24 de julho de 2024

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Blogueiros, uni-vos (mas nem tanto…)

Com o advento da internet, está em curso uma “revolução” nos meios de comunicação. As tiragens dos jornais e revistas despencam no mundo inteiro e vários veículos impressos já faliram ou migraram para a mídia digital. Os efeitos deste tsunami também se fazem sentir nas emissoras de rádio e televisão, com a queda de audiência e a migração – principalmente dos jovens – para as telinhas dos computadores, tablets e celulares. O bilionário mercado publicitário, que garante os altos lucros da mídia monopolizada, sente o impacto nas placas tectônicas. Diante deste cenário, os barões deste setor se utilizam de todos os expedientes para salvar o seu modelo de negócios e para manter os seus impérios midiáticos.

Por Altamiro Borges e Felipe Bianchi

Eles se sentem incomodados com o florescimento da blogosfera e das redes sociais. É certo que a internet não supera o poder os monopólios da mídia. Tanto que vários países discutem novas leis para regular este setor estratégico, que hoje coloca em perigo a própria democracia. Até a “chavista” Rainha Elizabeth II acaba de aprovar normas rigorosas para a mídia impressa no Reino Unido. Na América Latina, vários governos progressistas sentiram a força desestabilizadora e golpista da velha imprensa e também adotaram legislações para coibir a ditadura midiática. O Brasil, infelizmente, está na “vanguarda do atraso” no que se refere à adoção de uma lei para a democratização dos meios de comunicação.

Enquanto as mudanças legais não vingam, os ativistas digitais vão desempenhando o papel de uma guerrilha, fazendo o contraponto ao exército regular dos impérios midiáticos e reforçando a luta pela democratização da comunicação no país. Na eleição presidencial de 2010, por exemplo, eles ajudaram a desmascarar várias farsas montadas pela mídia tradicional, como no famoso episódio da “bolinha de papel” que atingiu a careca do candidato preferido da velha imprensa. Neste esforço, a blogosfera brasileira inclusive percorre um caminho inédito no mundo, tentando dar maior organicidade a sua atuação. Respeitando as divergências, ela procura construir a unidade na diversidade para aumentar sua força!

O livro “Blogueir@s, uni-vos (mas nem tanto…)” é um esforço para entender esta realidade dinâmica, contraditória e apaixonante. Ele serve de roteiro para o debate e como um passo inicial e parcial no estudo das mudanças em curso. Além de analisar os impactos da internet no mundo e no Brasil, ele relata a experiência da blogosfera brasileira. Os depoimentos de vários ativistas digitais, que atuam com coragem e combatividade na luta de ideias, mostram que a riqueza deste movimento sui generis está exatamente na sua diversidade. As resoluções dos quatros encontros da chamada blogosfera progressista, ou simplesmente “blogprog”, ajuda a fixar a memória deste movimento ousado e unitário.

*Apresentação do livro “Blogueiros, uni-vos (mas nem tanto…)”, publicado pelo Centro de Estudos Barão de Itararé. Adquira o seu exemplar: contato@baraodeitarare.org.br