12 de julho de 2024

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Mídia monopolista é cúmplice dos crimes contra Assange, afirma Altamiro Borges

Privado de sua liberdade há mais de uma década por vazar documentos bombásticos e comprometedores através do Wikileaks, Julian Assange merece toda a solidariedade, afirma Altamiro Borges, coordenador do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé.

Em vídeo publicado originalmente pela campanha #FreeAssangeNow, encabeçada pelo capítulo Brasil do Comitê Internacional Paz, Justiça e Dignidade aos Povos, com apoio do MST, Borges lembra que “a mídia comercial brasileira silencia sobre os abusos sofrido pelo jornalista australiano, o que a torna cúmplice desse crime cometido pelo império”.

Figuras como João Pedro Stédile e Glenn Greenwald também participam da iniciativa (saiba mais e assista aqui).

“Silenciar Assange é destruir a capacidade de sermos bem informados. Assange não praticou nenhum crime. […] Seguimos coletando vídeos e apoios para essa causa. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) também declarou estar a favor da liberdade”, conta Carmen Diniz, do Comitê Carioca de Solidariedade à Cuba.

Em entrevista ao Opera Mundi, Diniz defende que a “perseguição” contra Assange é uma forma de “silenciamento da liberdade de expressão”, o que neste caso contrasta com a “liberdade de opressão” dos que cometem os abusos contra o ativista australiano. “A perseguição que fazem a todos que testemunharam as atrocidades executadas em invasões norte-americanas é a comprovação de que ao país não é dado o direito de se autoproclamar democrata”, defende Diniz, apontando qual “lado da trincheira” a campanha está, sendo “necessário agir”.

Conforme explica o Opera Mundi, Assange é acusado pelo Departamento de Justiça norte-americano de “conspirar” com a ex-analista militar Chelsea Manning por publicar milhares de documentos com informações confidenciais sobre crimes de guerra dos EUA no Iraque e no Afeganistão. Ele pode pegar até 175 anos de prisão. Leia a entrevista de Carmen Diniz ao Opera Mundi na íntegra aqui.

Nesta quarta-feira (26), Carmen Diniz publicou texto explicando em que pé está a complexa situação judicial de Assange. Leia a seguir na íntegra:

Na última segunda -feira (24/01) foi escrito mais um capítulo do processo movido no Reino Unido contra o jornalista australiano Julian Assange. Após a decisão do último 10 de dezembro sinalizar com a possível/provável extradição para os EUA aceitando o recurso de Washington e reformando a anterior decisão, os ativistas pela liberdade do jornalista prendiam o fôlego na expectativa do tribunal britânico aceitar ou não a apelação do réu contra a medida.

O referido processo se arrasta há mais de 3 anos – tempo em que Assange se encontra encarcerado na prisão de segurança máxima de Belmarsh nos arredores de Londres, também conhecida como “a Guantánamo britânica”. Lá sofreu além das torturas psicológicas, um AVC em outubro de 2021 tendo por origem situação de stress e segue preso em regime fechado. Importante ressaltar que antes de sua prisão ele esteve refugiado na embaixada do Equador em Londres, sem poder pisar na calçada sob pena de ser imediatamente preso. Isso desde junho de 2021, ou seja se encontra preso há pelo menos onze anos. Sem ter praticado qualquer crime.

Além das reviravoltas em todas as acusações que responde, ressalte-se que a maioria delas foi arquivada por não conter provas e outras comprovadamente “armadas” por emissários do governo estadunidense. Se Assange for extraditado para os EUA o aguarda uma pena de cerca de 175 anos por “espionagem”. Os verdadeiros criminosos, que executavam vidas civis no Iraque por pura diversão – em meio a risadas – a esses nada acontece. Foram cerca de 700.000 documentos divulgados de atrocidades cometidas pelas tropas estadunidenses no Iraque, Afeganistão e na prisão de Guantánamo. Washington se viu em maus lençóis em relação aos Direitos Humanos. O mundo pôde ser informado sobre o que acontecia nesses países.

Pois bem, voltando ao dia 24 de janeiro, o tribunal concede a Assange o direito de apelar de sua extradição à Suprema Corte. Seus defensores, família e demais ativistas comemoraram como uma ‘vitória parcial”, mas uma vitória. Na verdade a base desse recurso é somente em relação a uma questão técnica: 

A decisão anterior negava sua extradição por questões de saúde, uma vez que poderia inclusive levar Assange ao suicídio em razão do tratamento que receberia nas condições carcerárias. Seria esse o momento de Washington ter contestado tal fato garantindo condições humanitárias a Assange e acompanhamento psicológico, inclusive, o que não foi feito. 

Esta ‘promessa’ só foi apresentada após a segunda decisão (de extraditá-lo), ou seja, fora do prazo legal e insuficiente para ensejar decisão tão drástica como uma extradição. É uma promessa, pode ser revogada a qualquer tempo e a Suprema Corte, então, precisa se pronunciar sobre esse novo fato. Por isso foi aceita a apelação de Assange que a partir daquela data tem 14 dias para protocolar suas razões. Não há prazo para essa nova decisão.

Assim se encontra o processo de Julian Assange no momento. É dessa forma que vamos unindo forças para pressionar o judiciário a libertar Julian Assange e cada vez mais pessoas e grupos se unem nesta empreitada – que vamos vencer. 

*A imagem que ilustra esta matéria é de autoria de