12 de fevereiro de 2026

“Tarcísio é um tigre de papel”: os dois pontos que podem dificultar sua reeleição, segundo Boulos

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), afirmou que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), possui fragilidades centrais que podem comprometer uma eventual tentativa de reeleição em 2026. A declaração foi feita em entrevista à coletiva realizada pelo Centro de Estudos da Mídia  Alternativa Barão de Itararé, nesta quarta-feira (28).

Por Yuri Ferreira / Revista Fórum 

Questionado pela Fórum sobre o cenário da próxima eleição estadual paulista, Boulos afirmou que, “Tarcísio é um tigre de papel”.

Privatização da Sabesp

Para Boulos, a privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) é um dos principais pontos de vulnerabilidade do governo estadual.

Ele criticou a venda da empresa, que classificou como a maior companhia de saneamento da América Latina, destacando que era lucrativa, bem avaliada e prestava “excelente serviço” à população.

O ministro acusou Tarcísio de ter descumprido promessas feitas durante o processo de privatização. “Ele repetiu diversas vezes, em entrevistas e propagandas, que a conta de água não aumentaria e que o serviço melhoraria. Um ano depois, a conta aumentou e São Paulo enfrenta um pré-racionamento de água”, afirmou.

Boulos relatou episódios de falta de abastecimento em regiões periféricas da capital e da Região Metropolitana, especialmente no fim de 2025 e início de 2026, quando comunidades ficaram dias sem água após as 17h. Ele contou ter sido procurado por moradores do Campo Limpo, bairro onde vive, que estavam há oito dias sem abastecimento. Após contato com a presidência da Sabesp e a gravação de um vídeo denunciando a situação, a água teria retornado à comunidade dias depois.

“Um ministro não pode ir de porta em porta para resolver falta de água. Esse é um calcanhar de Aquiles que vai precisar ser enfrentado na campanha”, disse.

Segurança pública

O segundo tema destacado por Boulos foi a segurança pública. Ele criticou a narrativa da direita de que o tema seria um tabu para a esquerda e defendeu que a gestão Tarcísio-Derrite seja confrontada com dados e resultados concretos.

Embora reconheça que São Paulo mantém há anos baixos índices de homicídios em comparação com outros estados, Boulos afirmou que isso não é resultado da atual gestão. Ele apontou, por outro lado, um aumento nos casos de feminicídio e questionou a eficácia das políticas adotadas pelo governo estadual, apesar da retórica de endurecimento policial.

“Quais são os resultados reais da gestão Tarcísio-Derrite em termos de sensação de segurança e redução da criminalidade?”, questionou.

Para o ministro, esses temas devem ganhar centralidade no debate eleitoral e expor o que ele chamou de “mediocridade, quando não retrocessos”, dos quatro anos de gestão de Tarcísio de Freitas à frente do governo paulista.

Candidatura ou continuidade no Ministério?

Boulos deu a entender que não será candidato nas eleições. Ele afirmou que sua prioridade será ocupar o espaço político que melhor contribua para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O ministro destacou que é o integrante mais recente do primeiro escalão do governo, tendo assumido o cargo em outubro, e que recebeu uma missão específica do presidente: ampliar a presença do governo federal junto à base social. Nesse contexto, citou o lançamento do programa “Governo do Brasil na Rua”, que prevê visitas aos 27 estados até junho.

“Neste momento, acredito que posso contribuir mais permanecendo no governo, ajudando a qualificar a relação do governo com sua base social e fortalecendo a construção política para 2026”, concluiu.

Confira abaixo a íntegra da entrevista coletiva: