22 de julho de 2024

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A mídia descontrolada: livro analisa atuação dos meios de comunicação na história recente do país

 

As eleições presidenciais de 2018 desorientaram os meios de comunicação tradicionais. Todos eles apostavam numa candidatura palatável para os seus interesses políticos e empresariais mas não encontraram quem a encarnasse. De repente se viram às voltas com uma realidade inesperada. Têm pela frente um governo que os despreza, que assusta muito dos seus leitores, ouvintes e telespectadores, mas do qual não podem se afastar totalmente, como sempre acontece no Brasil. A dependência das verbas publicitárias oficiais e de outros favores governamentais é muito grande.

Já dão mostras que se acomodarão aos novos tempos. Daí a importância dos movimentos sociais seguirem na luta por uma comunicação que abra espaço para a diversidade do país, democratizando a circulação de vozes existentes na sociedade. Uma parte importante dessa batalha está em A mídia descontrolada – episódios da luta contra o pensamento único, novo livro de Laurindo Leal Filho, o Lalo, lançado pelo Barão de Itararé.

A publicação traz uma coletânea de artigos produzidos por um dos maiores especialistas do Brasil no tema da democratização da comunicação, publicadas pela Revista do Brasil desde 2009. A análise crítica da atuação dos meios de comunicação feita por Lalo fornece ao leitor as peças do quebra-cabeça que revela os interesses e o poder jogado pelo oligopólio midiático no país. Uma contribuição que reúne o rigor da investigação científica do professor aposentado da Universidade de São Paulo (USP) com linguagem acessível mesmo a quem não está acostumado com as discussões do mundo da comunicação.

Para celebrar o lançamento, o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé venderá o livro pela Internet. Os interessados podem adquirir A mídia descontrolada – episódios da luta contra o pensamento único, ao custo de R$ 40,00 (mais frete). Adquira já! Além da boa leitura, você ajuda a manter a entidade funcionando. Role esta página para baixo, faça a sua compra e boa leitura!

 

 

Paulo Donizetti, autor da orelha do livro:

Certa vez ouvi o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva proferir um quase-axioma: às vezes, quando dizemos uma coisa e a pessoa não entende, achamos que ela é burra; quando explicamos uma segunda vez e ela não assimila, achamos que é muito burra; mas se falamos uma terceira vez e ela ainda não entende, acho que burros somos nós, que não conseguimos nos fazer entender.

E por que essa frase de efeito é “quase”, e não uma verdade incontestável? Porque nós, comunicadores que sonhamos e trabalhamos por um avanço civilizatório, por uma sociedade menos desigual e um mundo mais justo, temos barreiras muito maiores a superar do que a nossa suposta “burrice”. Enfrentamos um aparato secular de comunicação que opera diuturnamente para que o mundo permaneça perverso como é, injusto como está, e a sociedade mal informada ou desinformada como sempre. A concorrência é bruta.

Mas desafios estão aí para ser superados. Com obstinação, Laurindo Lalo Leal Filho tem feito a sua parte ao longo de toda sua trajetória. Como professor, intelectual, jornalista e cidadão. Lalo não passa um dia sequer sem analisar as falhas dessa concorrência bruta, as barbaridades cometidas pelo oligopólio da imprensa comercial.

E grande parte de sua produção intelectual chega ao público por meio da imprensa independente e de resistência. A Revista do Brasil, que circulou mensalmente por onze anos em edição impressa, de junho de 2006 a janeiro de 2017 – e hoje mora digitalmente no portal Rede Brasil Atual, acolhe orgulhosamente os textos de Lalo Leal desde dezembro de 2010, agora reunidos neste livro.

Como se comportam os meios de comunicação – sobretudo a televisão – quando está em jogo a dignidade de crianças, mulheres, minorias? Em que momentos a imprensa brasileira consegue fingir imparcialidade e quando ela escancara sua atuação como partido? Por que os donos dos grandes jornais, emissoras e portais têm calafrios quando se fala em regulação e censuram esse debate já superado nas grandes democracias do mundo?

Ao longo desta coletânea, o leitor terá respostas para estas e muitas outras questões. Elas evidenciam a necessidade de uma comunicação decente e democrática para que o avanço civilizatório possa sempre vencer a barbárie. Despido de qualquer arrogância acadêmica, o texto de Lalo é claro, preciso e elucidativo. Não precisa ler mais de uma vez.

Paulo Donizetti de Souza

Jornalista, editor da Rede Brasil Atual