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No último dia 11 de abril, o fundador do Wikileaks Julian Assange completou dois anos em uma prisão no Reino Unido. O pedido de sua extradição para os Estados Unidos foi negado por uma corte britânica, em 4 de janeiro; em seguida, os promotores que representam os Estados Unidos apelam em tribunais superiores contra a decisão. Assim, o ativista segue em prisão preventiva em Londres.

Do Brasil de Fato

Apesar de Assange não enfrentar nenhum processo criminal no Reino Unido, os tribunais britânicos mantêm a decisão de mantê-lo detido na prisão de segurança máxima de Belmarsh.

E a administração Joe Biden continua a seguir a política da era Trump de processar Assange e o Wikileaks por expor os crimes de guerra dos EUA no Iraque e no Afeganistão.

Em meio a esse cenário, ativistas, movimentos, organizações internacionais e figuras públicas continuam a denunciar a perseguição contra Assange. Vigílias e manifestações foram realizadas na Inglaterra e em outras partes do mundo no último domingo (11), em solidariedade com o ativista. Os eventos ocorreram do lado de fora da prisão de Belmarsh, do Tribunal da Magistratura de Westminster, onde foi negada várias vezes a fiança a Assange, e na Embaixada do Equador em Londres.

Segundo o Morning Star, eventos similares estavam agendados em Glasgow, nos EUA, México, Alemanha, Austrália e Canadá, entre outros, para protestar contra o que a colega de Assange e editora-chefe do Wikileaks, Kristin Hraffnson, chamou de "ultraje e uma farsa da Justiça".

Em declaração para a Associação de Imprensa, Hraffnson acrescentou: "Já se passaram dois anos de encarceramento, isolamento e tortura psicológica, tudo por expor crimes de guerra no Iraque e no Afeganistão, o mesmo jornalismo pelo qual Julian foi aplaudido em todo o mundo e nomeado para o Prêmio Nobel da Paz".

Sentimentos semelhantes foram ecoados por jornalistas, defensores da liberdade de imprensa e grupos progressistas em todo o mundo. O jornalista Glenn Greenwald chamou a prisão de "o mais grave e mais perigoso ataque do governo dos Estados Unidos à liberdade de imprensa dos últimos cinco anos".

:: Leia mais: Justiça britânica nega liberdade condicional de Assange sob pagamento de fiança ::

Preocupações sobre a deterioração da saúde física e mental de Assange afligem as organizações. Essa situação foi motivo para o tribunal de Londres rejeitar sua extradição, contudo, ela só vem piorando dentro de Belmarsh, em meio à pandemia da covid-19. Esse elemento é apontado como motivo para uma fiança a favor do ativista.

Em novembro de 2020, um grande surto de covid-19 ocorreu em Belmarsh e foi relatado por familiares e pessoas próximas a Assange.

Durante o julgamento de extradição, testemunhas especializadas apontaram, repetidamente, que Assange corre risco de suicídio se a ameaça de extradição continuar a surgir. Sua família e advogados têm apontado que ele foi colocado sob um bloqueio virtual em Belmarsh, com pouco ou nenhum espaço para que ele se encontre sua família, advogados ou até mesmo com os presos no bloco prisional.

Em uma declaração divulgada pela ONG Repórteres sem Fronteiras (RSF), a diretora de Campanhas Internacionais, Rebecca Vincent, criticou os governos dos EUA e do Reino Unido e chamou a decisão de negar a fiança a Assange de "passo desnecessariamente cruel". A RSF foi uma das poucas organizações que foram liberadas para acessar com observadores aos processos de extradição e julgamentos de Assange e afirma ter "documentado amplas barreiras à justiça aberta".

"As questões de saúde mental que foram motivo para impedir sua extradição só se aprofundarão com a detenção prolongada, e sua saúde física também permanece em risco. Essa decisão é a última de uma longa linha de medidas desproporcionalmente punitivas contra Assange", acrescentou Vincent. O RSF também mudou sua bandeira para incluir uma mensagem Free Assange.

:: Caso Assange: veja a cronologia dos acontecimentos desde as primeiras denúncias ::

Na Austrália, país de origem de Assange, uma grande campanha está em andamento para conseguir a intervenção do governo do país no caso. O governo do conservador Scott Morrison tem sido acusado de demonstrar pura indiferença, mesmo quando vários parlamentares australianos - tanto do bloco governante quanto da oposição - exigiram a assistência consular ao ativista, que tem sido negada até o momento.

