Donald Trump, e que tem sido utilizado em maior ou menor medida em todas as campanhas políticas no mundo. São correntes supostamente espontâneas, que se aproveitam do sistema de segmentação e venda de dados pessoais. É a manipulação das redes sociais, que causam um certo deslocamento da centralidade dos meios de comunicação tradicionais, sobretudo nas novas gerações."

 

Violência, autoritarismo e a omissão das instituições

"Cada Estado tem sua particularidade, mas a interconexão planetária homogeniza, em certo grau, os fenômenos. A onda nacionalista é, em parte, reação a essa tentativa de uniformização da globalização e da asfixia econômica e cultural que ela gera. Paradoxalmente, a matriz replicada em todas as partes do mundo é a mesma. Muitos países mostram o mesmo tipo de regime autoritário e a mesma decadência nas práticas democráticas, algo que o poder aproveita para eliminar a política e o Estado como catalisadores de possíveis mudanças em favor das maiorias. As grandes corporações criam a desordem social, ecológica, política e econômica, mas se negam a assumir suas responsabilidades. Em vez de ceder seu poder, tão concentrado, favorecem modelos autoritários para pretensamente impor 'ordem' ao caos que eles mesmo geram. Esse é o modelo atual do sistema."

 

O poder da comunicação e a importância da batalha de ideias

"É necessário articular a diversidade para ganhar potência na comunicação. Em conjunto, podemos construir bastante coisa. Por outro lado, é preciso continuar o processo de alfabetização midiática da população, mostrando o modo nos quais operam os meios hegemônicos e o interesse antipopular que os impulsiona. “Os meios de comunicação são o ópio do povo” seria um aforismo adequado.

Temos que incluir nesse sistema de adormecimento midiático as redes sociais e as plataformas cinematográficas, que ajudam a semear veneno cotidianamente, fertilizando o terreno da manipulação. Ao mesmo tempo, temos de fortalecer iniciativas de comunicação próprias. Sem democracia na mídia e nas redes, também monopolizadas a nível mundial, é impossível falar em democracia real e plena. A batalha cultural é lenta e larga, mas é a única que garante mudanças sociais profundas e verdadeiras."

 

Autores e intelectuais do exterior assinaram um manifesto, lançado nesta terça-feira (16/10) por escritores, editores, livreiros e membros da indústria editorial, em apoio à candidatura presidencial de Fernando Haddad (PT). Nomes como o historiador norte-americano James Green, o linguista Noam Chomsky, dos EUA, e o filósofo esloveno Slavoj Zizek já participam da petição.

Fonte: Opera Mundi

A página que reúne as assinaturas descreve que o manifesto atua em “defesa da democracia, da cultura e da liberdade de expressão”. Entre os nomes do exterior que também subscreveram o texto, estão a escritora estadunidense Angela Davis, o sociólogo português Boaventura de Souza Santos, o geógrafo britânico David Harvey, o escritor cubano Leonardo Padura e o historiador francês Roger Chartier. 

Para ver e assinar a petição, clique aqui.

Leia o manifesto, na íntegra:

MANIFESTO DO LIVRO

Nós, escritores, editores, livreiros e trabalhadores da indústria editorial, declaramos nosso apoio à candidatura de Fernando Haddad para a Presidência da República. Professor, pesquisador, ministro da Educação e prefeito de São Paulo, Haddad demonstrou compromisso claro com valores que são essenciais para a vida intelectual e literária de um país democrático: a promoção do letramento e da democratização da vida escolar, a defesa intransigente da liberdade de opinião e a busca pela igualdade de vozes no debate político, cultural e pedagógico. Essa postura se traduziu em avanço na escolarização, na diversidade nas escolas – como a inclusão de pessoas com deficiência – e na ampliação do acesso à universidade. Seu programa de governo promete aprofundar essas mudanças essenciais para a democracia e a bibliodiversidade. Não podemos deixar de registrar, também, o risco de retrocessos que a candidatura opositora representa, ao apoiar projetos como o Escola sem Partido, que, a pretexto de instituir uma educação "neutra" - ficção em qualquer país do mundo -, visa a doutrinar os alunos com o que há de mais retrógrado e a introduzir a delação na atividade docente. Repelimos, ainda, a difusão incessante pelos meios digitais, especialmente o WhatsApp, de mentiras sobre Fernando Haddad e Manuela d’Ávila e a defesa da censura de livros e das restrições à liberdade de pensamento. Sendo assim, em favor da democracia duramente conquistada e de um país melhor e menos desigual, nosso voto não poderia ser outro. #LivrosContraEle #Haddad13 #FrenteDemocraticaJa #DitaduraNuncaMais #FascismoNao #EleNunca


Lista de signatários 

Ademir Assunção, poeta e jornalista

Alberto Schprejer, editor

Alex Niche Teixeira, editor

Alice Ruiz, poeta

Aluízio Leite, editor

Alysson Leandro Mascaro, filósofo do direito e escritor

Ana Cecilia Impellizieri Martins, editora

Ana de Leon, psicóloga e escritora

Ana Lasevicius, escritora e ilustradora

Ana Luísa Escorel, editora e escritora

Ana Paula Megiani, historiadora

André Albert, editor

André Conti, editor

André Sant’Anna, escritor

Andrea Werkema, crítica literária

Angel Bodjasen, editor

Angela Davis, filósofa e escritora estadunidense

Angela Meirelles, historiadora

Anibal Bragança, editor e escritor

Anita Leocadia Prestes, historiadora e escritora

Antonio do Amaral Rocha, editor

Arnaldo Antunes, poeta e músico

Arnaldo Branco, roteirista e cartunista

Augusto de Campos, poeta e tradutor

Bél Santos Mayer, escritora

Benita Prieto, escritora

Boaventura de Souza Santos, sociólogo e escritor português

Bruno Zeni, editor

Chico Bicudo, escritor

Chico Buarque, compositor e escritor

Cidinha da Silva, escritora

Cláudio Willer, escritor

Conceição Evaristo, escritora

Cristina Fernandes Warth, editora

Cynthia Sarti, editora

Dainis Karepovs, escritor

Daniel Chomski, livreiro

Daniel Louzada, livreiro

Daniela Gutfreund, editora e tradutora

David Harvey, geógrafo e escritor britânico

Daysi Bregantini, editora

Débora Thomé, escritora

Diléa Frate, escritora

Dirce Waltrik do Amarante, escritora

Dolores Prades, editora

Durval Noronha Goyos, escritor

Eda Nagaiama, escritora

Edelcio Mostaço, teatrólogo

Eder Cardoso, artista gráfico

Edith Derdik, escritora e artista plástica

Eliana Sá de Araújo, editora

Eliana Yunes, escritora

Eliane Robert de Moraes, escritora e professora

Elisa Ventura, livreira

Eric Nepomuceno, escritor e tradutor

Eunice Ostrensky, filósofa

Evanilton Gonçalves, escritor

Fabíola Faria, escritora

Felipe Lindoso, escritor e pesquisador

Fernando Carvall, ilustrador

Fernando Morais, jornalista e escritor

Frei Betto, escritor e teólogo

Flávia Garcia Rosa, editora

Flávio Carneiro, escritor

Flávio Gomes, historiador

Flávio Wolf de Aguiar, escritor

Florencia Ferrari, editora

Francisco Foot Hardman, escritor

Gabriel Perissé, professor e escritor

Galeno Amorim, escritor e jornalista

Gerson Ramos, editor

Gustavo Faraon, editor

Haroldo Ceravolo Sereza, jornalista e editor

Hebe Mattos, historiadora

Heitor Ferraz, escritor e professor

Henrique Rodrigues, escritor

Irineu Pérpetuo Franco, crítico musical

Isabella Marcatti, editora

Ivana Jinkings, editora

Jacqueline Sinhoretto, socióloga

Jamille Pinheiro Dias, tradutora

Janaína Teles, historiadora

Jéferson Assunção, escritor

Jessé Souza, sociólogo e escritor

Joana Monteleone, historiadora e editora

João C. Mendes, editor

Joice Berth, arquiteta

José Almeida Júnior, escritor

José Carlos Monteiro da Silva (Zeca), editor

José Castilho Marques Neto, professor e editor

José Luiz Passos, escritor

José Luiz Tahan, livreiro

José Xavier Cortez, editor e livreiro

Joselia Aguiar, jornalista e escritora

Jovelino Filho, psicanalista e escritor

Juarez Xavier, professor

Juca Kfouri, jornalista e escritor

Julia Wähmann, escritora

Julián Fuks, escritor

Juliana Borges, escritora

Juliano Garcia Pessanha, escritor

Julio Ludemir, escritor e diretor da Flup

Laura de Melo e Souza, historiadora

Laura Erber, escritora e professora

Laura Escorel, editora

Leonardo Neto, jornalista

Leonardo Padura, escritor cubano

Leonardo Soares, crítico literário

Leonardo Tonus, escritor e professor

Lilia Schwarcz, editora e historiadora

Lira Neto, jornalista e escritor

Luciana Hidalgo, escritora

Lucilia Siqueira, historiadora

Lucrecia Zappi, escritora

Luís Augusto Fischer, professor e escritor

Luis Fernando Verissimo, escritor

Luiz Antonio Simas, escritor

Luiz Bernardo Pericas, historiador, tradutor e escritor

Luiz Felipe Alencastro, historiador e escritor

Luiz Schwarcz, editor

Luize Valente, escritora

Maíra Nassif, editora

