
Diante do sequestro do Presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cília Flores, os movimentos populares, centrais sindicais e demais forças organizadas da esquerda brasileira uniram-se em solidariedade ao povo venezuelano. Eles destacaram a dimensão inédita do ataque, possível apenas pela capacidade bélica dos Estados Unidos. Neste domingo (4), uma ampla reunião que congregou esses setores — incluindo organizações da juventude, entidades sociais e representações políticas diversas — foi convocada para organizar atos em várias capitais do país. A pauta centrou-se na solidariedade à Venezuela e no repúdio à escalada militar promovida por Donald Trump.
A mobilização tem como eixo central a denúncia da agressão imperialista dos Estados Unidos, que representa uma ameaça não apenas à soberania venezuelana, mas à estabilidade e à autodeterminação de toda a América Latina. As organizações reafirmam o compromisso histórico da região como Zona de Paz e rejeitam qualquer forma de intervenção militar ou ingerência externa.
As entidades também denunciam o sequestro ilegal do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, caracterizando o episódio como um ato de guerra e uma violação brutal do direito internacional. As falsas acusações levantadas contra as autoridades venezuelanas servem apenas como pretexto para legitimar a violência e retomar o controle sobre as riquezas naturais do país – em especial o petróleo.
Outro ponto central da mobilização é a denúncia da máquina de guerras e de mentiras dos Estados Unidos, que adota práticas terroristas em consonância com uma longa campanha midiática internacional de criminalização e difamação do governo venezuelano.
A reunião contou com a participação de representantes direto de Caracas, que trouxeram relatos diretos sobre a gravidade do ataque. Hernán Vargas, do Movimiento Pobladores y Pobladoras e da coordenação política da Alba Movimientos, afirmou que não houve golpe militar, mas sim sequestro, segundo ele, neste momento “os povos do mundo são a extensão da força e da capacidade de resistência do povo venezuelano”.
Já Carlos Ron, ex-vice-ministro das Relações Exteriores da Venezuela para a América do Norte e pesquisador do Instituto Tricontinental, enfatizou que o governo venezuelano não foi derrotado, rechaçando a narrativa de divisão interna. Para ele, o ataque deve ser compreendido como “uma agressão externa de grande magnitude, estranha à cultura política venezuelana, e que exige solidariedade internacional e respeito à soberania do país”.
As organizações também decidiram pressionar o Estado brasileiro para que se manifeste oficialmente, por meio de seus poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, bem como pelos canais diplomáticos, condenando a agressão imperialista e expressando solidariedade ao governo e ao povo da Venezuela.
Os atos públicos buscam fortalecer a solidariedade internacionalista, romper o cerco informacional e afirmar que a defesa da Venezuela é parte da defesa da soberania do Brasil e da América Latina. Confira a lista de atos confirmados:
Agenda de atos (em atualização):
- 04/01
- Porto Alegre – Redenção – 15h
- Curitiba Praça João Cândido – 15h
- 05/01
- São Paulo – Consulado EUA – a partir das 16h
- Rio de Janeiro – Cinelândia – 16h
- Brasília – Museu Nacional – 17h
- Salvador – Praça da Piedade – 16h
- São Luís – Praça Deodoro – 16h
- Belo Horizonte – Praça Sete – 17h
- Porto Alegre – Consulado EUA – 17h
- 06/01
- Recife – Consulado EUA – 16h
- 08/01
- Fortaleza – Praça do Ferreira – 15h