
Em manifesto divulgado às vésperas do segundo turno, Conselho Federal de Economia defende projeto nacional de desenvolvimento sustentável e critica políticas de austeridade que penalizam a população mais vulnerável.
O Conselho Federal de Economia (Cofecon) divulgou nesta segunda-feira (19/10) um manifesto em defesa da democracia no Brasil, no qual alerta para a importância do segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25/10). Para a entidade, a disputa vai além da escolha entre candidatos e partidos, colocando em confronto dois projetos distintos para o futuro do País.
Aprovado durante a 755ª Sessão Plenária do conselho, realizada em 16 de outubro, o documento defende um projeto nacional autônomo e soberano, comprometido com a preservação da Constituição, do Estado democrático de direito, das instituições e das liberdades fundamentais.
O manifesto destaca ainda a importância da liberdade de expressão e de cátedra, da laicidade do Estado e do ensino e do respeito à diversidade étnica, religiosa, racial e de gênero.
A manifestação retoma posicionamentos expressos na Carta de São Paulo, aprovada durante o XXIX Simpósio dos Conselhos de Economia (Since), realizado em setembro. No documento, a entidade defendeu o desenvolvimento sustentável nas dimensões econômica, social e ambiental e questionou a concepção de ajuste fiscal baseada na redução de investimentos públicos e programas sociais, com prejuízos à população mais vulnerável.
Ao alertar para o que está em jogo nas urnas, o Cofecon encerra o manifesto com uma defesa enfática dos princípios democráticos: “Não à barbárie, à censura, ao arbítrio e ao negacionismo climático. Pela Constituição, pelas Instituições, pela soberania e pela preservação da democracia!”
Debate econômico segue atual
A crítica às políticas de austeridade fiscal e a defesa de um modelo econômico voltado ao desenvolvimento e à inclusão social também estão entre os temas debatidos pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé.
Em 2021, a entidade promoveu o seminário “Decifrando o economês e desmontando o mito da austeridade fiscal”, com o objetivo de oferecer subsídios à mídia independente e aos movimentos sociais para a compreensão e discussão das políticas econômicas.
Reunindo oito aulas com especialistas, a iniciativa abordou temas como orçamento público, dívida pública, sistema tributário, mercado financeiro, programas de transferência de renda, papel estratégico da Petrobras e alternativas para um modelo de desenvolvimento sustentável e inclusivo.
Entre os participantes estiveram os economistas Leda Paulani, Pedro Rossi, Esther Dweck, Eduardo Fagnani, Eduardo Moreira, William Nozaki e Luiz Gonzaga Belluzzo, além da ex-ministra do Desenvolvimento Social Tereza Campello.
Cinco anos depois, embora o cenário econômico e alguns instrumentos de política fiscal tenham mudado, questões centrais discutidas no seminário permanecem relevantes: o papel do Estado na promoção do desenvolvimento, as prioridades do orçamento público, o financiamento das políticas sociais e o enfrentamento das desigualdades.
Ao recolocar esses temas na pauta do segundo turno, o manifesto do Cofecon reforça a importância de um debate econômico que vá além dos indicadores fiscais e considere seus efeitos sobre as condições de vida da população.
Confira os conteúdos:
- Leia a íntegra do manifesto do Cofecon.
- Acesse o seminário do Barão de Itararé sobre economia e austeridade fiscal.