21 de julho de 2024

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Fifa e Globo: Queremos jogar também!

O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação lançou um panfleto relacionando à Copa do Mundo ao problema do monopólio da mídia, em especial das Organizações da Globo. A intenção, de acordo com o site do FNDC, é conscientizar e promover o debate sobre as consequências negativas que a concentração midiática geram para a sociedade. Leia na íntegra abaixo ou faça download da versão em PDF!

O futebol é uma paixão nacional, e receber no Brasil a Copa do Mundo despertou as mais variadas reações – todas apaixonadas – do povo brasileiro. Infelizmente, toda essa paixão e a diversidade de opiniões sobre o tema não tiveram espaço para se expressar nos grandes meios de comunicação.

A mídia privada, que tem sistematicamente cumprido um papel conservador na sociedade, tratou a Copa ora como um tema político-eleitoral, explorando na cobertura sobre o Mundial só os aspectos negativos e erros de condução na preparação dos Jogos, ora optando por fazer uma cobertura ‘oba-oba’ do evento. De outro lado, as críticas mais consistentes e legítimas do movimento social às decisões do governo que favoreciam grandes corporações privadas não apareceram nos noticiários das grandes redes!

Nada foi dito sobre os lucros estratosféricos que o próprio setor midiático terá com a Copa e sobre a manutenção do monopólio da TV Globo nos direitos de transmissão dos Jogos. Vejamos:

* O negócio para a transmissão da Copa de 2014: A Globo não informou o valor pago à FIFA para conquistar o direito de transmissão dos jogos. Mas desde 1970 as duas poderosas fazem acordos entre si. Para a detentora dos direitos, também não importa se o valor a ser pago é cada vez mais alto. O retorno é garantido. Só com o que é pago pelos patrocinadores, a Globo embolsou cerca de R$ 1,44 bilhão. Adicione à conta o que o grupo ganha com a retransmissão dos jogos para outros veículos. Tal medida transforma a principal festa do futebol mundial num grande comércio de venda de marcas e produtos e exclui as redes públicas de comunicação de todos os países de poderem oferecer este produto em suas mídias aos seus povos.

* Os serviços agregados aos direitos de transmissão dos jogos: O investimento na compra dos direitos de transmissão também volta para a TV Globo com uma mãozinha generosa do poder público. Um exemplo foi a festa que antecedeu o sorteio das eliminatórias da Copa, em 2011, no Rio de Janeiro. Prefeitura e Governo do Rio pagaram R$ 30 milhões para a Globo comandar o evento. Entre recursos públicos e privados, o faturamento originado por toda a divulgação da Copa chega a um valor inestimável, já que não há transparência em sua divulgação.

* O gasto com infraestrutura de telecomunicações e sua destinação após a Copa: Os serviços de telefonia e internet também entram nos acordos com a FIFA. As negociações foram feitas para que o Brasil desse um jeito de oferecer, ainda na Copa das Confederações, uma internet com a qualidade que o país nunca conseguiu implantar. Essa exigência foi a justificativa para que as operadoras de telecomunicações tivessem direito a isenções fiscais e para que modificações na legislação fossem feitas, autorizando novos negócios. Tudo para oferecer uma comunicação que esteja de acordo com o padrão FIFA. Apenas para modernização da infraestrutura das telecomunicações e serviços e suporte às competições, foram destinados R$ 404,56 milhões, gasto que não foi objeto de discussão alguma com a sociedade civil. Só existirá legado se, depois do Mundial, as redes forem ampliadas nas cidades onde a tecnologia 4G foi instalada e se a estrutura que fica como complemento para implantação do Plano Nacional de Banda Larga trouxer de verdade a democratização do acesso à internet. Vale lembrar que ainda somos mais 100 milhões de brasileiros desconectados da rede.

* Repressão às rádios comunitárias e criminalização de ativistas: Enquanto favorece os negócios bilionários das operadoras de telecomunicações, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) anuncia em comunicado oficial que, durante a Copa, reforçará seu aparato de fiscalização – e repressão – às emissoras comunitárias. Em junho de 2013, ativistas que foram às ruas para exigir direitos, principalmente o transporte, mas também criticar gastos excessivos com a Copa, foram recebidos a balas de borracha e spray de pimenta e parte deles foi criminalizada pela grande mídia. Muitos profissionais de comunicação também foram feridos nas tentativas de contenção dos protestos pela Polícia Militar.

Nossa luta é pela democratização da mídia e pelo direito à comunicação de todos e todas!

Desde os protestos na Copa das Confederações, diferentes coletivos de mídia, ao fazer a cobertura dos atos, provocaram um importante debate sobre a produção e difusão de informação e conteúdos audiovisuais no país. Ao mesmo tempo, a mídia grande foi, ela mesma, justamente em função do histórico de manipulação da informação que tem em nosso país, alvo de protestos em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo.

Tudo isso deixou muito clara a necessidade de os diferentes movimentos sociais, organizações da sociedade civil, coletivos e ativistas, debaterem a sério o tema das comunicações e lutarem pela democratização da mídia no país. Na Copa e durante outros importantes momentos da história do nosso país, o oligopólio dos meios de comunicação invisibiliza e tenta calar as lutas populares. Mais uma vez é a população que está perdendo o jogo!

Por isso, o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação convoca quem está nas ruas reivindicando direitos e quem está nos estádios ou em frente à TV torcendo pela seleção a lutarem por outra mídia em nosso país. Só assim construiremos um país efetivamente democrático, onde todas as vozes possam ser ouvidas e onde o direito à comunicação seja garantido para cada cidadão e cidadã.

Seja mais um/a na torcida por outra mídia no Brasil! Assine o Projeto de Lei de Iniciativa Popular da Mídia Democrática!