A família de Assange também tem trabalhado incansavelmente na defesa do filho. Entre fevereiro e março deste ano, o pai de Assange, John Shipton, liderou uma turnê "Home Run For Julian" pela Austrália para reunir apoio para a campanha de sua libertação.

Enquanto isso, Stella Moris, noiva do ativista, também divulgou uma declaração, na página de arrecadação de fundos para a assistência jurídica de Assange, chamando para que as pessoas participassem das vigílias e manifestações de domingo, para relembrar a gravidade do caso.

"Relembre às pessoas que Julian publicou informações porque defende o direito das pessoas de saber o que o governo faz em seu nome. Lembrar-lhes que ele não fez nada de errado e colocá-lo na prisão é criminalizar o jornalismo. Lembre-os que ele tem uma família e que ele está sofrendo", escreveu Moris.

*Publicado originalmente no Peoples Dispatch.

Edição: Peoples Dispatch

Em fevereiro de 2020, a Associação Nacional dos Profissionais de Relações Internacionais (ANAPRI) e a Associação de Pós-Graduandos do PROLAM/USP, em parceria com o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, realizaram um debate sobre os impactos do coronavírus e da desinformação na China e na América Latina. Um ano e quase 300 mil mortos depois, os especialistas que se reuniram presencialmente naquele fevereiro de 2020, com a pandemia ainda por estourar no Brasil, reúnem-se - virtualmente - para dar sequência na discussão.

A live, que acontence nesta quarta-feira (24), às 19h, contará com a participação de Alexandre Padilha (médico, ex-ministro da Saúde, ex-secretário de Saúde da Cidade de São Paulo e deputado federal pelo PT-SP), do advogado Thomas Law (diretor presidente do Instituto Sociocultural Brasil-China - Ibrachina), da mestre Maria José Haro (Assessora/Subsecretaria de Relações Internacionais de Tucumán e mestre pela Universidade de Renmin, na China), do Embaixador Pedro Monzón Barata, Cônsul-Geral de Cuba em São Paulo, e de Mônica Valente, secretária executiva do Foro de São Paulo.

Assista ao vivo, a partir das 19h:

"O debate de 2020 aconteceu às vésperas de a pandemia se alastrar no Brasil. Foi o primeiro debate sobre o tema com especialistas no assunto, em meio à propaganda de fake news e desinformação, sobretudo por integrantes do Governo Federal, contra a China e as autoridades do país asiático", explica Chico Denis, internacionalista, vice-presidente da ANAPRI e doutorando pelo Programa de Integração da América Latina (PROLAM/USP). Responsável pela mediação da atividade, ele acrescenta que a proposta  do diálogo, na primeira ocasião, era de alertar e informar sobre o perigo de tratar a pandemia com mentiras e distorções, apelando para o racismo e o discurso de ódio.

"A importância deste novo debate é relembrar que as orientações recomendadas justamente por autoridades de países como China, Cuba e instituições como a própria Organização Mundial da Saúde (OMS), além do próprio ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha, poderiam ter evitado o trágico cenário no qual o Brasil se encontra hoje", sublinha "Neste novo encontro, discutiremos o quadro do combate à pandemia na América Latina e a situação da China e, a partir disso, pensarmos como podemos contribuir para o enfrentamento da pandemia e da desinformação aqui no Brasil".

Reveja a íntegra do debate de fevereiro de 2020:

Confira a convocatória para o evento de 24 de março de 2021 a seguir:

Há um ano, ocorria este mesmo debate para discutir as implicações econômicas, sociais e culturais da chegada da COVID-19 no Brasil e em toda a América Latina, assim como alertar sobre o combate às fake news e ao preconceito contra a China na sociedade brasileira.

Agora, completando um ano de pandemia, com mais de 280 mil vítimas perdidas para a COVID-19 e um processo de vacinação ainda lento, na próxima quarta-feira (24/03), às 19:00​hs, a Associação Nacional dos Profissionais de Relações Internacionais (ANAPRI), com apoio do Centro de Estudos da Mídia Alternativa “Barão de Itararé”, TV 247 e Instituto Sociocultural Brasil-China convidam a todas e todos para a webnar: 1 ano de Pandemia: Implicações no Brasil e na América Latina”.

