28 de setembro de 2026

RedeTV! virou um barril de pólvora

Mansão de Amilcare Dallevo dono da RedeTV!

A situação dos trabalhadores da RedeTV! é cada dia mais tensa e preocupante. Na semana passada, uma briga na redação da emissora entre dois funcionários, que deixou um ensanguentado, confirmou que a empresa virou “um barril de pólvora”, conforme destaca reportagem no site do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo.

Por Altamiro Borges / Blog do Miro

“Nos últimos tempos, a temperatura vem chegando a níveis próximos do inferno na RedeTV! Funcionários relatam que os proprietários aumentam a pressão sobre jornalistas e radialistas por exigência de audiência e trabalhos cada vez mais estafantes. Eles promovem reuniões, ameaças de punição e demissões, o que contribui para denúncias de assédio moral, num cenário de precariedade, falta de direitos e condições de trabalho”, descreve a matéria.

Ratos e baratas no refeitório

A precarização se dá em todos os terrenos, com demissões e menos funcionários na equipe, salários cada vez mais arrochados, ritmo acelerado de “pejotização” – de jornalistas sem registro –, jornadas extenuantes de trabalho e equipamentos sucateados. O grau de degradação é brutal. “A emissora não faz mais manutenção nos bebedouros de água, serve comida precária e, disseram alguns funcionários, chega ao cúmulo de deixar faltar papel higiênico em algumas praças… Ratos e baratas já foram vistos frequentando o refeitório, com diferentes registros em vídeos e imagens feitos pelos próprios funcionários”.

Além das péssimas condições de trabalho, a RedeTV! sacaneia nos pagamentos. “Os atrasos são cada vez mais constantes também em relação aos salários dos trabalhadores que atuam no regime de ‘PJ’, sem carteira assinada… A situação dos chamados ‘Webs’, trabalhadores (as) freelancers que trabalham como se fossem Uber, usando o próprio celular como câmera, com microfones e tripés próprios, ganhando por serviço (como os motoristas de aplicativo que ganham por viagem), está ainda mais preocupante. As denúncias revelam que chegam a ficar mais de quatro meses sem pagamento”.

Demissões, precarização e arrocho de salário

“A humilhação não tem fim. Há jornalistas e radialistas em regime PJ ganhando cerca de R$ 3 mil mensais, trabalhando mais de 10 horas, sem limite de jornada. Fazendo plantões nos feriados e finais de semana, quase sem folga. Para esses, não tem nem vale-transporte nem seguro-saúde… Aliás, muitos trabalhadores registrados preferem abrir mão do seguro-saúde oferecido pela empresa. A RedeTV! não arca com quase nada da mensalidade. É um serviço caro, de má qualidade, com uma rede insuficiente de hospitais e médicos credenciados”.

Até 2018, a RedeTV! chegou a ter 1.500 funcionários. Na sequência, ela entrou em crise, apesar do apoio dado pelo fascista Jair Bolsonaro. Com o tempo, a emissora encolheu em audiência, perdeu publicidade e rebaixou ainda mais o nível da sua programação. No início deste ano, a RedeTV! empregava 500 trabalhadores, mas demitiu outros 100. “O trabalho antes feito por três ou mais pessoas passou a ser desempenhado por uma, às vezes um estagiário ou empregado ‘PJ’. O número de telejornais mais que duplicou, apesar de a quantidade de pessoas ter diminuído drasticamente. A redação já enxuta foi desmembrada para dar conta de mais de nove horas de noticiários nas mídias digitais da empresa”.