12 de julho de 2024

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Eduardo Cunha, inimigo da mídia democrática


Por Sônia Corrêa, do núcleo do Barão de Itararé no DF

Imagem retirada da página da deputada Jandira Feghali no Facebook

Circula nos corredores da Câmara que Eduardo Cunha (PMDB/RJ) é o mais atuante lobista entre os congressistas. Cunha foi presidente da Companhia Estadual de Habitação (Cehab), que controla as verbas destinadas à construção de casas populares, durante o governo Garotinho e foi acusado de favorecer a empreiteira vencedora de concorrências consideradas irregulares pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE).

Atualmente, Eduardo Cunha e Garotinho, ambos deputados federais, são inimigos assumidos. Em 2011, chegaram trocar pesadas farpas pelo Twitter. No STF, Eduardo Cunha responde inquérito por crimes contra a ordem tributária. Também pesa contra ele ações de improbidade administrativa e agora aparece como candidato a presidência da Câmara.

Apesar de um vasto currículo de acusações e processos, numa campanha, cuja imprensa tradicional colocou a carapaça de guardiã das eleições limpas e dos políticos “honestos e ficha limpa”, ficou nítida a blindagem dada pelos grandes veículos, ao (então) candidato à reeleição, Eduardo Cunha.

Tal comportamento dos barões da mídia têm explicação e (como tudo na mídia brasileira) lado. Eduardo Cunha é famoso por sua postura de enfrentamento feroz a qualquer tentativa de democratização da comunicação. Durante o processo de discussões, construção e votação do Marco Civil da Internet, Cunha atuou como um devotado e selvagem cão de guarda dos empresários das “teles”, visando impedir, principalmente, a neutralidade da rede que impedia a chamada cobrança de “pedágio” e impede a discriminação do tráfego de pacotes a partir do seu conteúdo, fonte ou destino.

Prova inconteste de suas intenções a serviço da grande mídia e seu “pagamento” ao desserviço de ocultação de sua biografia pela imprensa tradicional, é a própria declaração de Eduardo Cunha que afirmou peremptoriamente que, se depender dele, engavetará todos os projetos que visem a democratização da mídia que, eventualmente, cheguem até a Câmara dos Deputados. Tal declaração o torna, portanto, o candidato oficial dos barões da mídia e, por outro lado, o inimigo número 1 da mídia democrática.

O Brasil somente poderá avançar na consolidação de sua democracia, à medida que avançar para a constituição de uma imprensa que cumpra o seu verdadeiro papel. Enquanto tivermos uma mídia concentrada, com o nítido papel de formação de opinião social, a partir dos interesses dos poderosos, viveremos sob uma ditadura mascarada que, a exemplo do “fordismo”, na revolução industrial, apropria-se dos corações e mentes e forja-os de acordo com seus interesses.

Lutar contra a eleição de Eduardo Cunha, é lutar por uma nova Lei da Mídia Democrática, que assegure a pluralidade de ideias e opiniões, promova e fomente a cultura nacional e garanta a participação social na formulação, implementação e avaliação de políticas de comunicação.

Lutar contra a eleição de Eduardo Cunha à presidência da Câmara significa lutar pelo aprofundamento da democracia no Brasil.