22 de julho de 2024

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Atuação da mídia prejudica recuperação de moradores da Cracolândia

Na última sexta feira (17), um dos jornais de maior circulação do país,O Estado de São Paulo, publicou em sua capa uma foto de uma usuária de crack consumindo a droga em seu primeiro dia de trabalho na operação “Braços Abertos”, da prefeitura, que começou na semana passada. A mulher, que estava uniformizada para exercer sua nova função, teve, inclusive, o rosto mostrado na capa.

Moradores da Cracolândia comemoram o primeiro dia de trabalho pelo “Braços Abertos” (Foto: João Luiz/SECOM)

Ao ver sua imagem estampada na capa do jornal, a usuária ficou revoltada e teve uma crise de choro. Ela lamentou a invasão de privacidade e estava temerosa em relação ao que poderia lhe acontecer. Segundo a mulher, ela já teria recebido ameaças de outras pessoas por estar “arrastando” o programa. “Nunca vi isso, tirar foto de uma pessoa e colocar assim na capa do jornal. Eu fiquei triste assim desse jeito, porque eu estou acreditando mesmo nesse projeto e isso pode atrapalhar para todo mundo”, revelou a usuária, que não teve o nome revelado, à Rede Brasil Atual.

A atitude do jornal em publicar uma foto de uma moradora da Cracolândia consumindo droga em seu primeiro dia de trabalho, além de superexpor uma pessoa que vive em condições vulneráveis, prejudica o emocional já abalado daqueles que procuram na oportunidade de trabalho um caminho para largar o vício.

Ao lançar a operação “Braços Abertos”, que oferece trabalho, remuneração, hospedagem, alimentação e cuidados de saúde a usuários de droga em condição de rua no centro de São Paulo, a prefeitura anunciou que parar de usar o crack não seria um pré-requisito para entrar no programa. A operação, de acordo com a administração municipal, tem o intuito de reinserir o dependente químico na sociedade por meio da oferta de condições dignas de vida para, a partir dessa base mais sólida, criar condições de se livrar do vício. Trata-se, antes de qualquer coisa, de uma política de redução de danos, em que crises e recaídas já estavam previstas.

Em menos de uma semana, a prefeitura conseguiu, por meio do trabalho de agentes de saúde e assistentes sociais, retirar 300 pessoas da rua na região da Cracolândia, dar hospedagem em hotéis e fazer com que todas elas começassem a trabalhar por vontade própria, sem o uso de força.

Fonte: SpressoSP