O Conselho Deliberativo do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), que se reuniu em São Paulo, no mês de fevereiro (imagem abaixo), aprovou a realização do 4º Econtro Nacional pelo Direito à Comunicação (4ENDC). O evento, que reúne ativistas, militantes, pesquisadores e trabalhores para debater os principais temas da área de comunicações, deve ocorrer no segundo semestre de 2019, em uma capital do Nordeste ainda não definida.

Representantes de cinco comitês e cerca de 20 entidades nacionais que participaram da reunião do Conselho Deliberativo do Fórum entederam como ação estratégia a realização do 4ENDC como forma de articular a resistência e seguir debatendo edisputando os rumos das políticas de comunicação no país. Foi o primeiro momento de debate da entidade após a vitória de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais de outubro do ano passado.
“O 4ENDC acontece numa conjuntura ainda mais desfavorável para a luta em torno de políticas democratização de comunicação. O cenário atual é de desmonte das conquistas alcançadas pela sociedade nos últimos 20 anos, de tentativa de instalação de um novo regime, com a destruição completa da Constituição de 1988. Os ataques à Constituição se dão em várias frentes, como saúde, educação, e de direitos civis fundamentais, inclusive a própria liberdade de expressão”, afirma Renata Mielli, coordenadora-geral do FNDC.
Campanha Calar Jamais!
No contexto de revisão estratégica das ações do FNDC, que passou a orientar-se a partir da defesa da liberdade de expressão, foi avaliado como acerto político a criação da campanha Calar Jamais!, que pautou-se, em sua primeira fase, na denúncia sistemática de casos de violações à liberdade de expressão. Segundo Renata Mielli, a escalada um momento ainda mais grave para a democracia do país passou a demandar uma revisão da campanha para dar conta da complexidade de fenômenos que atentam contra a liberdade de expressão na atualidade, incluindo uma dimensão de institucionalização desses ataques e sua ampliação contra setores até então imunes à essas agressões, como a chamada “grande imprensa”, mas também contra a educação, cultura e a organização social.
“Percebemos a necessidade de colocar no centro da campanha Calar Jamais! não mais denúncias de casos isolados de violação à liberdade de expressão, mas a necessidade da defesa da liberdade de expressão, porque esse é o ataque central desse governo. A liberdade de expressão, a liberdade de pensando, a livre organização são os princiapais alvos desse regime. Por isso, esse repocionamento da campanha, para que ela passe a ser, de fato, uma campanha que mostre para sociedade brasileira e para o mundo como estamos vivendo um momento de ataque institucional à liberdade de expressão, em suas dimensões mais amplas, inclusive da educação e da cultura”, explica
Tendo em vista essas considerações, o Conselho Deliberativo do FNDC aprovou um conjunto de iniciativas que visam reestruturar a campanha Calar Jamais!, com a definição das medidas imediatas e prioritárias.
Iniciativas básicas:
– Buscar por recursos financeiros e materiais para viabilizar a nova fase da campanha.
– Realização do 4º ENDC em 2019, com foco no tema da liberdade de expressão.
– Elaboração de Manifesto e lançamento de nova logomarca e slogan da campanha <<< Calar Jamais! Em defesa da liberdade de expressão >>>
As 5 iniciativas prioritárias definidas pelo Conselho Deliberativo:
– Vincular ações da campanha com ações do movimento social.
– Envolver veículos da mídia alternativa na cobertura e divulgação da campanha.
– Realização de oficinas para subsidiar as entidades sobre o tema da liberdade de expressão (como identificar e combater violações).
– Lançar a campanha com atos e atividades nos estados e/ou audiências em Assembleias Legislativas e/ou Câmaras Municipais.
– Apresentação da campanha para as entidades do FNDC e para os movimentos sociais.