Manuel Herzog, escritor

Mara Cortez, livreira e editora

Marcello Quintanilha, quadrinista

Marcelo D’Salete, quadrinista

Marcelo Di Renzo, editor e jornalista

Marcelo Girard, artista gráfico

Marcelo Maluf, escritor

Marcelo Moutinho, escritor

Márcia Benetti, jornalista e professora

Marcia Denser, escritora

Márcia Leite, editora

Marcia Tiburi, filósofa

Marciano Ventura, editor

Marcio Pochmann, economista e escritor

Márcio Souza, escritor

Marcos Antonio Gama, delegado aposentado e escritor

Margareth Rago, escritora

Margarida Cougo, editora

Maria Antonia Pavan, livreira

Maria de Andrade, editora.

Maria José Silveira, editora e escritora

Maria Lucia Cacciola, professora

Maria Lucia Pallares-Burke, historiadora e escritora

Maria Luiza Ferreira Oliveira, historiadora

Maria Paula Gurgel Ribeiro, tradutora

Maria Rita Kehl, psicanalista e escritora

Maria Zenita Monteiro, bibliotecária

Mariana Ianelli, poeta

Mariana Warth, editora

Marianna Araújo, editora

Marilena Chauí, filósofa

Marina de Melo e Souza, historiadora

Marina Silva Ruivo, historiadora

Mário Augusto Medeiros da Silva, sociólogo

Marisa Lajolo, escritora

Menalton Braff, escritor

Michael Löwy, sociólogo

Miguel Conde, jornalista e crítico literário

Milton Hatoum, escritor

Miro Nalles, bibliotecário

Monica Leite Lessa, historiadora e escritora

Monica Stahel, tradutora

Mouzar Benedito, escritor

Natália Marcelli, tradutora

Noam Chomsky, linguista e escritor estadunidense

Nuno Ramos, escritor e artista plástico

Otilia Fiori Arantes, filósofa e escritora

Paloma Franca Amorim, escritora

Patrícia Melo, escritora

Paulo Eduardo Arantes, filósofo e escritor

Paulo Rams, escritor

Paulo Roberto Pires, jornalista e escritor

Paulo Werneck. editor

Pedro Paulo Sena Madureira, editor

Peter Burke, historiador britânico

Peter O’Segae, escritor

Raphael Montes, escritor

Raquel Menezes, editora

Raul Wassermann, editor

Regina Zappa, jornalista e escritora

Rejane Santos, editora

Renato Janine Ribeiro, filósofo e escritor

Renato Lessa, sociólogo e escritor

Ricardo Antunes, sociólogo e escritor

Ricardo Lísias, escritor

Ricardo Queiroz, bibliotecário

Ricardo Ramos Filho, escritor

Rodrigo Ciríaco, escritor

Rodrigo de Almeida, editor

Rodrigo Ferrari, livreiro

Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo, sociólogo

Rodrigo Lacerda, escritor e editor

Roger Chartier, historiador e escritor francês

Roger Mello, ilustrador e escritor

Rogério Chaves, editor

Rogério de Campos, editor

Ruy Braga, sociólogo e escritor

Samir Machado de Machado, escritor

Samuel Leon, editor

Sandra Espilotro, editora

Sérgio Rodrigues, escritor e jornalista

Silvio Luis Almeida, advogado e escritor

Simone Paulino, editora

Slavoj Žižek, filósofo e escritor esloveno

Suzana Vargas, professora e escritora

Tania Bessone, historiadora

Tito Montenegro, editor

Valentim Facioli, crítico literário e editor

Vera Saboya, escritora e editora

Veronica Stigger, escritora

Vitor Castro, editor

Volnei Canônica, editor

Wagner Santana, editor

Walfrido Warde, advogado e escritor

Wanda Caldeira Brant, tradutora

Yasmin Nigri, escritora

Ynaê Lopes dos Santos, historiadora e escritora

Zeco Montes, editor e livreiro

Inacreditável, impensável, surpreendente, fantástico! E vai botando adjetivo aí para descrever o que aconteceu na noite desta terça-feira (29) na Câmara dos Deputados: a aprovação, POR UNANIMIDADE, do Projeto de Lei de Proteção de Dados Pessoais. A proposta ainda não é lei, primeiro precisa passar pelo Senado e seguir os trâmites legislativos, mas a vitória nesta primeira fase já é motivo de muita comemoração.

Por Renata Mielli, em sua coluna na Mídia Ninja

Afinal, numa economia cada vez mais baseada na comercialização dos dados pessoais coletados pela internet, é um direito fundamental proteger a privacidade e garantir que cada pessoa decida se ela quer ou não ter seus dados coletados; se ela autoriza ou não o tratamento de seus dados; se sim para quê, por quem, em que condições e por quanto tempo.

Os deputados votaram e aprovaram o relatório apresentado na forma de substitutivo pelo relator, o deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP), ao PL 4060/2012 e que tinha apensados outros dois projetos, o 5276/2016 e o 6291/2016.

O deputado se debruçou principalmente sobre o projeto 5276, que foi um dos últimos encaminhados ao Congresso pela ex-presidenta Dilma Rousseff. Elaborado em paralelo e na mesma plataforma do Marco Civil da Internet, o projeto de Proteção de Dados Pessoais também contou na sua fase de elaboração com ampla participação social, na forma de mais de 2 mil contribuições por plataforma de consulta na internet. Quando chegou à Câmara, uma subcomissão especial foi criada para debater o tema. Dezenas de audiências públicas, seminários e reuniões foram promovidas por esta comissão nos últimos dois anos.

Seus dados são você!

O debate internacional sobre proteção de dados pessoais, em particular na era digital, tem sido objeto de preocupação de organismos de direitos humanos, estados e organizações sociais de todo o mundo.

Muitos países já possuem legislação específica sobre o tema e, os que não possuem, estão tratando de construir uma. Principalmente a partir da entrada em vigor do Regulamento Geral de Proteção de Dados (na sigla em inglês GDPR) no dia 25 de maio, cujo objetivo é “harmonizar as leis de dados por toda a Europa e empoderar a privacidade de todos os cidadãos, além de reorganizar a maneira como as companhias lidam com dados privados”.

Grifo o termo empoderar, não porque é uma palavra que anda na moda, mas porque neste caso específico tem um conteúdo fundamental: as pessoas desconhecem o funcionamento das aplicações e plataformas da internet, não sabem como elas coletam os dados, como tratam e usam. A relação entre as pessoas e essas “empresas digitais” é de hipossuficiência, porque nós, usuários, não temos na prática muita escolha ou poder sobre a prática destas empresas. Na esmagadora maioria das vezes, somos levados a aceitar os termos de uso e a política de privacidade, sob pena de não podermos usar os serviços. Por tudo isso e muito mais é que precisamos nos empoderar e esse empoderamento passa necessariamente pelo papel do Estado em regular, fiscalizar e quando for o caso, punir quem usar dados pessoais sem conhecimento e consentimento do titular, ou fazê-lo de forma abusiva e com propósitos diferentes dos permitidos.

Neste sentido, o projeto aprovado pela Câmara é muito positivo. Primeiro porque define os conceitos de forma bem específica, sem deixar margens para interpretações muito amplas do mercado para a definição de dados pessoais, sensíveis e anônimos. O projeto, também, é muito explícito sobre os direitos dos titulares sobre seus dados e sobre as formas de consentimento para a coleta e tratamento dos dados, exigindo que este seja feito de forma livre, informada e inequívoca e específica, ou seja, para determinadas finalidades.

Além disso, define as responsabilidades das empresas e inclusive as sanções nos casos de uso indevido. Estabelece regras para a transferência internacional de dados, faz distinção para tornar ainda mais rigoroso o uso de dados sensíveis (os que dizem respeito à raça, etnia, religião, posição política, dados de saúde, etc).

O relatório avança, ao incluir um capítulo para proteção de dados de crianças e adolescentes, que não estavam especificados nos projetos originais e, também, ao incluir no rol de regras de proteção dos dados pessoais, aqueles coletados e tratados pelos órgãos do Poder Público.

Para garantir a aplicabilidade da lei, o relatório apresentado detalha a criação, conforme já proposto no PL 5276/2016 do Executivo, de uma autoridade nacional de proteção de dados de caráter regulatório para acompanhar e fiscalizar a aplicação da lei.

Para chegar na redação final, houve muito diálogo e pressão da sociedade. E, aqui, cabe o registro essencial para o conjunto de organizações que integram a Coalizão Direitos na Rede. São entidades e ativistas das mais variadas áreas que se articularam para discutir temas de direitos na Internet e que priorizaram o trabalho em torno do projeto de dados pessoais. Entidades que atuam na luta pela democratização da comunicação, como o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), o Intervozes, o Barão de Itararé, a Artigo 19, entidades do direito do consumidor como Proteste e Idec, entidades específicas de luta em defesa dos direitos humanos na internet, como Coding Rights, Actantes, Coletivo Digital, Movimento Mega Não, Instituto Beta, Internet Sem Fronteiras, coletivos de especialistas, universidades e grupos de pesquisa, como o Instituto Tecnologia e Sociedade (ITS-Rio), a Rede latina-americana de Estudos sobre Vigilância, Tecnologia e Sociedade (Lavits), Grupo de Estudos em Direito, Tecnologia e Inovação do Mackenzie, Coolab, entre muitas outras, que já me desculpo por não citar aqui mas que podem ser acessadas no site da Coalizão.

