22 de julho de 2024

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Com violência, entidades são expulsas de ato da Globo na Câmara

Mais uma vez os movimentos sociais são impedidos de entrar em sessão na Câmara dos Deputados. Agora os barrados foram os representantes do movimento pela democratização da comunicação, que tentaram participar de sessão em homenagem à Rede Globo realizada nesta terça-feira (14), fruto de um requerimento dos deputados Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) e Romulo Gouveia (PSD-PB).

Pedro Rafael Vilela, do FNDC, foi impedido de entrar na sessão em homenagem à Rede Globo. Foto: FNDC/DF

Por Joanne Mota, na Rádio Vermelho

É bom lembrar que, há exatamente uma semana,representantes de centrais sindicais e movimentos sociais também foram brutalmente recebidos pela Polícia Legislativa. Parece que a truculência tem sido a marca dessa nova Câmara presidida por Eduardo Cunha (PMDB/RJ).

O coordenador do Barão de Itararé do Distrito Federal, Fred Vázquez, repudiou a ação truculenta e destacou que a “repressão dentro de uma sessão solene, que normalmente é aberta, demonstra o poder da Rede Globo no cerceamento das vozes dissonantes”. 

Ele ainda denunciou que o ato durante a sessão tinha por objetivo expor uma “emissora que cresceu no colo do regime militar e que hoje assume o papel de agente ativo numa onda que busca impedir o avanço de um projeto popular e progressista inaugurado por uma ampla frente em 2002”. 

Pedro Rafael Vilela, do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), que também foi impedido de entrar na sessão, fala da violência sofrida e destacou que no momento atual é fundamental denunciar que não existe democracia no Brasil, já que o país está refém de um monopólio que é único no mundo. Nesses termos, alertou ele, “o processo democrático fica inviável. Sem pluralidade e diversidade o avanço social e democrático é impossível de ocorrer”.

Em entrevista ao Vermelho, Sônia Corrêa, diretora de Políticas Públicas do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé, afirmou que “a retirada na base da força de Pedro Rafael Vilela, do FNDC, foi uma demonstração de que a liberdade de expressão que o presidente da Casa, Eduardo Cunha, inimigo número 1 da democracia nas comunicações, não passa de uma piada pronta. O engraçado é que a retirada à força de Pedro do Plenário da Câmara por expressar-se é que a emissora jura defender a liberdade de expressão”.

50 anos de manipulação e hegenomia


Enquanto os parlamentares comemoram o que chamaram de “a construção de um veículo de comunicação pujante, que promoveu, com responsabilidade, a integração de 100% dos brasileiros”, os movimentos sociais ali presentes, que lutam pela efetiva democratização do setor há 30 anos e contra o monopólio da família Marinho, questionaram como eles avaliam um país de dimensões continentais possuir apenas um viés de opinião, sem falar na concentração escancarada promovida pela Globo.

Boa parcela da Câmara acredita, ou defende, que a Globo cumpriu com um serviço de interesse nacional. A sociedade organizada cobra a conta da sonegação de impostos, a cobertura enviesada que toma conta da TV de forma descarada desde sua criação, a criminalização dos movimentos sociais, a edificação e enraizamento de arquétipos e estereótipos que impedem a construção, sadia, de visões de mundo e lastro social. 

Entidades impedidas de realizar ato em protesto à Rede Globo na Câmara.
Foto: Barão de Itararé/DF

As entidades não queriam outra coisa senão cobrar da Rede Globo e da Casa Legislativa o respeito à Constituição Federal, um freio ao chamado Sudeste way of life, o reconhecimento das culturas diversas, do respeito aos trabalhadores. Afinal, a Globo é ou não uma concessão pública e como deve prestar serviço público?
 

Neste abril de 2015, a Rede Globo completa 50 anos e sua comemoração é pela edificação de um projeto associado a um modelo de desenvolvimento, amparado no regime militar e no capital estrangeiro, que institui um padrão de qualidade baseado em ideias importadas, que mais atenta à nossa cultura do que a fortalece. Essa realidade nos convoca a reforçar cada vez mais os movimentos que pedem a democratização da comunicação, que lutam pela comunicação com um direito e não como mercadoria.

A quem serve a Câmara dos Deputados

Em entrevista à Rádio Vermelho, a coordenadora do Barão de Itararé São Paulo, Ana Flávia Marques, que acompanhou as agressões pelas redes sociais, condenou a postura violenta repita na Câmara dos Deputados. “Por que apenas alguns têm acesso à Casa do povo?”, questionou a ativista ao criticar a postura violenta empreendida mais uma vez na Câmara dos Deputados de Eduardo Cunha.