Record e Band abafam atos pela democracia

Política
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A semana passada foi marcada pelos atos em defesa da democracia em várias capitais brasileiras – que tiveram o seu epicentro na leitura de duas cartas contra o golpismo na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e repercutiram com força nas redes sociais e na imprensa mundial. As manifestações, porém, foram descaradamente ofuscadas por emissoras bolsonaristas, como a Record do “bispo” Edir Macedo e a Band do “ruralista” Johnny Saad.

Altamiro Borges

Conforme registrou Mauricio Stycer em sua coluna no site UOL, o Jornal da Band e o Jornal da Record “apresentaram cobertura protocolar dos acontecimentos. O principal telejornal da Record dedicou apenas 2 minutos e meio aos eventos... Já o ‘Jornal da Band" se estendeu por 3 minutos e meio, mas igualmente sem maior entusiasmo”. Ambos telejornais não mencionaram sequer o nome de Jair Bolsonaro em suas coberturas “jornalísticas”.

Para surpresa do especialista em mídia do UOL, o SBT – também apelidado de Sistema Bolsonarista de Televisão, do mercenário Silvio Santos – até foi mais honesto nas reportagens. “O SBT-Brasil, que falou em ‘quinta-feira histórica’, deu bastante destaque às manifestações. A repórter Simone Queiroz relatou que foram lidas ‘cartas apartidárias dentro da Faculdade de Direito, em São Paulo, mas depois, na rua, houve protestos contra o presidente Bolsonaro”.

A cobertura do Jornal Nacional da TV Globo

A Rede Globo – que ajudou a chocar o ovo da serpente fascista no Brasil, mas hoje é tratada como “globolixo” pelos agressivos bolsonaristas – propiciou o melhor apanhado dos atos. “A Globo, que exibiu ao vivo, à tarde, trechos da leitura da carta da democracia, deu tratamento de gala ao assunto em seu principal telejornal... A cobertura do JN se estendeu por mais de 30 minutos, sem interrupção para exibição de intervalos comerciais”, relata Mauricio Stycer.

Já na abertura do noticiário de maior audiência da televisão brasileira, a emissora deixou explícita sua posição:

“Onze de agosto de 2022. Na Faculdade de Direito da USP, dois manifestos pedem o respeito à democracia, às urnas eletrônicas e ao resultado das eleições de outubro. Resposta aos ataques do presidente Jair Bolsonaro ao sistema eleitoral com insinuações golpistas. Uma das cartas é apoiada por mais de uma centena de federações empresariais, sindicais e movimentos sociais. A carta da Faculdade de Direito da USP reúne um milhão de assinaturas. E atos públicos com a mesma inspiração se multiplicam pelo país, em 26 capitais e no Distrito Federal”.