Barão se despede de Samuel Pinheiro Guimarães, amigo e embaixador

Notícias do Barão
Typography
  • Smaller Small Medium Big Bigger
  • Default Helvetica Segoe Georgia Times

Aos 84 anos de idade e com inestimáveis serviços prestados a sociedade brasileira, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães faleceu nesta segunda-feira (29), em Brasília-DF.

O Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé está em luto não apenas pelo batalhador que perde o país, mas pela fraterna relação com Samuel Pinheiro Guimarães.

Além de ter executado com maestria a tarefa de Secretário-Geral do Ministério das Relações Exteriores entre 2003 e 2009, ele foi também ministro-chefe de Assuntos Estratégicos entre 2009 e 2010, além de Alto-Representante Geral do Mercosul (2011-2012).

Lega ao povo brasileiro o pensamento de que o país deve se relacionar com todo o mundo de forma altiva e soberana, como corresponde às nações que anseiam por superar seus desafios com desenvolvimento econômico e justiça social. 

Em 2015, Samuel Pinheiro Guimarães participou de debate na sede do Barão de Itararé, em São Paulo, para discutir o BRICS e a crise mundial. A citação extraída daquela aula, ministrada em conjunto com Luiz Gonzaga Belluzzo e Renildo Souza, ilustra a contundência de um dos formuladores da política externa brasileira que tem como norte a cooperação entre as economias do Sul Global, a integração regional e a construção de um mundo multipolar.

“O Banco Mundial e o Fundo Monetário sempre foram instrumentos para disciplinar a economia dos países em dificuldades econômicas. Eles faziam um acordo e os países assinavam compromissos de liberalização em geral. Como hoje, na Europa, está lá o FMI, junto com a Comissão Europeia, impondo políticas à Grécia. Ao invés de ser um país impondo a outro, eles criam esse organismo multilateral que impõe as políticas,” disse Pinheiro Guimarães.

"O Banco do Brics surge então para romper com essa lógica. “O Banco do Brics é algo extremamente importante, porque esse Novo Banco de Desenvolvimento surge com a proposta de fazer empréstimos sem impor condicionalidades políticas. Então você tem nesse projeto uma política que afeta um sistema de controle do Departamento do Tesouro sobre os países periféricos”, avaliou.

Nascido no Rio de Janeiro, em 1939, Samuel Pinheiro Guimarães Neto graduou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil (atual UFRJ) em 1963, ano em que ingressou no Itamaraty. Era também mestre em economia pela Universidade de Boston (1969).

*com informações da Agência Brasil