20 de julho de 2024

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O caldo da regressão: livro discute ditadura e resistência na Vila Buarque

Os movimentos de cultura e resistência contra a ditadura no período de 1964 a 1968 são o enfoque do novo livro de Marcos Gama, jornalista e delegado aposentado. Vila Buarque – O caldo da regressão (Alameda Editorial) reflete sobre a efervescência política, artística e cultural a partir da experiência do bairro que dá nome ao livro – e que abriga a sede do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé desde 2012.

O lançamento do livro acontece no dia 28 de novembro, a partir das 19h, no Tapera Taperá, situado na Galeria Metrópole (Avenida São Luiz, 187). A obra, que estará à venda na ocasião, tem prefácio de José Dirceu e capa pelo jornalista e cartunista Gilberto Maringoni.

Marcos Gama esteve no Barão de Itararé na terça-feira (14) e falou sobre a publicação. Assista:

Saiba mais sobre o livro:

“O Brasil, desde os anos 50, vinha num razoável crescimento cultural e político. O golpe de 64, com toda a perseguição doentia ao pensamento livre, e violência física aos opositores, não conseguiu estancar de imediato estes avanços. O homem com sabedoria, acuado, cresce na sua produção, e até 68, esta criatividade incomodou os militares no poder.

Subservientes a inteligência norte-americana, os golpistas recusaram as energias positivas que elevavam o debate do país. Optaram servir aos donos de velhos e desonestos privilégios, e exercer um poder macabro, que só fomentou a violência. Criaram cartilhas e mecanismos repressivos a tudo que não servisse a essas perversas e carcomidas elites nacionais. Conivente, uma imprensa escrita, censurada, estranhamente demorou a acordar. Diferente da oligarca televisão, que se auto-censurava. Assim, gestaram o AI-5 e o decreto-lei 477, guilhotinas em cabeças essenciais a formação honesta da nação. Um estancamento histórico que só alimentou a bolha da safadeza e do cinismo nacional.

E quando a Casa Grande divisou que a bolha ia explodir, rolou-a para a senzala, aproveitando que ela se articulava pela primeira vez no poder. Assim, os pecadilhos dos desafortunados foram baralhados aos dos grandes arquitetos do nosso universo aristocrático, de ruralistas a banqueiros. As “ações” entre irmãos cresceram no combate a perigosa inclusão social, e os novos bispos-magnatas, para “salvar” os incautos, e aumentar o livre trânsito em favelas e cadeias, vão ignorando os fornecedores de drogas às carcomidas elites. Perversidades e contra-sensos desprezados nesse espetáculo hipócrita das delações seletivas, e na massacrante manipulação midiática.

Sobreviventes dessa repressão, velhos amigos, fortuita e inusitadamente se encontram no centro de São Paulo e resolvem voltar a Vila Buarque, região marcante entre 64/68. Sentem a decadência dolosa da cidade, e provam o que foi o caldo da regressão”