25 de julho de 2024

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A nora de Bolsonaro e o ódio à imprensa

A famiglia “acima de tudo” Bolsonaro, que só chegou ao poder graças à criminalização da política promovida pela mídia monopolista, está cada dia mais agressiva contra a liberdade de imprensa. O “capetão” ameaça jornalistas e não esconde sua intenção de asfixiar financeiramente veículos que são tratados como inimigos. Qualquer matéria minimamente crítica é motivo da histeria do clã e das suas milícias reais e digitais. Nessa semana, uma reportagem publicada na revista Época sobre a nora do presidente despertou a ódio fascista.

Por Altamiro Borges, em seu blog

Do hospital onde se recupera de uma cirurgia, Jair Bolsonaro babou ódio em suas redes sociais. Ele classificou a matéria – que não tem nada de agressiva e até parece meio promocional ao retratar o trabalho de orientação pessoal e profissional (“coaching”) oferecido pela psicóloga Heloísa Wolf Bolsonaro, casada com seu filho 03 – como um exemplo da “imprensa sem limites”. O capetão citou nominalmente o autor da reportagem, acusando-o de ter quebrado uma regra ética. “[Ele] fez sessões com minha nora Heloísa e gravou tudo. O que deveria ficar apenas entre os dois, por questão de ética, agora vem a público”, esbravejou o enfermo.

Também hidrófobo, o “embaixador do hambúrguer” Eduardo Bolsonaro informou pelo Twitter que “vamos processar o ‘jornalista’ João Saconi e quase certo a revista Época/Globo devido a divulgação deste notório crime contra minha família”. As milícias bolsonaristas – incluindo os famosos robôs – ajudaram a subir hashtags #familiaMarinholixo, com mensagens de estímulo ao ódio. Já o Facebook e o Instagram removeram uma foto postada pelo deputado que poderia estimular atos de violência contra o repórter. Indignado, Eduardo Bolsonaro reagiu:

“Um cara se passa por cliente, engana minha esposa para atacar a minha família, vende revista, ganha selo azul e aí quando eu vou postar a cara dos responsáveis por esse crime no meu Instagram e no Facebook o post é automaticamente deletado?! Não ferra, Facebook e Insta!”, escreveu o pimpolho 03 do “capetão”. Antes, ele já havia destilado veneno: “Minha esposa foi enganada por um mau caráter que se diz jornalista da Época/Globo e que usou de sua boa-fé e do seu profissionalismo para manipulá-la e fabricar matéria com o único intuito de assassinar a reputação de qualquer um que esteja próximo do Presidente. É isso que virou boa parte da nossa imprensa fazendo serviço para a esquerda”.

Até Sergio Moro, o “superministro” que virou bagaço no laranjal do clã Bolsonaro, saiu em defesa do seu chefinho – em mais um gesto de puxassaquismo e falta de caráter. Neste sábado (14), o “homem que faz a diferença” da Globo usou a internet para afirmar que é “um grande defensor da liberdade de imprensa”, mas que “a matéria em questão realmente ultrapassou certos limites éticos… Minha solidariedade ao deputado Eduardo Bolsonaro e a sua esposa”.

Como aponta Mauricio Stycer, especialista em mídia, toda essa agressividade sobre a matéria até anódina da Época serve apenas para alimentar a guerra contra os jornalistas e a imprensa. “A longa reportagem não traz nenhum fato desabonador sobre a psicóloga e, em algumas passagens, chega a parecer promocional. Ainda assim, como seria previsível, o mundo desabou. Uma das críticas principais foi ao método usado pelo repórter João Paulo Saconi – ele não se identificou como tal ao procurar a profissional. Jornalistas não são obrigados a se identificar para obter informações de interesse público”.

Diante da hostilidade, a revista publicada pela Globo – que tanto atiçou o ódio à política, satanizando as forças de esquerda e ajudando a chocar o ovo da serpente fascista no país – ainda tentou se justificar. “Época reafirma o respeito à ética e a retidão dos procedimentos jornalísticos que sempre pautaram as publicações da revista. A reportagem em questão não recorreu a subterfúgios ou mentiras para relatar de maneira objetiva – a bem do interesse do leitor – um serviço oferecido publicamente, com cobrança de taxas divulgadas nas redes sociais”. A resposta, porém, não vai reduzir a sanha agressiva dos bolsonaristas.