Ter conquistado essa vitória na atual situação do Brasil é um grande feito! Afinal, desde o golpe que depôs uma presidente legitimamente eleita, impôs uma política econômica neoliberal de desmonte do Estado, da soberania e dos direitos sociais, e que atacou como há muito não se via a liberdade de expressão e direitos humanos fundamentais — como a própria vida — a sociedade brasileira não tem tido muito o que comemorar em termos de conquistas. Impedimos a aprovação da Reforma da Previdência, talvez a vitória mais emblemática contra as forças conservadoras, mas essa foi uma vitória no campo da resistência para barrar retrocessos. Já, a aprovação do PL de Dados está no rol de uma conquista nova, fruto da mobilização do movimento social.

Conseguimos com a nossa persistência e unidade aprovar um projeto equilibrado, protetivo, baseado em direitos fundamentais, entre os quais a liberdade de expressão e que, agora, passará por nova fase de debate, no Senado Federal. Devemos seguir firmes e unidos, porque assim podemos derrotar o golpe e alcançar novas conquistas!

Coalizão Direitos na Rede

Foi tão rápido que todo mundo ficou perdido. Mas é isso: o Projeto de Lei nº 4060/2012 foi aprovado ontem pela Câmara dos Deputados. 

Mas pera, qual? Esse é bom, é ruim? Que?

Explicamos. 

Existem dois PLs de dados pessoais correndo hoje no Congresso Nacional: o nº 4060/2012, da Câmara, e o nº 330/2013, do Senado. 

Desde março, os dois entraram em uma espécie de corrida para ver qual seria aprovado primeiro. O primeiro motivo é de contexto: o caso Cambridge Analytica, a pressão da sociedade civil contra o cadastro positivo e a necessidade de uma legislação sobre dados pessoais para a entrada do Brasil na OCDE deram gás na discussão. O segundo motivo é processual: a primeira casa legislativa a aprovar a lei é também a que pode dar a "última palavra" sobre seu conteúdo, o que dá maior controle sobre o texto final. 

Esse cenário levou o governo a acelerar a discussão e negociar a elaboração do texto da Lei com o Senado - por isso o PLS 330/2013 trazia exceções ao Poder Público, criticadas publicamente pela Coalizão Direitos na Rede em nota. 

A princípio, o PL do Senado estava na frente da corrida. O texto final ainda não estava público, mas a votação estava prevista para ontem à tarde, por conta de requerimento que aprovou sua tramitação em regime de urgência. 
Mas ontem à noite, o jogo virou. 

O Senado encerrou a sessão deliberativa mais cedo que o previsto e, nesse meio tempo, foi iniciada sessão extraordinária na Câmara, para análise do substitutivo do deputado Orlando Silva. Ciente das movimentações do Senado, ele também apresentou requerimento de urgência e costurou a aprovação do texto com diferentes partidos e setores interessados. 

Com isso, o PL da Câmara passou na frente e ganhou a corrida: foi aprovado, ontem à noite, por consenso! 

Certamente, a votação de ontem foi uma vitória para a sociedade civil e para a Coalizão Direitos na Rede. O texto é muito mais avançado que o do Senado: não prevê exceções ao Poder Público, tem uma melhor definição de legítimo interesse e um regime adequado de responsabilidade civil. Mas, claro, ainda há o que melhorar – em breve divulgaremos análise do conteúdo final 

Agora o Projeto seguirá para o Senado, onde pode sofrer novas modificações. Seguiremos acompanhando esse processo. 

#SeuDadosSãoVocê

Spike Lee evita mencionar o nome de Donald Trump, prefere chamá-lo de “agente laranja” ou, algumas vezes, de “filho da puta”. “Na minha cabeça soa melhor assim”, afirma, enquanto ri. É um ferrenho opositor das políticas do presidente americano, um duro ativista que costuma usar o nome da arma química utilizada pelos EUA na Guerra do Vietnã para se referir a Trump.

 

Suas palavras soam ainda mais contundentes em território mexicano e não muito longe da fronteira que Donald Trump se empenha em fortificar. Tijuana, que fica a norte de Los Cabos e faz fronteira com os EUA, será a porta de entrada da caravana migrante que tanto enfurece o presidente americano. “Que Deus os abençoe, vocês não estão fazendo nada de errado”, afirma Lee.

Por Víctor Usón, no El País

Ele lança dardos envenenados contra o presidente americano e lhe faltam adjetivos para definir sua política migratória. “Separar as mães de seus filhos é algo diabólico, uma barbárie”, assinala, concentrando sua esperança em que isso não ocorra depois da iminente chegada dos mais de 6.000 centro-americanos que se dirigem para o posto fronteiriço de Tijuana. “Só tentam ter uma vida melhor e estão fazendo um grande sacrifício para conseguir”, recorda Lee.

Mas sua cruzada não é dirigida apenas contra Trump, ela se estende por todo o planeta: “Não é só o agente laranja, o do Brasil [o presidente eleito Jair Bolsonaro] é igualmente ruim. Ocorre em nível global. Temos de combater essas pessoas”. A vitória de Jair Bolsonaro e o avanço de partidos populistas na Europa o levam a ficar em alerta para a chegada de velhos fantasmas do passado. “Usam o medo das pessoas. Isso não é novo, é a forma como o fascismo costuma jogar”, sustenta o cineasta.

De fato, seu último filme esconde uma mensagem para os racistas do mundo e em especial para o republicano Donald Trump. Infiltrado na Klan, exibido pela primeira vez no México durante o Festival de Los Cabos, conta a incursão de um agente negro em um grupo supremacista branco dos Estados Unidos nos anos setenta.

Uma história baseada em fatos reais que, embora viaje 40 anos no tempo, está perfeitamente relacionada com o que ocorreu em Charlottesville, no Estado de Virgínia, em 2017. Naquela ocasião, uma pessoa morreu e 19 ficaram feridas quando um carro avançou contra uma multidão que protestava contra uma manifestação de supremacistas brancos que era realizada na cidade. No filme, Lee deixa em evidência o atual presidente ao incluir as declarações que Trump fez após as manifestações em Charlottesville. Em declarações à imprensa, o presidente não quis mencionar o racismo nem condenar o supremacismo, limitando-se a condenar “a violência de muitas partes”.

“Em 2020 [com as eleições presidenciais nos EUA] haverá um referendo sobre para onde queremos que caminhe nosso país”, destaca o cineasta. “Teremos de escolher entre o ódio e o amor. Aí se verá a alma dos Estados Unidos.”

Spike Lee sabe claramente de que lado está nas batalhas. Responde sempre alto e forte e nunca deixa dúvida com suas palavras. Não hesita quando ele mesmo se pergunta se torce pelo Real Madrid ou pelo Barcelona. Afirma contundente que seu time é o Barça. Também não titubeia quando diz ser partidário da independência catalã. “Sí, sí, sí”, responde, com insistência e em espanhol, durante a entrevista.

Símbolo da luta pela democracia e contra as desigualdades no Brasil, Waldir Pires e sua trajetória serão tema de debate na terça-feira, 31 de julho, a partir das 19h, em São Paulo. Por ocasião do lançamento do livro Waldir Pires: Biografia Vol. 1, de Emiliano José, o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé promove debate com as presenças do autor da obra, do jornalista Bob Fernandes, do deputado federal Paulo Teixeira, além de Isabel dos Anjos Leandro (Fundação Perseu Abramo) e Renata Mielli (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação).

A entrada é gratuita. Para garantir seu lugar, basta preencher o formulário de inscrições aqui.

A Fundação Perseu Abramo transmite ao vivo, com reprodução na página do Barão de Itararé (www.facebook.com/baraomidia).

Falecido no dia 22 de junho de 2018, aos 91 anos, Waldir Pires chegou a participar do lançamento do livro em Salvador, oito dias antes de sofrer uma parada cardiorrespiratória. Seu legado, entretanto, segue vivo - o "primeiro tempo" de sua contribuição à luta política no Brasil é contado neste primeiro volume da biografia, assinada pelo jornalista Emiliano José, outro grande militante baiano. Nesta parte da publicação, que será lançada em São Paulo no dia 31 de julho, é dado destaque à formação intelectual e política de Waldir Pires, além de sua participação no governo João Goulart, o exílio no exterior - em abril de 1964, Pires embarcou em um monomotor, em Brasília, ao lado de Darcy Ribeiro, rumo ao Uruguai, de onde seguiu para a França - e o retorno ao Brasil em 1970.

Em reportagem publicada pela CartaCapital, Emiliano José declarou que "Waldir era um democrata inamovível, convicto, mas nunca deixou de entender que ela só faria completo sentido se estivesse a serviço do combate à desigualdade". O biógrafo também falou sobre vitórias eleitorais de Pires e seu papel na denúncia do golpe de 2016.

Faça a sua inscrição gratuita para o debate: https://doity.com.br/waldir-pires

O coletivo "Futebol, Mídia e Democracia" lançou uma nota de repúdio à medida adotada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro em parceria com o Gepe e o consórcio Maracanã que implantaram um setor de 2 mil lugares para as torcidas organizadas. Um setor cercado de grades que mais parece uma prisão para isolar todas as torcidas do resto dos torcedores "comuns".

Confira a nota e abaixo as torcidas, movimentos, coletivos e demais entidades que assinam o documento:

Não seremos enjaulados!

Em nota, viemos aqui dar um recado a respeito da decisão de isolar torcidas organizadas nos estádios do Rio de Janeiro.

Essa medida absurda começa com um cadastro realizado junto ao MP/RJ e o Grupamento Especial de Policiamento em Estádios (GEPE, da PM do Rio), onde ambos definem e aceitam, ou não, o que é uma torcida. Isso passa por diversas exigências para se colocar apenas uma bandeira no estádio, e culmina agora em um setor do Maracanã para as organizadas. Um setor isolado, cercado de grades, igual a um presídio.

Já está muito claro que essas medidas são na verdade higienistas: “limpam” os estádios, segregam os pobres e vão elitizando cada vez mais nossos espaços populares. Nenhuma medida dessas, acima citadas, resolve a questão da violência. Pelo contrário: por marginalizar os torcedores, é criado um ambiente hostil que, obviamente, aumenta a violência.

As brigas continuam, as pessoas continuam morrendo, a impunidade continua, os preços dos ingressos só aumentam, as tensões nos estádios nunca foram tão grandes, porque nunca foi tão difícil torcer; e até hoje, não se sabe de um só policial preso por abuso de autoridade nos estádios, e sabemos que isso ocorre aos montes. Mas preferem fechar os olhos e nos enjaular.

A violência se agravará, mais pessoas serão excluídas, e qualquer lembrança de um Maracanã popular acaba de vez. Agora o teatro está concluído: se antes nos comercializavam com vídeos de nossas festas e músicas, agora somos descartáveis. A prioridade são setores mais caros nos estádios, atraindo um público ainda mais elitizado, apático e frio. A burocratização da festa prejudica o espetáculo, é mais uma etapa da criminalização da cultura torcedora.

Ao invés de segregação, propomos que os governos, Ministério Público, Polícia Militar e outros agentes que organizam o futebol dialoguem e debatam com os torcedores, para construir em conjunto um planejamento que melhore a segurança e a organização dos jogos sem violar direitos, sem reprimir e sem atacar a cultura de festa dos torcedores brasileiros.

Torcer não é crime, nem o torcedor é um bandido!

Não aceitaremos calados sem luta! Não seremos enjaulados! Liberdade para as torcidas e para os torcedores! O futebol é do povo!

#LiberdadePraTorcer

Assinam esta nota:

TORCIDAS E ENTIDADES

Anatorg (Associação Nacional de Torcidas Organizadas)
Associação Avante Fantasma (Operário Ferroviário/PR)
Associação Esportiva Araguaia
Avante Santa Cruz - Portão 10 (Santa Cruz/PE)
B16 - Bangu Antifascista
Brava Ilha - Saída 3 (Sport/PE)
Brigada Marighella (Esporte Clube Vitória/BA)
Brigada Popular Alvirrubra (Náutico/PE)
Castores da Guilherme (Bangu/RJ)
Centro Acadêmico Caio Júnior - Futebol - Faculdade Carlos Drummond de Andrade (SP)
Coletivo Democracia Corinthiana
Coletivo Democracia SantaCruzense (Santa Cruz/PE)
Coletivo Dino Colli (Operário Ferroviário/PR)
Coletivo Futebol, Mídia e Democracia
Coletivo INTERfeminista (Internacional/RS)
Comando Rasta do Cruzeiro
Coral Antifa (Santa Cruz/PE)
Esquerda Botafoguense (Botafogo/RJ)
Feminino Portão 7 (Internacional/RS)
FFC - Força Feminina Colorada (Internacional/RS)
Flamengo Antifascista
Frente Esquadrão Popular (Esporte Clube Bahia/BA)
Frente Vitória Popular (Esporte Clube Vitória/BA)
Grêmio Antifascista
Grêmio Recreativo Torcida Organizada Máfia Azul (Cruzeiro/MG)
Inter Antifascista (Internacional/RS)
Leões de Sampa (Sport/PE)
Máfia Azul - Comando Guerreiro do Eldorado
Meca Antifa (América/PE)
Movimento Coralinas (Santa Cruz/PE)
Movimento Popular Coral (Santa Cruz/PE)
Mulheres de Arquibancada
Ocupa Palestra (Palmeiras/SP)
O Povo do Clube (Internacional/RS)
Palmeiras Antifascista
Punk Santista (Santos/SP)
Resistência Azul Popular (Cruzeiro/MG)
Setor 2 (Juventus/SP)
Teóricos do Futebol
Torcida Alcoolizada Cachazeiros (Cruzeiro/MG)
Torcidas Antifas Unidas
Torcida Antifascista Sport
Torcida Bolche FLA (Flamengo/RJ)
Torcida Independente Garra Tricolor (Esporte Clube Bahia/BA)
Torcida Jovem Fanáutico (Náutico/PE)
Torcida Organizada Bamor (Esporte Clube Bahia/BA)
Torcida Uniformizada Garra Alvinegra (Americano/RJ)
Torcida Organizada Raça Coral (Santa Cruz/PE)
Torcida Pavilhão Independente (Cruzeiro/MG)
Torcida Santos Chopp (Santos/SP)
Torcida Trem Fantasma (Operário Ferroviário/PR)
Torcida Uniformizada do Palmeiras - TUP
Torcida Tulipas Vascaínas (Vasco/RJ)
Tribuna 77 - GFBPA (Grêmio/RS)
Turma do Chico Leone - 515 (Palmeiras/SP)

