20 de julho de 2024

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Patrícia Villegas: ‘Construir meios públicos, populares e comunitários é construir a cidadania latino-americana’

Outra comunicação é possível. Esta é a principal lição dos 16 anos em que a TeleSur está no ar. A presidenta do canal multiestatal, idealizado e fundado por líderes populares do continente como Hugo Chávez e Fidel Castro, Patrícia Villegas falou sobre os desafios da luta pela democratização da comunicação, nesta quarta-feira (17), ao canal do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé.

“Quando os ventos sopram a favor, temos nossa importância. Mas quando o vento sopra contra, é aí que somos imprescindíveis”, diz Villegas, em relação à gangorra entre esquerdas e direitas no poder dos países que mantêm a emissora. “Quando cortam nosso sinal, como foi o caso na Bolívia, quando Jeanine Añez usurpou a presidência de Evo Morales, o povo fica sem opções. Quando a história se coloca contra a corrente, é aí que tem que existir a TeleSur”.

Segundo a jornalista colombiana, o trabalho desenvolvido pela emissora vai além de reportar notícias sob uma perspetiva progressista. “Não é só a notícia, mas são os temas de interesse público abordados sob outro prisma”, diz. “Por exemplo, a cobertura sobre o falecimento de Diego Maradona, não para explorar a morte de um ídolo como muitos fizeram, mas para retratar a figura humana, para contar seu legado”.

Na Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil, a TeleSur produziu o programa De Zurda (“De canhota”), fazendo a cobertura do mundial de futebol com Maradona e Victor Hugo Morales, histórico narrador e jornalista uruguaio. A dobradinha TeleSur e Maradona se repetiu em 2018, na Copa do Mundo na Rússia.

“Prestamos um serviço de TV pública dentro da nossa programação, com programas de temas de interesse púbico e com qualidade, passando bem longe do sensacionalismo de meios comerciais”, explica. “Construr meios públicos, comunitários, populares e sindicais tem também este papel: o de construir uma cidadania latino-americana”.

Apesar de não estar disponível no Brasil, o sinal da TeleSur pode ser assistido 24h por dia no YouTube – e Villegas conta que a ideia é aumentar a produção de conteúdos em português para 2022.

Além do Barão de Itararé, participaram da entrevista representantes do Brasil de Fato, Jornalistas Livres, Pátria Latina, Pressenza, Diálogos do Sul e de entidades como o Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela e o Fórum de Comunicação para a Integração de Nossa América (FCINA).

Processos eleitorais na região

Apesar da preocupação da TeleSur em diversificar sua programação, a empresa segue sendo referência quando o assunto é fazer contraponto às posições monolíticas dos grandes conglomerados midiáticos em processos eleitorais na região.

Com eleições marcadas para o domingo (21) no Chile (presidencial) e na Venezuela (para governadores e prefeitos), além do dia 28 de novembro em Honduras e, em 2022, na Colômbia e no Brasil, Villegas avalia que fazer jornalismo in loco e em tempo real é o melhor antídoto para o veneno da cobertura hegemônica, que sabota sistematicamente as candidaturas progressistas nos diversos países do continente.

“A mídia hegemônica invisibiliza acontecimentos durante o processo eleitoral e tenta atacar a credibilidade desses processos, no caso da Venezuela. É como se, manipulando ou simplesmente não mostrando, apagassem a história”, diz a jornalista colombiana.

“A tarefa dos meios contra-hegemônicos e da TeleSur é relatar ao vivo, mostrando os acontecimentos com rigor que não deixe margem para dúvidas. A cobertura em tempo real, direto dos acontecimentos, é fundamental para desmentir as manipulação da mídia hegemônica, para trazer a realidade e os fatos de forma incontestável. É isso que a TeleSur fará nas eleições do Chile e da Venezuela, no próximo domingo”.

Plataformas digitais e os algoritmos

Sobre as plataformas digitais como Facebook, Instagram, TikTok e Twitter, Villegas diz que as contas da TeleSur já sofreram bloqueios e é preciso problematizá-las, mas que não deixa de ser fundamental manter a presença nesses ambientes. “Temos que ocupar esses e todos os espaços”, afirma. “É preciso desenvolver estratégias para essas redes, compreender como funcionam os algoritmos dessas redes. Não podemos dar as costas a elas, mas saber como usá-las em favor da nossa luta”.

Além desses tópicos, Villegas também abordou assuntos como as saídas para o financiamento de meios contra-hegemônicos, o papel do Estado nesta oxigenação do ecossistema midiático, os avanços nos processos de regulação do setor em alguns países do continente e a importância de que a agenda da integração regional esteja presente, também, no jornalismo e nas práticas das mídias alternativas.

Assista na íntegra: