Fórum latino-americano de comunicadores repudia ataques à Unasul

Internacional
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Frente à posição do atual governo equatoriano, capitaneado por Lenín Moreno, o Fórum de Comunicação para a Integração de Nossa América (FCINA) publicou manifesto conclamando os movimentos populares e a rede de comunicação alternativa do continente a levantar voz contra os ataques direcionados a União de Nações Sul-Americanas (Unasul). Importante órgão institucional para a integração latino-americana, a Unasul está na mira de governos da região alinhados aos interesses do imperialismo, sobretudo, norte-americano. 

No começo de julho, o Lenin Moreno anunciou que "despejará" o organismo do prédio em que funciona, no Equador. Confira a nota na íntegra:

Unasul é soberania, Unasul é dos povos, Unasul é presente e futuro

O Fórum de Comunicação para a Integração de Nossa América (FCINA) faz um chamamento à população, às organizações e aos líderes da América do Sul a manifestarem-se enfaticamente em defesa da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e rechaçar ações e declarações unilaterais que ameaçam minar o avanço da integração regional que a Unasul encarna.

Por décadas, a integração tem sido uma aspiração dos povos e a Unasul tem contribuído a concretizá-la em termos institucionais.

Reconhecemos, junto à iniciativa de governos valentes, o papel de liderança que o Equador vem tendo em dar impulso a tal processo, criando condições para levar adiante a tarefa de ser sede do organismo, incluindo a doação de um edifício apto para atividades próprias de uma organização com tais características.

Por isso, expressamos nossa preocupação em relação ao anúncio do presidente equatoriano Lenin Moreno, que dilui a consistência exercida até agora pelo Equador a favor de uma diplomacia integradora, multilateral, independente e orientada pelo princípio da cooperação Sul-Sul.

A pretendida deslocalização da sede da Secretaria Geral da Unasul aponta à renúncia da responsabilidade assumida pelo Equador no que diz respeito à consolidação de um projeto histórico de unidade latino-americana.

O anúncio realizado ignora publicamente que a devolução do edifício, segundo o acordo firmado para a sua doação, só pode obedecer a três casualidades: que os países membros decidam mudar a sede do organismo; que o Equador o abandone; ou que os países membros decidam terminar o Tratado Constitutivo da Unasul.

Longe de favorecer uma renovaca concertação de seus integrantes para resolver o impasse político dentro da Unasul, a postura do governo equatoriano escancara a pressão a que governos como os de Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Peru e Paraguai submetem ao organismo para, de forma clara, forçar o continente a se realinhar com a esfera de influência estadunidense e seu braço executor "interamericano", a Organização dos Estados Americanos (OEA).

Desarticular um organismo como a Unasul, surgido da necessidade de somar potencialidades para falar com vóz própria no debate dsa nações do mundo, equivale a uma cessão de soberania e ao retorno da dependência geoestratégica.

Se equivoca quem crê que aumenta as possibilidades dos povos rastejando na esteira da corrente de nacionalismos divisionistas e prepotentes. A história mostra que as nações fortes surgiram do compromisso convergente de diversidades, buscando uma unidade superadora. Isso é o que representa a Unasul para a América do Sul e é essa, precisamente, a razão pela qual se tenta, agora, com argumentos secundários, desintegrá-la.

É falso que a Unasul não cumpra nenhuma função. Para além das incontáveis atividades desenvolvidas nos últimos quatro anos desde a Secretaria Geral em diversos países e na sede de La Mitad del Mundo, os 12 conselhos setoriais que estruturam a ação contínua do organismo tem alcançado múltiplas conquistas das quais é possível mencionar apenas um punhado.

Estruturas como o Centro de Estudos Estratégicos de Defena (CEED), o Instituto Sul-Americano de Governo em Saúde (ISAGS), uma estratégia comum para incidir na resolução do problema mundial das drogas, o Estudo Comparativo de Sistemas Educativos Sul-Americanos, o acompanhamento de missões eleitorais, os projetos de conectividade física e energética e infra-estrutura incluídos no Cosiplan ou o fortalecimento da coperação Sul-Sul são apenas algum deles.

A Unasul tem sido fundamental para a preservação da paz no continente, mediando permitir o diálogo e a resolução de conflitos. Ao mesmo tempo, a instituição tem sido importante, também, para evitar golpes de Estado contra governos legitimamente eleitos. Sem dúvidas, ser uma trincheira contra o belicismo e a intromissão estrangeira é outro dos principais motivos para as manobras destrutivas em contra da própria Unasul.

É totalmente falso que a Unasul seja uma burocracia estéril e onerosa para os membros. O seu orçamento anual, de apenas 9 milhões de dólares, é risível frente ao desembolso de juros de dívida que o povo custeia para benefício da banca internacional concentrada. Ademais, a Unasul permite articular capacidades existentes, conectando as diferentes áreas ministeriais e setoriais em um tecido sul-americano que potencializa a atividade do funcionariado local.

Quanto à dificuldade de não contar, desde janeiro de 2017, com um novo Secretário-Geral que goze de consenso entre os membros, trata-se de uma orientação clara de alguns paíseis dirigida a cercear a República Bolivariana da Venezuela, país irmão e membro, algo que é completamente inadmissível e estranho a qualquer proceder de diplomacia integradora.

É imprescindível voltar a convergir ao propósito da Unasul: ser um âmbito de concertação de políticas regionais independentes, a favor da ampliação dos direitos e da melhora da qualidade de vida de suas populações.

É óbvio que somente a pressão popular será capaz de reconduzir a América do Sul por um caminho de justiça social e liberdades compartilhadas, pelo que, junto aos movimentos sociais, as coordenações continentais e as redes de comunicação que confluem em nosso Fórum, exortamos, uma vez mais, a cidadania a mobilizar-se em defesa da Unasul. Uma construção regional que, certamente, é de todos nós.

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O FCINA é uma iniciativa de redes e meios de comunicação e movimentos sociais comprometidos com a integração dos povos da América Latina e do Caribe.

Mais informação: http://integracion-lac.info

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Tradução da nota por Felipe Bianchi