Eventos do Barão

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Entre 16 e 19 de junho, o Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela promove lives com sarau, slam e debate sobre a história do general brasileiro que ajudou Bolívar a libertar a Venezuela do Império espanhol.

Para promover a pauta da integração latino-americana e expressar a solidariedade do povo brasileiro com a luta por soberania e auto-determinação do povo venezuelano, o Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela promove, entre 16 e 19 de junho, o Festival Anti-Imperialista Brasil-Venezuela: 200 anos da vitória de Carabobo.

Com lives culturais e de caráter de formação, o Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela, que reúne dezenas de organizações brasileiras em apoio à Venezuela, aproveita as comemorações do bicentenário para trazer à atualidade um dos capítulos mais importantes da história da luta pela libertação no continente: a Batalha de Carabobo, crucial para a expulsão do exército espanhol e a consolidação da independência venezuelana.

Como elo de ligação entre o bicentenário da Batalha de Carabobo e a relação de cooperação e fraternidade entre os povos, o Festival Anti-Imperialista Brasil-Venezuela: 200 anos da vitória de Carabobo relembra a figura do pernambucano José Inácio de Abreu e Lima, que foi um dos generais das forças comandadas por Simon Bolívar na empreitada vitoriosa e, ainda que pouco conhecido no Brasil, é considerado um dos heróis da independência na Venezuela.

A programação do evento inclui uma palestra sobre o episódio histórico, além de um sarau com intervenções culturais, um slam com poetas da periferia de diversos países latino-americanos e um Ato Político Cultural com a participação de organizações brasileiras e venezuelanas. Tudo isso, claro, de forma virtual.

“Para o Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela este Festival não é somente uma forma do povo brasileiro conhecer o que foi a Batalha de Carabobo, mas celebrar a luta contra o imperialismo junto ao povo venezuelano”, afirma Giovani del Prete, da Secretaria da Assembleia Internacional dos Povos (AIP) e membro do Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela.

“Com muita música, poesia, teatro e formação política, o nosso Comitê organizou este Festival para que o povo brasileiro possa aprender com o legado deste importante episódio da história de Nuestra América”, acrescenta. “A ideia é ampliar o alcance da batalha de ideias que nosso Comitê trava todos os dias através de nossas redes sociais e atividades que organizamos. Precisaremos de muita gente participando, curtindo e compartilhando toda nossa programação. Participe!"

O evento terá transmissão nas redes sociais do Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela e páginas parceiras e a organização conta com apoio das seguintes entidades e articulações: Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Marcha Mundial das Mulheres, Slam da Guilhermina, Assembleia Internacional dos Povos, Capítulo Brasil - ALBA Movimentos, Coletivo Abrebrecha e Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé.

Confira a programação completa:

Quarta-feira: 16/Jun às 19h

Brasil e Venezuela já lutaram juntos contra o Imperialismo

Caráter da atividade: formação e intervenção cultural 

Participantes:

  • Luís Cláudio Rocha Henriques de Moura – Historiador formado pela Universidade de Brasília (UnB) e professor no Instituto Federal de Goiás (IFG)
  • Serendipia – Duo musical formado por Alejandra Hernández (Venezuela) e Ana Belén Jara (Chile), cantoras populares e poetisas feministas

Mediação: Coletivo Abrebrecha

Organizadores: Coletivo Abrebrecha e Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela

Transmissão ao vivo em :

  1. Facebook : @PazNaVenezuela
  2. YouTube : Barão de Itararé (https://www.youtube.com/canaldobarao)

 

Quinta-feira : 17/Jun às 19h 

Sarau Anti-imperialista 

Caráter da atividade: intervenções culturais

Participantes:

  • Coletivo Trunca
  • Marcha Mundial das Mulheres (MMM)
  • MTST
  1. Coletivo Dandara
  2. Raiz da Liberdade
  3. Movimento de Mulheres do MTST
  4. Juventude Fogo no Pavio
  5. Setor de Cultura

Mediação: MMM e MTST

Organizadores: Marcha Mundial das Mulheres, MTST e Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela

Transmissão ao vivo em :

  1. Facebook : @PazNaVenezuela
  2. YouTube: Marcha Mundial das Mulheres

 

Sexta-feira: 18/Jun às 19h

Slam Anti-imperialista 

Caráter da atividade: intervenções culturais

Poetas-slammers (participantes): 

 

  1. Meimei Bastos (Brasil – DF)
  2. Luíza Romão (Brasil – SP) 
  3. Maria Alejandra Rendon Infante (Venezuela, Valência)
  4. Giordana García Sojo (Venezuela)
  5. Leonardo Gustavo Ruiz (Venezuela)
  6. Vicky Alvarado (Guatemala) 
  7. Canuto Roldán (México)
  8. Maria Fernanda Romero Montenegro (Venezuela, Valência) 

