24 de julho de 2024

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Toda solidariedade às e aos jornalistas da Argentina: não ao desmonte da comunicação pública!

O presidente argentino, Javier Milei, anunciou, na última sexta-feira (1), o fechamento da agência de notícias pública Télam, os cerca de 700 funcionários receberam uma notificação de que seriam dispensados por uma semana e, ao chegarem na sede em Buenos Aires nesta segunda-feira (4), foram impedidos de entrar no local que estava cercado por policiais.

Por Redação/Fenaj 

A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) publicou uma nota em repúdio ao ocorrido e classificou como “mais um ato de violência contra a atuação das e dos jornalistas do país”, diz a publicação. 

Leia abaixo a íntegra da nota:  

A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) vem a público para repudiar enfaticamente os seguidos ataques do governo de extrema direita de Javier Milei contra a comunicação pública da Argentina, em mais um ato de violência contra a atuação das e dos jornalistas do país.

Em uma política de guerra à classe trabalhadora, Milei decretou uma série de medidas que tem o objetivo de destruir os direitos trabalhistas e a organização sindical, além de promover uma política econômica de “austericídio” que leva à população argentina a sofrer com índices jamais vistos de aumento da fome e da extrema pobreza.

No mais recente ataque ao povo argentino, o governo de extrema direita anunciou o fechamento da Agencia Nacional de Notícias e Publicidade Télam, fundada há quase 80 anos e que é o principal órgão de comunicação público da Argentina, responsável por abastecer centenas de veículos locais por meio de serviços jornalísticos em texto, áudio, vídeo e fotografias.

Como demonstração clara da intransigência e violência do governo Milei, a sede da Télam foi fechada e cercada por grades e policiamento nesta segunda-feira (4/03), para impedir o acesso de funcionárias e funcionários ao seu local de trabalho. Atualmente, a empresa pública de comunicação argentina emprega mais de 700 trabalhadoras e trabalhadores.

Infelizmente, o que ocorre na Argentina não é uma novidade para as e os jornalistas brasileiros. O golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, em 2016, e a eleição de Jair Bolsonaro, em 2018, marcaram um período de ataques e desmonte à comunicação pública do Brasil, com as sucessivas tentativas de sucateamento e privatização da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Graças à resistência da categoria, com a realização da greve mais longa da história da EBC, em 2021, os intentos de destruição da empresa não lograram sucesso.

Com a derrota eleitoral de Jair Bolsonaro e o início do governo Lula, as trabalhadoras e trabalhadores da EBC puderam vislumbrar uma retomada do fortalecimento da comunicação pública no Brasil, mas que ainda carece de uma efetiva política de valorização das e dos profissionais e de investimentos capazes de superar os anos de desmonte.

Milei e Bolsonaro carregam os genes do obscurantismo, do autoritarismo e do desprezo ao seu povo. Diante disso, nos solidarizamos às companheiras e companheiros argentinos que resistem bravamente aos ataques e ao arbítrio da extrema-direita.

Nos colocamos à total disposição da Federação Argentina de Trabalhadores de Imprensa (FATPREN) e do Sindicato de Imprensa de Buenos Aires (SiPreBA), que têm lutado diariamente contra a destruição da Télam e organizaram um grande ato na porta da empresa nesta segunda-feira.

As lutas de nossa categoria se estendem por toda a América Latina e o restante do mundo. Resistir e derrotar a extrema direita é uma necessidade vital para que as e os jornalistas possam exercer seu trabalho com dignidade e direitos. Resistiremos e venceremos!

Brasília, 4 de março de 2024

Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