2 de junho de 2026

“Compra massiva de votos pela extrema-direita marcou eleições na Colômbia”, denunciou representante de Cepeda

Alirio Muñoz, parlamentar e destacado defensor dos direitos humanos (ComunicaSul)

Conforme Alirio Muñoz, porta-voz internacional da campanha do Pacto Histórico, apelaram de todas as ilegalidades e manipulação para evitar o segundo turno com o candidato do governo Petro e das forças progressistas no próximo dia 21 de junho

Por Leonardo Wexell Severo de Bogotá, Colômbia/ComunicaSul

“Apelando para uma compra massiva de votos, Álvaro Uribe organizou a campanha presidencial de tal maneira que tinha duas cartas na manga e fez de tudo para ganhar já no primeiro turno. Assim, queimaram a candidata Paloma Valencia – o que nos surpreendeu bastante – e fortaleceram a de Abelardo de la Espriella, usando o suposto voto útil”, denunciou Alirio Muñoz, porta-voz internacional da campanha de Iván Cepeda e renomado advogado de defesa dos direitos humanos.

Em entrevista exclusiva na manhã desta segunda-feira (1), após realizar um balanço da jornada eleitoral, no Grand Park, em Bogotá, Alirio foi contundente em atacar a estratégia digital de ataques de difamação “vindas desde o exterior” contra as candidaturas do Pacto Histórico e da Aliança pela Vida, enaltecendo o papel decisivo que tanto Cepeda como sua vice Aida Quilcué jogaram para a construção da política de “Paz Total”. A iniciativa foi determinante para colocar fim a mais de 50 anos de conflitos armados e que sangrou mais o país durante as democracias do que as ditaduras do Cone Sul,

“Houve muitas pautas de difamação, abundante desinformação que, aparentemente, foi paga nos Estados Unidos, na Espanha e em outros países. Também houve uma ingerência internacional e pressão desde os EUA, do Equador e de outros lados”, assinalou o deputado federal por Bogotá na coligação Pacto Histórico, acrescentando que “foi uma campanha digital massiva” em favor da extrema-direita. Segundo Alirio, está evidente que “essa disputa eleitoral não é apenas uma decisão do que queremos os colombianos, mas a luta entre o progressismo e o fascismo internacional”.

“MÍDIAS ESTRANGEIRAS APOIANDO O FASCISMO E O NEOLIBERALISMO”

Exemplo disso, condenou Alirio Muñoz, “é que as grandes multinacionais das comunicações ajudaram a que se pautassem em redes e que se movessem algoritmos em favor da campanha da direita, apoiando o fascismo e medidas neoliberais contra o nosso povo”. Por outro lado, sustentou, “temos que reconhecer que este governo conseguiu fazer comunicação graças aos meios alternativos, graças às redes sociais e aos meios comunitários, que democratizaram, de alguma forma, a informação”.

Diante deste cenário, apontou o dirigente, avaliamos que a partir dos quase 10 milhões de votos que obtivemos, necessitamos agora “redesenhar a campanha, as mensagens, as estratégias comunicativas, midiáticas e políticas para ganhar o eleitorado que não foi votar e atrair os dos demais candidatos”. 

A abstenção no último domingo foi de 43%, com aproximadamente 20 milhões de colombianos não comparecendo às urnas – uma vez que não há obrigatoriedade – quase igualando ao número de votos do candidato mais votado. As primeiras contagens colocam o advogado de narcotraficantes e milionário Abelardo de la Espriella com 43,7% dos votos contra 40,9% do progressista Iván Cepeda e 6,9% da uribista Paloma Valencia,

Nas palavras de Sérgio Fajardo, quarto colocado nas eleições presidenciais, com cerca 4% do total, de la Espriella é um ‘fantoche”, um “merda”, “tramposo e inventor de mentiras”, não merecendo qualquer credibilidade.

“PETRO É REFERÊNCIA NA REJEIÇÃO AO IMPERIALISMO”

Pronunciamentos contundentes do presidente Gustavo Petro “contra a invasão da Venezuela, repudiando o bloqueio a Cuba e rejeitando o imperialismo”, asseverou Alirio Muñoz, “fez com que o nosso governo liderasse a nível internacional uma agenda pela paz, para reduzir a mudança climática, pela autodeterminação dos povos e pela soberania nacional”.

“Acredito que a Colômbia está jogando um papel importante para a América Latina, para o mundo, e obviamente, a nível interno. Com este compromisso, estão sendo adotadas muitas políticas sociais em benefício da população, que têm a ver com temas de reforma rural integral, direitos trabalhistas, educação pública e gratuita superior, entre outras relevantes conquistas”, exemplificou Alirio, o que tem colocado as forças da reação em polvorosa.

Para o porta-voz internacional de Cepeda, “a disputa neste segundo turno opõe um futuro de soberania e democracia contra o passado de um Estado mafioso, de corrupção e violência”.

“COLÔMBIA CORRE O RISCO DE CAIR NAS MÃOS DA EXTEMA-DIREITA, ANTI-DIREITOS, CONTRA A DIVERSIDADE E O PLURALISMO”

Conforme a ex-prefeita da capital, Claudia López, candidata a presidente pelo movimento independente Imparável, “a Colômbia se enfrenta hoje ao risco de perder sua democracia, de cair nas mãos da extrema-direita, anti-direitos, contra as mulheres, contra a diversidade, contra o pluralismo”. “Há um risco sério, queridos colombianos de perder a democracia, fruto do autoritarismo global”, alertou a candidata a presidente, que identifica Abelardo de la Espriella com um “trumpismo grosseiro, autoritário e preconceituoso”. Diante desse quadro, conclamou a todos que se abstiveram a irem às urnas, “porque em de la Espriiella não votaria nem morta”.

Candidato à vice-presidente de Paloma Valencia, Juan Daniel Oviedo, também havia criticado de la Espriella pelas declarações de sua esposa, Ana Lucía Pineda, à revista Semana, onde relatou que caso não vencessem a presidência já tinham um plano para lidar com a derrota. “Bem, temos dois caminhos: ganhar ou perder. E, se perdermos, não é o fim do mundo, porque já temos nossas vidas organizadas, vivemos maravilhosamente bem, trabalhamos juntos, temos nossos filhos, moramos em outro país, se quisermos podemos voltar para a Colômbia, se não, não”, desdenhou ela.

Para trabalhar com desenvoltura e empenho a defesa de narcotraficantes, Abelardo de la Espriella tem trinacionalidade. Ela foi conseguida nascendo na Colômbia, obtendo a cidadania italiana por ser descendente de italianos por parte dos avós maternos e tendo vivido por 15 anos nos Estados Unidos, principalmente em Miami.

Esta cobertura da Agência ComunicaSul de Comunicação Colaborativa só foi possível graças ao apoio do Sindicato dos Bancários de São Paulo; Sindicato dos Escritores do Estado de São Paulo; jornal Hora do Povo; Vermelho; Diálogos do Sul Global; Correio da Cidadania; Barão de Itararé; vereador Werner Tempel (PCdoB) de Santa Maria-RS; Professor Azuaite, de São Carlos-SP; Instituto Angelim, e da Central Unitária de Trabalhadores da Colômbia, além de vários contribuintes anônimos. Contribua você também: