13 de julho de 2024

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Programas policialescos agravam desinformação e discurso de ódio em meio à pandemia

Violações como a cometida pelo apresentador do SBT Marcos Paulo Ribeiro de Morais, vulgo Marcão do Povo, que sugeriu ao vivo a criação de um campo de concentração para os infectados pelo coronavírus, têm sido cada vez mais comuns em tempos de pandemia. Espaço fértil para a propagação de discursos de ódio e desinformação, os programas policialescos foram tema do #BarãoAoVivo desta sexta-feira (10), com a participação de Cristina Castro, representante da sociedade civil no Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) e diretora da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino – Contee) e Renata Mielli (Secretária-Geral do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e coordenadora do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação – FNDC).

Segundo elas, os programas policialescos no Brasil têm a característica de dar sustentação a discursos perigosos, como a redução da maioridade penal, oencarceramente em massa e a pena de morte. Discursos que violam os direitos humanos e a própria liberdade de expressão. “Em quarentena, o que não falta são aberrações na TV. Ouvimos um apresentador – pretensamente jornalístico – de que é necessário construir um campo de concentração, praticamente fazendo um apelo ao presidente, que provavelmente se identifica com esta visão”, diz Castro. “A Constituição não aceita um posicionamento como este do apresentador Marcão do Povo. É uma violação gravíssima. No caso deste apresentador, não é a primeira vez. Ele é reincidente”.

Apesar de o SBT ter afastado o apresentador, Mielli e Castro alertam: este tipo de discurso dos programas policialescos têm passado impune e naturalizando ideias nocivas à sociedade, como a violência, o machismo e a homofobia. Além disso, também há a questão de que esses discursos circulam livremente por concessões públicas. “O estarrecedor é que todo o discurso de ódio e a desinformação gerados pelos programas policialescos acontecem utilizando concessões públicas. É papel do Estado impor limites a essas violações“, denuncia Castro. “O Silvio Santos não é dono do canal. É dono da empresa que goza de uma concessão do Estado. Logo, ele precisa obedecer os parâmetros e limites estabelecidos pela Constituição. Mas os donos da mídia não respeitam as regras no Brasil”.

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