Mediação: Slam da Guilhermina

Organizadores: Slam da Guilhermina e Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela

Transmissão ao vivo em :

  1. Facebook : @PazNaVenezuela
  2. YouTube: Slam da Guilhermina

 

Sábado - 19/Jun às 11h

Ato Político e Cultural Brasil-Venezuela 

Caráter da atividade: intervenções políticas e culturais

Participantes:

  • Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela
  • ALBA Movimentos – Capítulo Brasil
  • Organizações venezuelanas

Mediação: Assembleia Internacional dos Povos (AIP) e MST

Organizadores: Assembleia Internacional dos Povos (AIP), MST e Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela

Transmissão ao vivo em :

  1. Facebook : @PazNaVenezuela
  2. YouTube: MST

“Quando vamos dormir, colocamos as mãos no peito porque não sabemos se vamos morrer nessa noite.” O doloroso relato foi feito por Maram Hamdan, uma mãe de Gaza, durante uma live no canal da ativista brasileira Karine Garcêz nesta quarta-feira, dia 19 de maio. Em meio a mais um massacre sionista na estreita faixa, ela mostrou a mochila pronta, com alguns documentos, como passaporte, caso precise sair às pressas de sua casa que pode ser bombardeada a qualquer momento. Como contou, nesse caso, terá apenas cinco minutos para correr e levar toda a sua família na tentativa de salvar suas vidas.

Por Soraya Misleh, no Monitor do Oriente

Para 219 palestinos, entre os quais 63 crianças e 36 mulheres, não deu tempo. Foram assassinados pelas bombas que caem sobre suas cabeças desde 9 de maio. Entre eles, sete pessoas da família de Riad Eshkuntana. Os únicos sobreviventes foram ele e Suzi, sua filha de apenas seis anos de idade. “Minha esposa correu até as crianças para protegê-las, mas uma de minhas filhas fugiu para outro quarto. Com o segundo míssil, a casa foi dividida em duas partes … Havia três andares acima do nosso apartamento, o prédio desabou e estávamos sob os escombros”, descreveu ele ao Middle East Eye. As crianças tinham idade entre dois e sete anos de idade. A filha sobrevivente está em choque e não consegue falar depois do que se passou.

A família de Mohammed Al-Hadidi é outra vítima do massacre. Ele perdeu a esposa e três filhos e ficou com um recém-nascido para criar sozinho, após as bombas sionistas atingirem o campo de refugiados de Shati´, em Gaza. São muitos nomes e muitos novos órfãos, muitas mães que continuam a ter que enterrar seus filhos.

Segundo relatou também em live Ruayda Rabah, palestino-brasileira que vive sob ocupação na Cisjordânia, muitas mães em Gaza tentam salvar a vida de crianças que perderam suas famílias, mas bebês, em estado de choque, recusam a alimentação. Ela contou ainda a trágica história de um menino que perdeu toda a família num bombardeio em 2013. A única sobrevivente foi a irmã, que morreu, contudo, no massacre em 2014. Quando o genocídio começou agora, ele não suportou: suicidou-se, atirando-se do oito andar de um prédio.

Lares inteiros são destroçados em mais um capítulo da limpeza étnica que já dura mais de 73 anos – desde a Nakba, a catástrofe com a criação do Estado de Israel em 15 de maio de 1948 em 78% da Palestina histórica. Como resumiu Maram, “nós não podemos respirar” desde então. E indigna-se: “Como o mundo se cala diante de tanta injustiça?”

Na Cisjordânia – em que 26 palestinos foram mortos até agora e mais de 500 ficaram feridos por resistirem à ocupação criminosa e saírem em protestos contra a tentativa de Israel de levar a cabo expulsões de famílias no pequeno bairro de Sheikh Jarrah, em Jerusalém, bem como contra o massacre a Gaza –, Ruayda descreve o sentimento enquanto mãe: “Tememos pela vida dos nossos filhos quando vão à escola ou ao trabalho. Tememos não conseguir protegê-los.”

Ela lembrou que essa é a realidade das mulheres palestinas desde 1948, que lutam e resistem desde sempre. E enfatizou: “Temos o direito de ser livres. É hora de dar um basta, ter justiça para o povo palestino. Israel precisa ser julgado por seus crimes de guerra.”

Resistência

Ruayda expressou sentimento que explica por que a resistência une espontaneamente toda a sociedade palestina fragmentada há 73 anos – na Cisjordânia, Gaza, Jerusalém, Palestina de 1948 (onde hoje se denomina Israel), nos campos de refugiados e na diáspora, como se vê atualmente. “As mulheres palestinas não aguentam mais enterrar seus filhos, não aguentam mais visitar seus pais, maridos e filhos por alguns minutos e passar por tanta humilhação. A situação na Cisjordânia é insuportável.” Ali os palestinos estão submetidos a um regime institucionalizado de apartheid, expansão colonial agressiva e limpeza étnica contínua.