O encontro contará com a presença de Mônica Valente, secretária executiva do Foro de São Paulo, de Alexandre Padilha, médico, ex-ministro da saúde, ex-secretário de saúde da Cidade de São Paulo e deputado federal (PT-SP), do advogado Thomas Law, diretor presidente do Instituto Sociocultural Brasil-China (Ibrachina), da mestre Maria José Haro, Assessora/Subsecretaria de Relações Internacionais de Tucumán e mestre pela Universidade de Renmin (China), do Embaixador Pedro Monzón Barata, Cônsul-Geral de Cuba em São Paulo.

A mediação será feita por Chico Denis, internacionalista, vice-presidente da ANAPRI e doutorando pelo Programa de Integração da América Latina (PROLAM/USP).

Cronograma:

1. Boas-vindas e agradecimentos – Chico Denis (2 min) - 19h05min
2. Palavras de Alexandre Padilha - (10 minutos) - 19h07min
3. Palavras de Mônica Valente – (10 minutos)- 19h17min
3. Palavras do Embaixador Pedro Monzón (10 minutos)- 19h27min
4. Palavras de Thomas Law –(10 minutos)- 19h37min
5. Palavras de Maria José Haro (10 minutos)- 19h47min
6. Perguntas do público (até 5 perguntas e 2 minutos para respostas)- 19h57min
7. Encerramento – Chico Denis (2 minutos)- 20h30

Relatório publicado pela Anatel mostra que o Brasil figura como um dos países com maior carga tributária nos serviços de telecomunicações do mundo. O documento de fevereiro deste ano, elaborado pela assessoria técnica da agência a partir de dados da União Internacional de Telecomunicações (UIT), apresenta uma comparação internacional do nível de carga tributária e dos custos das cestas de serviços ofertados pelas operadoras ao mercado brasileiro. Na telefonia móvel, por exemplo, o Brasil é o quarto país com a maior carga tributária do serviço no mundo.

Por Marcos Urupá, no TeleTime

O relatório mostra que de 2019 para 2020 a carga tributária média no Brasil aumentou 0,4%, e aponta como fatores o aumento do ICMS médio nacional em 0,22% devido aumento de alíquota de um estado da Federação e a nova ponderação dos estados em função de alteração da quantidade de acessos. Dessa forma, a incidência tributária no preço final pago pelo consumidor nos serviços de telecomunicações fica na média 43,6%.

Na telefonia móvel, o Brasil figura em quarto lugar na lista dos dez países com maior carga tributária no serviço. Apenas Burandi, Jordânia e Egito, respectivamente com 52%, 46% e 43% superam o Brasil. Isso coloca o país o grupo dos 5% de países com maior carga tributária na telefonia móvel. Na banda larga fixa, o país figura em primeiro na lista de 10 países com tributação mais elevada no serviço, com uma incidência de 40,2%.

Cesta de serviços

No quesito cesta de serviços, o Brasil obteve uma relativa melhora, segundo o relatório da Anatel. Na telefonia móvel o Brasil estava na 83ª posição e subiu para a 63ª. Em banda larga fixa o Brasil evoluiu da 75ª para a 45ª posição. Na categoria poder de mercado, o Brasil é o 6º maior mercado em telefonia móvel no mundo e o 5º maior mercado nacional em banda larga fixa. Internamente, São Paulo tem 31,26% do mercado nacional telecomunicações e Minas Gerais tem 9,62% do mercado. Os demais estados respondem por cerca de 60% do mercado de consumo interno dos serviços de telecomunicações.

Apesar dessa melhora brasileira o estudo da Anatel reconhece que os custos das cestas de serviços, tanto em telefonia móvel quanto em banda larga fixa, praticamente não se alteraram, considerando os dados de 2018 e 2019 da UIT, pois é observada uma consistente queda dos preços das cestas de serviços medidas pela UIT, tanto por PIB per capita quanto por US$ em paridade de poder e compra (PPC). O relatório mostra que essa tendência permanece para os dados de 2019, mesmo com algumas alterações nas cestas de serviços da UIT.

Desde 2018, a cesta de serviços utilizadas pela UIT para fazer a comparação de preços e do ranking dos países sofreu algumas alterações para melhor adequar o desenvolvimento do setor de telecomunicações, diz o estudo.

Para banda larga fixa, os dados de 2008-2017 referiam-se a uma cesta de serviços de banda larga fixa com uma utilização mensal de dados de no mínimo 1 GB. Os dados de 2018 em diante referem-se a uma cesta de banda larga fixa revisada com um uso mensal de dados de no mínimo 5 GB.

Para telefonia móvel, as cestas foram repensadas pela UIT. Os dados de 2008-2017 referem-se a uma cesta de celular móvel com uma utilização mensal de 30 chamadas por mês, para linha fixa, em horários de pico e fora de pico em taxas pré-determinadas, e com mais 100 mensagens SMS. Já para 2018 em diante os dados referem-se a uma cesta revisada de celular de baixa utilização com um uso mensal de 70 minutos e 20 SMS em média.

Além disso, foram acrescentadas e alteradas outras cestas, como uma com o perfil de baixo consumo, mas com um pacote adicional de dados de 500 MB, outra de dados moveis, com mudança do perfil de 1GB para 1,5 GB e uma terceira, que se referem a uma cesta de dados e voz, de alta utilização, com um consumo mensal de 140 minutos de voz, 70 SMS e 1,5 GB.

Confira o relatório na íntegra aqui.

O Projeto de Lei 865/19, que autoriza o uso da tecnologia de reconhecimento facial (TRF) nas estações de Metrô e Trens Metropolitanos (CPTM), foi aprovado pela Assembleia Legislativa no dia 10 de fevereiro e aguarda a sanção do governador de São Paulo, João Dória (PSDB/SP).

Se sancionado, a instalação de câmeras de reconhecimento facial trarão riscos importantes para a privacidade dos cidadãos, abrindo espaço para uma vigilância massiva da sociedade e ameaçando direitos fundamentais, além de a adoção de TRF ter alto potencial de gerar práticas discriminatórias.

A Nota Técnica do Laboratório de Políticas Públicas e Internet (LAPIN), assinada pelo Instituto Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS-Rio), pela Access Now e pelo Barão de Itararé, somados a outras entidades, detalha os perigos envolvendo o PL, apontando a sua inconstitucionalidade e pedindo o veto total ao texto.

Leia na íntegra a seguir. Convocamos a outras organizações que apoiem o pedido de veto ao PL e subscrevam, aqui, a nota técnica

Nota técnica | Pelo veto do Projeto de Lei nº 865/19

Na noite desta terça-feira (15), o cineasta Silvio Tendler esteve reunido com amigos do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé de diversos estados do país para compartilhar sua mais nova iniciativa de resistência e enfrentamento aos retrocessos promovidos pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido): a criação dos Estados Gerais da Cultura, no centro de um amplo movimento em defesa de "um novo mundo possível".

"Eu tenho 70 anos de idade. No início da ditadura eu era um jovem e naquela época já me comovia com a resistência organizada principalmente por artistas e jornalistas", comenta Tendler. O cineasta conta que participou do movimento cineclubista, bastante ativo no período. No governo Bolsonaro, Tendler resolveu transformar sua indignação em ação e, assim, lançou um manifesto de chamado à luta que juntou mais de 250 pessoas já na primeira reunião, organizada de forma online por conta da pandemia. "Não aguentava mais a catatonia que estávamos vivendo", desabafa.

Assista na íntegra ao papo, com intervenções de nomes como Hildegard Angel, Jamil Murad, Roberto Amaral, Bete Mendes e Tadeu di Pietro:

"Estados Gerais da Cultura é um movimento coletivo, autônomo e independente, para atuar na construção do futuro; somos os verdadeiros protagonistas da nossa história. Que futuro queremos no mundo que emergirá da pós-pandemia? Um mundo solidário em que a centralidade seja o ser humano e a natureza ou continuaremos reféns do cassino financeiro? A reconstrução do Ministério da Cultura é apenas um primeiro passo necessário para o restabelecimento da nossa unidade como agentes culturais.", afirma o manifesto.

Atualmente, no sétimo encontro, o movimento está em pleno funcionamento e cresce a cada dia chegando a reunir mais de 500 pessoas nas lives do YouTube, onde os encontros ocorrem agora, após ataques bolsonaristas sofridos nas salas de videoconferência organizadas para as assembleias. O contratempo não abala a vitalidade da iniciativa, segundo Tendler, "com arte, ciência e paciência mudaremos o mundo".

Na reconstrução do novo mundo possível, sobram ideias, como a criação das "Forças Amadas", a "Escola Superior de Paz" e a substituição do Produto Interno Bruto pelo "Índice de Qualidade de Vida da População" para medição da riqueza do país. "Se um Coronel pode comandar a Funarte, eu vou me candidatar a comandar um submarino nuclear", diz Tendler. 

 

O fascismo odeia a cultura. Prova disto é a política de terra arrasada imposta por Jair Bolsonaro. Em mais uma ação contra o setor, o laranjal decidiu agora cortar R$ 36 milhões de cinco órgãos ligados à Secretaria da Cultura, hoje dirigida pelo picareta Mario Frias. O corte pode ser fatal para estes órgãos.

Segundo reportagem da Folha, "o Ministério da Economia bloqueou ao menos R$ 36 milhões de cinco órgãos da Cultura. Segundo pessoas ligadas à área cultural, isso pode inviabilizar a realização de diversos projetos". A planilha obtida pelo jornal evidencia a gravidade dos cortes orçamentários.

A Fundação Nacional de Artes (Funarte) teve o maior bloqueio de verbas – de R$ 13,5 milhões. Em seguida aparecem a Fundação Biblioteca Nacional (corte de R$ 11,7 milhões); Instituto Brasileiro de Museus (R$ 10,4 milhões); Fundação Cultura Palmares (R$ 1,2 milhão); e Fundação Casa de Rui Barbosa (R$ 122,8 mil).


“O dinheiro sumiu”

“Servidores da Funarte afirmam que o bloqueio é ainda maior do que o divulgado na planilha, sendo de R$ 14,7 milhões. Segundo eles, esse bloqueio irá comprometer todo o planejamento da instituição e inviabilizar projetos, como a Bolsa Funarte de Estímulo à Conservação Fotográfica Solange Zúñiga”, descreve o jornal.

Parlamentares da oposição já informaram que questionarão os cortes. Segundo a deputada Maria do Rosário (PT-RS), vice-presidente da Comissão de Cultura da Câmara Federal, não houve publicação de nenhum decreto ou portaria para realizar o bloqueio. Ela afirma que “o dinheiro, que já estava na conta, sumiu”.

Já Sérgio de Andrade Pinto, presidente da Associação de Servidores do Ministério da Cultura (Asminc), afirma que o bloqueio inviabilizará o setor. “A área da cultura já tem sido muito prejudicada pelo reducionismo da sua estrutura. A evasão de recursos irá piorar esse quadro.”

Redução drástica no Orçamento

Na prática, o laranjal fascista investe abertamente para destruir a cultura. Enquanto Mario Frias, o quinto canastrão a ocupar a tal Secretaria Especial, faz vídeo patético sobre os “heróis nacionais” e ameaça o humorista Marcelo Adnet, a dupla Bolsonaro-Guedes vai cortando recursos para o setor.

E o pior ainda está por vir. Segundo informa Jotabê Medeiros, na revista CartaCapital, o Orçamento de 2021 apresentado pelo governo prevê um corte de 78% na verba destinada à cultura. “A proposta enviada ao Congresso prevê redução de recursos da ordem de R$ 9 bilhões (de R$ 11,6 bi em 2020 para 2,5 bi em 2021, mais de 80%) no orçamento do Ministério do Turismo, ao qual a Secretaria Especial da Cultura é vinculada”.

“Se essa orientação se confirmar, será o colapso total de museus, fundações, política audiovisual, patrimônio histórico, entre outros setores”.
 

O futebol das mulheres ganha o planeta como nunca antes em sua história

Grande dia!
Grande dia de verdade e não o externado pelo boçal que ocupa desastradamente o posto mais alto do executivo brasileiro.

Hoje é um grande dia porque tem início a oitava edição da Copa do Mundo de Futebol Feminino! A anfitriã França abre a competição diante da Coréia do Sul a partir das 16h00 – horário de Brasília – e além da ansiedade pelo ponta pé deste jogo temos muito o que comemorar em termos de visibilidade.

Por Lu Castro, especial para o Barão de Itararé

Há pouco mais de dez anos, assumi uma responsabilidade pessoal: utilizar a tecnologia em favor da visibilidade das mulheres que faziam a bola rolar pelos campos da cidade. Minha primeira busca foi no Juventus, formador por excelência, e sua técnica Magali.

O material, publicado no antigo portal OléOlé, já se perdeu, mas, de lá para cá, perda deixou de ser sinônimo de mulher dentro e fora das quatro linhas.

Avançamos. E os contatos com os principais agentes da modalidade se intensificaram. E espaços alternativos começaram a surgir com mais força na busca pelo tratamento igualitário do futebol de mulheres e homens – ao menos no que diz respeito ao que se noticia, inicialmente.

Observando a movimentação da imprensa nacional, noto um grande cuidado ao tratar do assunto, diferente de muitos outros anos. Acredito que esteja diretamente relacionado ao número de mulheres presentes em redações esportivas, algo que apontei como imprescindível para a melhora na comunicação do futebol de mulheres em mídias tradicionais.

Avançamos. E avançamos noutros tantos aspectos do futebol, inclusive na gestão, onde o trabalho realizado pela ex capitã da seleção, Aline Pellegrino, como diretora de futebol feminino da Federação Paulista de Futebol, tem ampliado os espaços para trabalhar as categorias de base.

Avançamos. A seleção brasileira tem uma estrutura que nunca teve. A seleção brasileira conta com uniforme próprio e não sobra do uniforme masculino. A seleção tem seus jogos transmitidos de modo inédito em tevê aberta de alcance nacional. A seleção só não tem uma coisa: técnico.

E isso, car@s, é algo que me preocupa tanto quanto me alegra: o fato de termos a Copa do Mundo mais noticiada de todos os tempos.

Diante de uma seleção nacional que caiu no ranking FIFA nos últimos anos, sob o comando de alguém que não tem perfil para comandar o selecionado nacional em nenhuma circunstância – e já o demonstrou em outras ocasiões - que carrega para a França nove derrotas consecutivas, minha expectativa é de termos que reforçar nosso discurso e argumentar como nunca que o que eles (os espectadores desconhecedores da realidade do futebol feminino) estão vendo não é bem isso.

Num momento, em que os olhos do mundo estão voltados para a amarelinha tão conceituada um dia, mostrar um jogo baseado apenas na garras das nossas habilidosas e talentosas atletas, tem sido o protagonista dos meus pesadelos.

Tudo o que lutamos para construir – atletas, gestores, comissões técnicas sérias, jornalistas interessados no assunto – pode sofrer um revés de opinião pública se o coletivo não estiver bem arrumado. E nós sabemos que não está.

Há poucas horas da abertura do mundial mais importante de todos os tempos, vou da euforia e ansiedade que mal me deixou dormir a testa constantemente franzida de preocupação.

Avancemos pois, nossas atletas se entregarão e é muito provável que nos jogos do Brasil o que avance é o nível da gengibrinha pra dar conta da montanha russa de emoções.

Uma mulher registra um boletim de ocorrência acusando um homem por estupro. Em depoimento, descreve que o parceiro teria ficado subitamente agressivo e usado da violência para praticar relação sexual sem seu consentimento. O laudo médico, anexado ao caso, apresenta sinais físicos de agressão e estresse pós-traumático. Em resposta, o homem acusado desmente a história publicamente, argumentando que o episódio não passou de “uma relação comum entre um homem e uma mulher”.

Por Mariana Pitasse, no Brasil de Fato

Esse poderia ser apenas mais um entre os cerca de 135 casos de estupro registrados por dia – que equivalem a cerca de 10% a 15% dos abusos que acontecem diariamente no Brasil, segundo levantamento do Atlas da Violência de 2018. Mas não é um episódio qualquer. O homem acusado é Neymar, um dos jogadores de futebol mais bem pagos do mundo. Por isso, o caso tomou as páginas dos jornais dentro e fora do Brasil nos últimos dias, com ampla repercussão nas redes sociais.

Após a denúncia registrada contra o jogador do Paris Saint-Germain na última sexta-feira (31), a acusadora foi exposta de diferentes formas – pela mídia comercial e pelo próprio Neymar. Para "sensibilizar" a opinião pública, o jogador postou um vídeo em suas contas do Instagram e do Facebook em que diz ser inocente. Ao tentar “comprovar” sua versão dos fatos, divulgou conversas que manteve com a mulher pelo Whatsapp, assim como fotos e vídeos íntimos da acusadora. A ação fez com que o jogador passasse a ser investigado também pelo vazamento de fotos íntimas.

A divulgação do conteúdo não foi um equívoco e, sim, uma escolha. Neymar preferiu cometer um crime virtual para tentar dialogar com pessoas que concordam com a ideia de que uma mulher que envia fotos íntimas pela internet é necessariamente "aproveitadora" e "interesseira".

O que está sendo ignorado nessa leitura rasa proposta pela defesa de Neymar é que a intimidade exposta para milhões de pessoas não diz nada sobre a acusação de estupro. Como lembra a antropóloga Débora Diniz, o que circula é a versão de um homem poderoso que se ancora em elementos do fascínio pelo sexo e na desqualificação fácil das mulheres vítimas de violência sexual. E essa é também a narrativa em que tem se amparado a cobertura da mídia comercial sobre o caso. Mesmo sem afirmar que estão assumindo uma posição, jornalistas passaram o recibo de que a acusadora está tentando se aproveitar do “menino” Neymar.

Entre as reportagens que tomaram conta do noticiário brasileiro nos últimos dias, a matéria Jornal Nacional – no dia seguinte à divulgação das conversas – foi a que mais repercutiu. Ela traz um panorama sobre o caso e ressalta o depoimento de um ex-advogado da mulher afirmando que o estupro não aconteceu. A reportagem também divulga o nome da nova advogada de defesa da mulher, ainda que ela não tenha dado autorização para isso, desrespeitando um princípio básico do jornalismo: a garantia de sigilo das fontes. Na mesma reportagem, sem mostrar as fotografias e vídeos do corpo da mulher, divulgados por Neymar, são expostas frases soltas da conversa em que o jogador aparece enredado em um jogo de sedução.

Em outra reportagem, desta vez publicada no Jornal de Brasília, a mulher tem a vida financeira e judicial revirada. O texto aponta que ela tem uma ação de despejo em seu nome, após três meses de aluguel atrasado, e que acumula dívidas. A reportagem também disponibiliza o nome completo da mulher e detalha suas contas a pagar.

A invasão de privacidade promovida por jornalistas com a justificativa de mostrar a “real versão dos fatos” não terminou por aí. Em reportagem publicada pelo jornal O Globo, a família da mulher é procurada e sua mãe é informada sobre o caso a partir da abordagem da repórter. Dias depois, uma matéria veiculada pelo portal UOL evidencia que o filho da mulher, de cinco anos, está sofrendo com chacotas na internet e na escola por conta da repercussão do caso.

Mais do que a intimidade revirada e exposta em fotos e vídeos íntimos e informações detalhadas sobre sua situação financeira, a mulher teve sua versão dos acontecimentos contestada a todo tempo, de forma pública, inclusive por seu ex-advogado. Mas isso não é levado em consideração, porque tudo parece legítimo quando a motivação é “dar o furo” de reportagem. Na lógica do jornalismo, é necessário apresentar respostas antes mesmo das investigações. Tudo isso com base na “isenção e na imparcialidade”, ainda que à serviço da versão do jogador milionário…

Neymar, por outro lado, segue a rotina de treinos, jogos e compromissos publicitários, blindado por seu estafe. A presença dele está confirmada no jogo amistoso do Brasil contra o Qatar nesta quarta-feira (5).

Paris Saint-Germain e Seleção Brasileira se esquivam de comentar o caso. Familiares e amigos se pronunciam publicamente garantindo que ele é inocente e vítima de uma armadilha. A preocupação maior parece vir dos patrocinadores: ao menos quatro das 10 marcas manifestaram incômodo com o caso, segundo levantamento da Folha.

Comprovada ou não a acusação, a sentença já está dada: a mulher é sempre a ponta vulnerável. Não à toa, segundo o Atlas da Violência, são cerca de 1300 estupros por dia no país – dos quais apenas 135 são notificados.

*Jornalista, editora do Brasil de Fato no Rio de Janeiro e doutoranda em Antropologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

Edição: Daniel Giovanaz