4 de setembro de 2026

Debatedores exaltam resiliência do povo cubano diante de ofensiva de Trump

Cuba vive um dos momentos mais desafiadores de sua história, marcado pelo agravamento do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos, pelo recrudescimento das políticas do governo Donald Trump e pelos impactos das sanções sobre o abastecimento de combustíveis e insumos básicos para a população.

A denúncia e o apelo à solidariedade internacional foram o tom central do debate promovido pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, na quinta-feira (3), em seu canal no YouTube.

Mediada pelo jornalista Felipe Bianchi, o encontro reuniu brasileiros que estiveram recentemente na ilha para analisar a gravidade da conjuntura e relatar o que testemunharam no país caribenho.

O cerco econômico e a tentativa de asfixia social

Para a analista internacional Ana Prestes, a escalada estadunidense visa asfixiar o país para provocar uma convulsão interna. Ela apontou como o endurecimento do bloqueio busca sufocar qualquer margem de manobra da economia cubana.

“A cada solução que os cubanos encontram, os EUA buscam interdita-la. Estive lá em agosto e eu senti isso: eles estão cavando um implosão social mesmo, criando o ambiente para uma revolta, uma insurgência”, disse Ana Prestes.

A intensificação do embargo atinge diretamente a infraestrutura energética, provocando sistemáticos e severos apagões que afetam a conectividade, a mobilidade e a rotina do povo cubano.

Os impactos humanos de um bloqueio genocida

Os jornalistas Eleonora e Rodolfo de Lucena, do portal Tutaméia, relataram a dura realidade vivenciada durante duas semanas de permanência na ilha. Eleonora trouxe números estarrecedores apresentados durante seminários internacionais em Havana, ressaltando o custo humano e sanitário do bloqueio.

Confira abaixo o debate completo:

“São 67.000 crianças que não conseguem fazer o sistema de imunização, vacinação, por conta do bloqueio; 98.500 cirurgias que estão na espera porque falta equipamento, falta eletricidade, falta medicamento (…). É o imperialismo genocida atuando aqui do nosso lado, mas ao mesmo tempo há uma resistência que tenta enfrentar essa situação”, destacou a jornalista.

Por sua vez, Rodolfo de Lucena reforçou a dimensão do cotidiano na ilha, traçando um paralelo com as quedas de eletricidade que ocorrem em metrópoles brasileiras para dimensionar a força da população cubana perante a falta contínua de energia e recursos.

“Lá [em Cuba] esses são apagões de dias, apagões de muitas horas no dia (…). A melhor inspiração para isso é exatamente a reação do povo cubano, do governo cubano”, destacou.

Resistência popular e o chamado à ação internacional

Neste cenário, a ação das organizações, das redes de apoio e do povo cubano são fundamentais para manter os serviços essenciais de educação, esporte e cultura em funcionamento.

Representando os movimentos populares, Giovani Del Prete, conselheiro do Barão, dirigente da Escola Nacional Paulo Freire e membro da coordenação do Movimento Brasil Popular, ressaltou a urgência de combater o estigma e a desinformação veiculada pela mídia hegemônica sobre Cuba.

“Quanto mais a gente puder falar sobre Cuba, mais falaremos, porque tem tanta estigmatização, tanta campanha de difamação. Acho que depende bastante de nós trazer essa visão de quem esteve lá: não é alguém que nos contou, a gente viu, conheceu gente, conhece famílias cubanas”, avaliou.

Os debatedores ressaltaram a necessidade de fortalecer as brigadas de solidariedade e apoiar iniciativas de envio de doações emergenciais, como insumos médicos e painéis solares.

Solidariedade

O Barão de Itararé reafirma seu apoio ao povo cubano e à luta contra o bloqueio e promove, na próxima terça-feira (8), às 18 horas (horário de Brasília), uma entrevista exclusiva com o Cônsul-geral de Cuba em São Paulo, Benigno Pérez. A conversa reunirá jornalistas da TV 247, Brasil de Fato, Diálogos do Sul-Global, Revista Fórum, Opera Mundi, TVT News e A Voz Trabalhadora.

O Instituto Cultivar está arrecadando doações para apoiar as ações de solidariedade a Cuba. As contribuições podem ser realizadas via PIX, utilizando o CNPJ 11.586.301/0001-65. Também é possível fazer depósitos diretamente na conta da entidade:

Instituto Cultivar
Caixa Econômica Federal
Agência: 1231 | Operação: 1292
Conta-corrente: 000577559399-1