Neste momento, a resistência que se fortalece mantém, como sintetizou outro palestino, o espírito elevado, ao desafiar a contínua Nakba e expô-la ao mundo. Contar cada história é mostrar que não se faz sem dores, lágrimas e muito, mas muito sacrifício.

LEIA: O 15 de maio é a data de unificação da colônia árabe-brasileira

Um exemplo foi dado por Ruayda: em meio à pandemia de Covid-19, as UTIs na Palestina estão lotadas e não há leitos para tratar dos feridos gravemente pela violência da ocupação nos protestos. Famílias que têm seus entes queridos nessas UTIs têm pedido que os removam para que jovens feridos possam ser tratados. O que expressa uma das marcas da luta palestina: a consciência coletiva e solidária, em meio ao martírio.

Jogar luz sobre histórias como essas é parte da resistência. “Contem ao mundo o que viram porque a comunidade internacional nos abandonou” – é o que mais pedem os palestinos a quem os visita em suas terras ocupadas. Nas palavras de Maram, cujo maior sonho é “ser livre”, “mostrem a realidade e defendam nosso povo”.

Um palestino de 1948 descreveu ao Middle East Eye que seus “amigos israelenses” têm lhe enviado mensagens dizendo para não se preocupar, que em breve “tudo voltará ao normal”. E reflete: “Eu penso comigo mesmo: ‘o normal para você é voltar às praias. O normal para nós é voltar para as nossas gaiolas. O que é normal para um palestino em Gaza, Cisjordânia e Jaffa? Sorrir enquanto lhe servimos falafel e homus, ao vender-lhe os nossos vegetais ou reparar os seus carros mais barato do que faria em casa, ou trabalhar nas suas obras?”

E conclui: “Estamos com medo do derramamento de sangue que pode ocorrer. Mas estamos felizes. Pela primeira vez na vida, vejo algo que está adormecido há décadas, se mexendo, ganhando vida. Vejo uma nova geração surgindo. Eles são mais jovens do que eu. Eles não recebem ordens de ninguém e estão se levantando. Estou feliz em não me considerar um ‘árabe israelense’. Eu sou palestino, e pela primeira vez na minha vida posso ver a luz no fim do nosso longo túnel.”

Quando os crimes contra a humanidade de Israel deixarem de estar sob holofotes, é preciso não esquecer desse recado: o mundo não pode achar que tudo voltou ao normal. Porque o “normal” na Palestina é voltar ao inferno de conviver com uma ocupação criminosa, em que todos os direitos humanos fundamentais são violados. É o inferno de viver sob bloqueio desumano há quase 14 anos em Gaza e bombardeios a conta-gotas. É o inferno de viver sob 60 leis racistas na Palestina de 1948. É o inferno de conviver com verdadeiras milícias de colonos sionistas cujo slogan preferido é “Morte aos árabes”. É o inferno de terem que permanecer amontoados em campos, de forma precária, 5 milhões de refugiados nos países árabes à espera do retorno. É o inferno de ver os velhos morrerem tristes, como estrangeiros, na diáspora, impedidos de rever seus familiares espalhados pelo mundo, sonhando com a Palestina.

A solidariedade internacional efetiva deve ser permanente, como um farol a manter acesa a luz no fim do longo túnel. Até a Palestina livre, do rio ao mar.

No recém lançado documentário Coded Bias, a experiência pessoal e profissional de Joy Buolamwini, pesquisadora ganense-americana, revela como os algoritmos determinam comportamentos racistas, machistas e fortalecem sistemas autoritários de vigilância com o reconhecimento facial. Depois de analisar "O Dilema nas Redes", o matemático quântico Daniel Stilck França, professor da Universidade de Copenhagen (Dinamarca), explicou ao jornalista Paulo França as falhas inaceitáveis que a IA vem cometendo.

"Os algoritmos da Inteligência Artificial não foram criados para reconhecer rostos diversos. As pessoas que definem os modelos reconhecidos pela #IA têm um poder enorme, o que resulta em tendências racistas, como mostrado em Coded Bias", afirma Daniel Stilck França. "Mais do que o temor do que o Estado possa fazer com ela, a Inteligência Artificial já tem sido usada, de forma agressiva, pelas corporações privadas, para quebrar a privacidade e exercer controle e vigilância".

Assista à íntegra do papo no #CanalDoBarão, via #CanalResistentes:

Relatório publicado pela Anatel mostra que o Brasil figura como um dos países com maior carga tributária nos serviços de telecomunicações do mundo. O documento de fevereiro deste ano, elaborado pela assessoria técnica da agência a partir de dados da União Internacional de Telecomunicações (UIT), apresenta uma comparação internacional do nível de carga tributária e dos custos das cestas de serviços ofertados pelas operadoras ao mercado brasileiro. Na telefonia móvel, por exemplo, o Brasil é o quarto país com a maior carga tributária do serviço no mundo.

Por Marcos Urupá, no TeleTime

O relatório mostra que de 2019 para 2020 a carga tributária média no Brasil aumentou 0,4%, e aponta como fatores o aumento do ICMS médio nacional em 0,22% devido aumento de alíquota de um estado da Federação e a nova ponderação dos estados em função de alteração da quantidade de acessos. Dessa forma, a incidência tributária no preço final pago pelo consumidor nos serviços de telecomunicações fica na média 43,6%.

Na telefonia móvel, o Brasil figura em quarto lugar na lista dos dez países com maior carga tributária no serviço. Apenas Burandi, Jordânia e Egito, respectivamente com 52%, 46% e 43% superam o Brasil. Isso coloca o país o grupo dos 5% de países com maior carga tributária na telefonia móvel. Na banda larga fixa, o país figura em primeiro na lista de 10 países com tributação mais elevada no serviço, com uma incidência de 40,2%.

Cesta de serviços

No quesito cesta de serviços, o Brasil obteve uma relativa melhora, segundo o relatório da Anatel. Na telefonia móvel o Brasil estava na 83ª posição e subiu para a 63ª. Em banda larga fixa o Brasil evoluiu da 75ª para a 45ª posição. Na categoria poder de mercado, o Brasil é o 6º maior mercado em telefonia móvel no mundo e o 5º maior mercado nacional em banda larga fixa. Internamente, São Paulo tem 31,26% do mercado nacional telecomunicações e Minas Gerais tem 9,62% do mercado. Os demais estados respondem por cerca de 60% do mercado de consumo interno dos serviços de telecomunicações.

Apesar dessa melhora brasileira o estudo da Anatel reconhece que os custos das cestas de serviços, tanto em telefonia móvel quanto em banda larga fixa, praticamente não se alteraram, considerando os dados de 2018 e 2019 da UIT, pois é observada uma consistente queda dos preços das cestas de serviços medidas pela UIT, tanto por PIB per capita quanto por US$ em paridade de poder e compra (PPC). O relatório mostra que essa tendência permanece para os dados de 2019, mesmo com algumas alterações nas cestas de serviços da UIT.

Desde 2018, a cesta de serviços utilizadas pela UIT para fazer a comparação de preços e do ranking dos países sofreu algumas alterações para melhor adequar o desenvolvimento do setor de telecomunicações, diz o estudo.

Para banda larga fixa, os dados de 2008-2017 referiam-se a uma cesta de serviços de banda larga fixa com uma utilização mensal de dados de no mínimo 1 GB. Os dados de 2018 em diante referem-se a uma cesta de banda larga fixa revisada com um uso mensal de dados de no mínimo 5 GB.

Para telefonia móvel, as cestas foram repensadas pela UIT. Os dados de 2008-2017 referem-se a uma cesta de celular móvel com uma utilização mensal de 30 chamadas por mês, para linha fixa, em horários de pico e fora de pico em taxas pré-determinadas, e com mais 100 mensagens SMS. Já para 2018 em diante os dados referem-se a uma cesta revisada de celular de baixa utilização com um uso mensal de 70 minutos e 20 SMS em média.

Além disso, foram acrescentadas e alteradas outras cestas, como uma com o perfil de baixo consumo, mas com um pacote adicional de dados de 500 MB, outra de dados moveis, com mudança do perfil de 1GB para 1,5 GB e uma terceira, que se referem a uma cesta de dados e voz, de alta utilização, com um consumo mensal de 140 minutos de voz, 70 SMS e 1,5 GB.

Confira o relatório na íntegra aqui.

O Projeto Alma Puída: as almas se costuram nasceu da necessidade de dar voz ao que nos angustia e ainda nos aflige, nestes 15 meses de pandemia em que somamos cerca de 500 mil óbitos no Brasil. É a força da palavra contribuindo para fazer ecoar a vida e superar os momentos de luto.

O projeto será lançado na próxima terça-feira (15/06), às 19h em formato on-line, e a coordenação do projeto está a cargo do Instituto Angelim em parceria com o Memorial da Pandemia. A idealização é do Grupo de Trabalho Expandir o Presente, Criar o Futuro. 

"Estamos computando meio milhão de vidas perdidas em nosso país pela Covid-19. É urgente falarmos sobre isso. Nossos desabafos podem ajudar a curar as feridas e, ao mesmo tempo, se transformar em ação. Juntar nossas vozes pra ajudar a transformar esta realidade é o nosso principal objetivo", explicou a socióloga Mirlene Simões.

De acordo com a professora Monica Fonseca Severo, “lutar contra a desmemória é uma necessidade diante da tentativa de escamotear a realidade da pandemia e do pandemônio”. “Nossa ação de resistência artística é uma homenagem às vítimas do descaso e do negacionismo. Registrar, salvaguardar esta memória para que as gerações futuras possam conhecer, refletir e não repetir”, salientou.

“Como um tecido puído, desgastado e cansado, somos arrastados pela existência. Nos sentimos solitários, e nesse isolamento imaginamos que o que sentimos é apenas individual”, declarou a artista visual e pesquisadora Fabiola Notari, para quem, “a coleção de áudios surge como acolhimento para reunirmos forças para continuar de maneira mais consciente”.

Um ensaio para um poema 

Para a artista plástica e professora aposentada Lucimar Belo, “é de vozes coletivas que se trata o projeto”. “Coloque a sua e aguarde para ouvir muitas. Neste último ano, a nossa voz está embargada, está com pulso, está presa. Vamos liberar nossa voz e juntá-la a um vozerio. É este o objetivo do Projeto Alma Puída”, enfatizou.

Segundo a artista visual indígena Miguela Moura, “a iniciativa valoriza a oralidade”. “Para os povos indígenas este é um fator importante, pois todas as nossas tradições são transmitidas de forma oral”, relatou. 

PARTICIPE DO PROJETO

Qualquer pessoa acima de 18 anos pode gravar áudios, quantos desejar, de até 3 minutos de duração. 

As inscrições estão abertas de 7 de junho a 29 de agosto.

Os materiais devem ser enviados para http://bit.ly/projetoalmapuida

Todos os formatos de áudio são bem-vindos.

A iniciativa é um dos desdobramentos do livro coletivo Expandir o Presente, Criar o Futuro, produzido e lançado em 2020.

@projetoalmapuida

@institutoangelim

@memorialdapandemia

https://www.facebook.com/projetoalmapuida

https://www.facebook.com/memorialdapandemia

https://institutoangelim.org/

https://memorialdapandemia.com/

Contato: Mirlene Simões Severo (16) 99709-9284. http://lattes.cnpq.br/5696296892389040

Dia Mundial do Livro – 23 de abril – foi instituído pela Unesco em 1995. É também o dia dos Direitos de Autor. A data é uma homenagem a Miguel de Cervantes – nascimento do romance moderno –, William Shakespeare – pai da dramaturgia – e Inca Garcilaso de la Vega – cronista peruano – em data referida, mas não exata, à morte destes em 23 de abril de 1616. Também uma homenagem a centenas de outros autores a autoras e carrega entre seus objetivos o estímulo ao hábito e prazer em ler as obras clássicas daqueles e daquelas que legaram contribuições ao desenvolvimento humano em séculos.

Por Carlos Bellé – Coordenador político da Editora Expressão Popular

Mas afinal, que significado tem esta data para nós, amantes da literatura no Brasil? Vamos, juntos, entrar no “mundo dos livros”. Afinal, é preciso conhecer a realidade para poder transformá-la.

No Brasil, os livros são isentos de impostos desde a Constituição de 1946 por emenda constitucional de Jorge Amado, deputado constituindo pelo PCB. Em 2004 foi desonerado do PIS e Cofins. Mas as editoras pagam impostos pelo sistema “Simples” ou “Lucro Presumido”.

No entanto, em agosto de 2020, o governo Bolsonaro, por meio de seu ministro da Economia, o Chicago boy financista Paulo Guedes, no bojo da proposta de reforma administrativa, propôs taxar em 12% sobre a receita bruta das editoras chamada de Contribuição Social sobre Operações com Bens e Serviços (CBS). Isso poderia representar aproximadamente R$ 600 milhões – desconsideramos aqui os livros para o Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD). Esta proposta também foi defendida pela Receita Federal. Para efeito comparativo, donos de iates, helicópteros, jatinhos e lanchas não são tributados, caso fossem, a arrecadação seria de R$ 2,7 bilhões. O argumento é o de que os mais pobres não consomem livros, além dos do PNLD!

“Aquele que lê muito e anda muito, vê muito e sabe muito”
Miguel de Cervantes

Quem é o público leitor no Brasil

Segundo o Retrato da Leitura no Brasil (2015) 56% consomem livros, o que representa um universo de 105 milhões de brasileiros. Cada um lê em média 4,96 livros por ano; mas apenas 2,43% lê o livro até o final. Classificando por estratificação social, temos 63% da classe A; 40% da B; 24% da C e 13% da D e E. O livro mais lido é a Bíblia (42%).
Quanto e o que se produz no Brasil

Estima-se que existam até 3 mil editoras no Brasil. Mas a produção está centralizada em 500 editoras que publicam mais de 5 títulos por ano. Também existe uma plataforma de autopublicação que reúne cerca de 50 mil autores (El País, 27/12/2019). Há, ainda, nos últimos anos, um processo agressivo de internacionalização e/ou financeirização do setor editorial em desenvolvimento no Brasil e também a formação de grandes grupos editoriais, como por exemplo, Cia das Letras, Grupo Record, TAG livros e, sem esquecer, a Amazon.

Em 2019 foram produzidos 395 milhões de exemplares, 80% reimpressos e 50 mil novos títulos. Destes, 47% considerados livros didáticos (PNLD); 18,8% religiosos (6,3 milhões de bíblias impressas e 1,85 milhões em formato digital – SBB); 3% literatura infantil; 3% autoajuda; 3% literatura juvenil e 12,5% outros (Snel, CBL, Nielsen).

Como é distribuído o livro no Brasil

A pesquisa do IBGE (2018) aponta queda do número de livrarias no Brasil entre 1999 e 2018. Dos 5.570 municípios, em 1999 eram 1.977 (35,5%) os que tinham ao menos uma livraria. Este número baixou para 986 (17,7%), em 2018. Em 2018 as grandes redes de livrarias Laselva, FNAC, Cultura e Saraiva fecharam ou abriram falência. A partir de então, cresceram as vendas on-line e a Amazon passou a ser a distribuidora (projeções indicam que a Amazon pode chegar a 50% da distribuição de livros no nosso país).

Em 2015 existiam no Brasil 6.057 bibliotecas públicas. Uma para cada 34,5 mil habitantes (Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas). Mas, 55% das escolas não tem bibliotecas ou salas de leitura.
Os dados consolidados em 2019 (Snel, CBL e Nielsen) apontam para uma distribuição centrada em livrarias (46,6%), distribuidoras (20,8%), Livrarias exclusivamente virtuais (10,1%), porta a porta (4,9%), igrejas e templos (4,3%), escolas e colégios (3,8%), marketplace (2,7%) e outras (6,9%).

Em 1973 foi criado o Círculo do Livro, primeiro clube de assinaturas. Dez anos depois, chegou a 800 mil associados. Encerrou suas atividades na década de 1990. Esta modalidade voltou em 2014. Em 2019 estimava-se que existiam 25 clubes de assinaturas de livros no Brasil com cerca de 2 milhões de assinantes (CBL). O Clube do Livro Expressão Popular iniciou em junho de 2017.

Economia e o mercado editorial

Em 2019 o PIB brasileiro foi de R$ 7,4 trilhões. O setor editorial participou com R$ 5,7 bilhões, incluídos jornais e revistas. Foram comercializados 434 milhões de exemplares – R$ 1,1 pelo governo para o PNLB e R$ 3,9 pelo mercado (Snel, CBL, Nielsen). Importante registrar que o mercado editorial encolheu 20% desde 2006.

Nós que amamos a revolução, resistiremos e venceremos

Esta ideia de taxar o livro é fundamentalmente ideológica. Não podemos esquecer a queima de livros pelos nazistas em 1933, seguida de perseguição, torturas e assassinatos. Também no Chile, em 1973, e os horrores da ditadura com mais de 3 mil mortos. Nem os argumentos de ideólogos como Ludwig von Mises de que as ditaduras fascistas são mal menor diante da ameaça comunista. Este alerta nos foi legado por Heinrich Heine: “onde se queimam livros, acaba-se queimando pessoas”.

A taxação dos livros apresenta uma série de desdobramentos práticos. Ao taxar os livros, sufoca-se o mercado editorial e inibe-se seu consumo. Impede investimentos em novas publicações. Enfraquece as editoras. Ao negar o pluralismo das ideias, inviabiliza-se os instrumentos pelos quais elas se espalham. Ao caracterizar o livro como uma commodity como qualquer outra, nega-se que sua materialização física e simbólica que condensa a criatividade, a afetividade, o desenvolvimento integral do ser humano. O investimento é somente em capital físico, o que retorna em forma de lucro financeirizado. Transforma o livro em um artigo de luxo. Nega-se instrumentos que difundem conhecimento. Aprofunda a alienação. Eis algumas das chaves para compreender a divisão de classes da sociedade.

Como casa editorial Expressão Popular, somos herdeiros de José Marti para quem “Só o conhecimento liberta”; de Karl Marx para quem “a teoria se torna força material quando se apodera das massas” e de Antonio Candido para quem “O direito à literatura é um direito humano porque indispensável pela nossa humanização”.

Seguiremos denunciando toda forma de exploração do capital. Seguiremos lutando contra o obscurantismo, o negacionismo e as várias faces do fascismo hodierno. Seguiremos combatendo toda e qualquer forma do capital se apropriar da capacidade criativa humana.

Seguiremos defendendo o acesso universal ao livro. Seguiremos perseguindo um projeto de nação onde a educação e a cultura sejam elementos estruturantes de uma nova sociedade em suas manifestações mais universais. Seguiremos perseguindo o desenvolvimento dos valores mais nobres que transformam homens e mulheres mais plenos, nobres, sábios. Seguiremos lutando por uma sociedade equitativa, humanizada, com justiça social, desalienada na qual o trabalho e a cultura forjem a sociedade do futuro.

Celebremos com cada qual que lê nossas publicações, que as recomenda e estimula a leitura, que compartilha suas experiências literárias, que doa livros, que é assinante de nosso Clube do Livro Expressão Popular… formando, assim, o núcleo orgânico do projeto editorial.

Trabalhadores e trabalhadoras do livro, brindemos com nossos autores e autoras o acesso ao melhor da literatura produzida pela humanidade. Venceremos!

Dedico este texto ao companheiro e amigo, jornalista, poeta, escritor e editor, Alípio Freire.
“Onde não há igualdade, toda liberdade é sempre um excesso de privilégios.”
In memoriam.

*Carlos Bellé – Coordenador político da Editora Expressão Popular

O futebol das mulheres ganha o planeta como nunca antes em sua história

Grande dia!
Grande dia de verdade e não o externado pelo boçal que ocupa desastradamente o posto mais alto do executivo brasileiro.

Hoje é um grande dia porque tem início a oitava edição da Copa do Mundo de Futebol Feminino! A anfitriã França abre a competição diante da Coréia do Sul a partir das 16h00 – horário de Brasília – e além da ansiedade pelo ponta pé deste jogo temos muito o que comemorar em termos de visibilidade.

Por Lu Castro, especial para o Barão de Itararé

Há pouco mais de dez anos, assumi uma responsabilidade pessoal: utilizar a tecnologia em favor da visibilidade das mulheres que faziam a bola rolar pelos campos da cidade. Minha primeira busca foi no Juventus, formador por excelência, e sua técnica Magali.

O material, publicado no antigo portal OléOlé, já se perdeu, mas, de lá para cá, perda deixou de ser sinônimo de mulher dentro e fora das quatro linhas.

Avançamos. E os contatos com os principais agentes da modalidade se intensificaram. E espaços alternativos começaram a surgir com mais força na busca pelo tratamento igualitário do futebol de mulheres e homens – ao menos no que diz respeito ao que se noticia, inicialmente.

Observando a movimentação da imprensa nacional, noto um grande cuidado ao tratar do assunto, diferente de muitos outros anos. Acredito que esteja diretamente relacionado ao número de mulheres presentes em redações esportivas, algo que apontei como imprescindível para a melhora na comunicação do futebol de mulheres em mídias tradicionais.

Avançamos. E avançamos noutros tantos aspectos do futebol, inclusive na gestão, onde o trabalho realizado pela ex capitã da seleção, Aline Pellegrino, como diretora de futebol feminino da Federação Paulista de Futebol, tem ampliado os espaços para trabalhar as categorias de base.

Avançamos. A seleção brasileira tem uma estrutura que nunca teve. A seleção brasileira conta com uniforme próprio e não sobra do uniforme masculino. A seleção tem seus jogos transmitidos de modo inédito em tevê aberta de alcance nacional. A seleção só não tem uma coisa: técnico.

E isso, car@s, é algo que me preocupa tanto quanto me alegra: o fato de termos a Copa do Mundo mais noticiada de todos os tempos.

Diante de uma seleção nacional que caiu no ranking FIFA nos últimos anos, sob o comando de alguém que não tem perfil para comandar o selecionado nacional em nenhuma circunstância – e já o demonstrou em outras ocasiões - que carrega para a França nove derrotas consecutivas, minha expectativa é de termos que reforçar nosso discurso e argumentar como nunca que o que eles (os espectadores desconhecedores da realidade do futebol feminino) estão vendo não é bem isso.

Num momento, em que os olhos do mundo estão voltados para a amarelinha tão conceituada um dia, mostrar um jogo baseado apenas na garras das nossas habilidosas e talentosas atletas, tem sido o protagonista dos meus pesadelos.

Tudo o que lutamos para construir – atletas, gestores, comissões técnicas sérias, jornalistas interessados no assunto – pode sofrer um revés de opinião pública se o coletivo não estiver bem arrumado. E nós sabemos que não está.

Há poucas horas da abertura do mundial mais importante de todos os tempos, vou da euforia e ansiedade que mal me deixou dormir a testa constantemente franzida de preocupação.

Avancemos pois, nossas atletas se entregarão e é muito provável que nos jogos do Brasil o que avance é o nível da gengibrinha pra dar conta da montanha russa de emoções.

Uma mulher registra um boletim de ocorrência acusando um homem por estupro. Em depoimento, descreve que o parceiro teria ficado subitamente agressivo e usado da violência para praticar relação sexual sem seu consentimento. O laudo médico, anexado ao caso, apresenta sinais físicos de agressão e estresse pós-traumático. Em resposta, o homem acusado desmente a história publicamente, argumentando que o episódio não passou de “uma relação comum entre um homem e uma mulher”.

Por Mariana Pitasse, no Brasil de Fato

Esse poderia ser apenas mais um entre os cerca de 135 casos de estupro registrados por dia – que equivalem a cerca de 10% a 15% dos abusos que acontecem diariamente no Brasil, segundo levantamento do Atlas da Violência de 2018. Mas não é um episódio qualquer. O homem acusado é Neymar, um dos jogadores de futebol mais bem pagos do mundo. Por isso, o caso tomou as páginas dos jornais dentro e fora do Brasil nos últimos dias, com ampla repercussão nas redes sociais.

Após a denúncia registrada contra o jogador do Paris Saint-Germain na última sexta-feira (31), a acusadora foi exposta de diferentes formas – pela mídia comercial e pelo próprio Neymar. Para "sensibilizar" a opinião pública, o jogador postou um vídeo em suas contas do Instagram e do Facebook em que diz ser inocente. Ao tentar “comprovar” sua versão dos fatos, divulgou conversas que manteve com a mulher pelo Whatsapp, assim como fotos e vídeos íntimos da acusadora. A ação fez com que o jogador passasse a ser investigado também pelo vazamento de fotos íntimas.

A divulgação do conteúdo não foi um equívoco e, sim, uma escolha. Neymar preferiu cometer um crime virtual para tentar dialogar com pessoas que concordam com a ideia de que uma mulher que envia fotos íntimas pela internet é necessariamente "aproveitadora" e "interesseira".

O que está sendo ignorado nessa leitura rasa proposta pela defesa de Neymar é que a intimidade exposta para milhões de pessoas não diz nada sobre a acusação de estupro. Como lembra a antropóloga Débora Diniz, o que circula é a versão de um homem poderoso que se ancora em elementos do fascínio pelo sexo e na desqualificação fácil das mulheres vítimas de violência sexual. E essa é também a narrativa em que tem se amparado a cobertura da mídia comercial sobre o caso. Mesmo sem afirmar que estão assumindo uma posição, jornalistas passaram o recibo de que a acusadora está tentando se aproveitar do “menino” Neymar.

Entre as reportagens que tomaram conta do noticiário brasileiro nos últimos dias, a matéria Jornal Nacional – no dia seguinte à divulgação das conversas – foi a que mais repercutiu. Ela traz um panorama sobre o caso e ressalta o depoimento de um ex-advogado da mulher afirmando que o estupro não aconteceu. A reportagem também divulga o nome da nova advogada de defesa da mulher, ainda que ela não tenha dado autorização para isso, desrespeitando um princípio básico do jornalismo: a garantia de sigilo das fontes. Na mesma reportagem, sem mostrar as fotografias e vídeos do corpo da mulher, divulgados por Neymar, são expostas frases soltas da conversa em que o jogador aparece enredado em um jogo de sedução.

Em outra reportagem, desta vez publicada no Jornal de Brasília, a mulher tem a vida financeira e judicial revirada. O texto aponta que ela tem uma ação de despejo em seu nome, após três meses de aluguel atrasado, e que acumula dívidas. A reportagem também disponibiliza o nome completo da mulher e detalha suas contas a pagar.

A invasão de privacidade promovida por jornalistas com a justificativa de mostrar a “real versão dos fatos” não terminou por aí. Em reportagem publicada pelo jornal O Globo, a família da mulher é procurada e sua mãe é informada sobre o caso a partir da abordagem da repórter. Dias depois, uma matéria veiculada pelo portal UOL evidencia que o filho da mulher, de cinco anos, está sofrendo com chacotas na internet e na escola por conta da repercussão do caso.

Mais do que a intimidade revirada e exposta em fotos e vídeos íntimos e informações detalhadas sobre sua situação financeira, a mulher teve sua versão dos acontecimentos contestada a todo tempo, de forma pública, inclusive por seu ex-advogado. Mas isso não é levado em consideração, porque tudo parece legítimo quando a motivação é “dar o furo” de reportagem. Na lógica do jornalismo, é necessário apresentar respostas antes mesmo das investigações. Tudo isso com base na “isenção e na imparcialidade”, ainda que à serviço da versão do jogador milionário…

Neymar, por outro lado, segue a rotina de treinos, jogos e compromissos publicitários, blindado por seu estafe. A presença dele está confirmada no jogo amistoso do Brasil contra o Qatar nesta quarta-feira (5).

Paris Saint-Germain e Seleção Brasileira se esquivam de comentar o caso. Familiares e amigos se pronunciam publicamente garantindo que ele é inocente e vítima de uma armadilha. A preocupação maior parece vir dos patrocinadores: ao menos quatro das 10 marcas manifestaram incômodo com o caso, segundo levantamento da Folha.

Comprovada ou não a acusação, a sentença já está dada: a mulher é sempre a ponta vulnerável. Não à toa, segundo o Atlas da Violência, são cerca de 1300 estupros por dia no país – dos quais apenas 135 são notificados.

*Jornalista, editora do Brasil de Fato no Rio de Janeiro e doutoranda em Antropologia pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

Edição: Daniel Giovanaz