INDIVIDUAIS:

Anizio Silva (@tuitdosantinha)
Lu Castro - Jornalista
Marcelo Moisés - Presidente da TUP (Torcida Uniformizada do Palmeiras)
Maria da Penha - Ex-presidente da Torcida Organizada Tulipas Vascaínas

En respuesta a la ofensiva del gobierno de Mauricio Macri, en Argentina, que pretende tranformar los clubes de fútbol en sociedades anónimas deportivas (SAD), hinchas argentinos están dejando de lado la rivalidad para resistir al inminente ataque contra el fútbol local. En solidaridad a la lucha de los hinchas del país hermano, aglutinados en la Coordinadora de Hinchas, el Coletivo Futebol Mídia e Democracía y diversas organizaciones publican nota este lunes 9 fortaleciendo el movimiento de protesta de los vecinos y recordando que la ofensiva contra el fútbol democrático y popular no es exclusividad de un solo lado de la frontera.

Lea la nota integra abajo o haga click para la versión en portugués:

NOTA DE APOYO DE LOS HINCHAS BRASILEROS A LOS HINCHAS ARGENTINOS

“NO A LAS SAD!”

Parte de un efervecente movimiento de hinchas, activistas, comunicadores sociales y militantes en lucha por un fútbol más democrático y popular en Brasil, nos solidarizamos con la lucha correspondiente de nuestros hermanos argentinos aglutinados en torno a la Coordinadora de Hinchas.

Concientes de la grave amenaza del entendimiento del futbol como patrimonio cultural de nuestros pueblos, manifestamos nuestro absoluto repudio a la propuesta de transformar los clubes de futbol en sociedades anónimas deportivas (SAD). Para nosotros la envestida mercantilista en curso en Argentina usa armas diferentes, pero tiene el mismo objetivo que combatimos en Brasil: la extinción de la cultura del tablón, la exclusión de los pobres de las canchas, la manutención y ampliación del poder de los dueños del deporte mas popular de nuestros países, además de la reducción de uno de los elementos culturales mas importantes de nuestro continente en un producto meramente mercantilista, mediático y estéril.

Para nosotros, el proyecto en curso en Argentina no puede ser comprendido como un hecho aislado. Se trata de una ficha mas en el tablero que atenta contra nuestro fútbol. En este escenario, creemos que es indisociable del proyecto en curso en Argentina, el proceso de elitización de las tribunas vigente en Brasil a través de entradas caras y cada vez mas inaccesibles para los ciudadanos de más bajo sueldo; el poder sin limites de dirigentes de las instituciones que mandan en el fútbol a nivel nacional y continental; y la actuación de los monopolios mediáticos, que atropellan a los hinchas, a la sociedad civil organizada y a la democracia con sus intereses económicos y de clase.

Pero además de nuestro esfuerzo actual, emprendido en la campaña “Ingresso Caro Não! [No a las entradas caras]”, una pauta urgente para los hinchas de todos los clubes brasileros, también alertamos que hay en curso un proyecto real de transformación de nuestros clubes en empresas, retomando los objetivos de la fracasada “ley Pelé” (1998). La amenaza de transformación de los clubes brasileros en empresas también es real.

Saludamos el esfuerzo de los hinchas del país vecino en sobreponer la importancia de esas luchas por encima de la rivalidad entre clubes, tarea difícil, que exige maduración y que también estamos enfrentando en Brasil. Así como nuestra resistencia abraza todas las banderas, ella también debe transcender fronteras.

Firman abajo las organizaciones de hinchadas brasileras que luchan por la democracia en nuestros clubes y nuestras tribunas.

Fútbol, Fiesta Popular!

Firman:

Coletivo Futebol, Mídia e Democracia

Coletivo Democracia Corinthiana - SC Corinthians P

Coletivo Democracia Santacruzense - Santa Cruz FC

Frente Vitória Popular - EC Vitória

Flamengo da Gente - CR Flamengo

Movimento Clube do Povo - ABC Futebol Clube

Massa e Raça 88 - EC Bahia

Movimento Ocupa Palestra - SE Palmeiras

Resistência Azul Popular - Cruzeiro EC

O Povo do Clube - SC Internacional

Associação Nacional das Torcidas Organizadas (Anatorg)


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