
A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um inédito quarto mandato ganhou as manchetes dos principais veículos de comunicação ao redor do mundo. A imprensa internacional destacou o ineditismo da conquista, o freio ao avanço da direita na América Latina e os conturbados episódios envolvendo o transporte público durante a votação do segundo turno.
Por Redação / Brasil 247
Nos Estados Unidos, a CNN International destacou que Lula venceu “derrotando o senador Flávio Bolsonaro, aliado do presidente dos EUA, Donald Trump, numa eleição de segundo turno com margem estreita”. A emissora frisou que “a vitória histórica torna o líder esquerdista de 80 anos o primeiro presidente brasileiro a ser eleito para o cargo quatro vezes”. O New York Times resumiu o impacto geopolítico em sua manchete: “Lula encerrou uma sequência de vitórias da direita na América Latina”.
Na Europa, o tom foi de destaque à resiliência da esquerda brasileira. O jornal francês Le Figaro ressaltou que “o Brasil afinal não virou à direita” como ocorreu na Argentina, no Chile ou na Colômbia, observando que o país “permanece como um dos raros bastiões progressistas na América Latina”. O espanhol El País sublinhou que “Lula consegue uma virada histórica e dá a vitória à esquerda”, enquanto o britânico The Guardian destacou que “Lula conquista o quarto mandato como presidente do Brasil após uma reviravolta histórica sobre Flávio Bolsonaro, de extrema-direita”.
No continente africano, a rede sul-africana SABC não poupou elogios à trajetória de Lula, descrevendo-o como “um ícone da esquerda global e a força mais dominante na política brasileira neste século”.
No Oriente Médio, a PressTV, do Irã, destacou a grande festa popular que tomou as ruas, relatando que “milhares de apoiadores de Lula da Silva encheram a Avenida Paulista, em São Paulo”, celebrando a vitória com cânticos e fogos de artifício após a garantia de 51,74% dos votos.
A mídia asiática deu ênfase aos próximos passos do governo e ao discurso de soberania. A agência chinesa Xinhua cobriu o discurso da vitória, onde Lula prometeu trabalhar com um Congresso conservador. A agência destacou a fala do presidente sobre a necessidade de fortalecer a regulação digital “após derrotar a interferência estrangeira através de plataformas digitais”, frisando o recado de que “o Brasil não é o quintal de ninguém”.
Parte da cobertura estrangeira também se voltou aos incidentes e tensões institucionais do dia da votação. O jornal português Diário de Notícias detalhou a crise do transporte eleitoral, relatando que “o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia ordenou a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade de Salvador e o restabelecimento integral da frota, sob pena de multa de um milhão de reais por hora”. A publicação explicou a justificativa da prefeitura sobre os veículos adesivados e notou que em São Paulo, “o PT alegou que apenas cerca de 60% da frota municipal estava em circulação”.
A agência cubana Prensa Latina também abordou os obstáculos logísticos, notando que “o dia esteve marcado por denúncias de dificuldades no transporte público”. O veículo explicou que o ministro do STF, Cristiano Zanin, “determinou prolongar a votação até as 19h00”, e apontou que “tal decisão gerou questionamentos sobre a sua aplicação nos centros onde as urnas eletrónicas já tinham sido fechadas e sobre as competências das instituições eleitorais”.
Por fim, a agência russa Sputnik focou na reação do candidato derrotado, informando que “o candidato presidencial brasileiro de direita, Flávio Bolsonaro, anunciou que se recusou a reconhecer os resultados da eleição e exigiria a sua anulação”.