18 de julho de 2024

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Semana de Jornalismo da ABI debate presença reduzida de jornalistas negros e negras nas redações dos veículos corporativos

A Diversidade, Equidade e Igualdade Racial foi o tema da 1ª Semana de Jornalismo ABI/UERJ, realizada na terça-feira (28) pela manhã, no Rio de Janeiro. Com apresentação do diretor da ABI, Marcos Gomes, a mesa contou com as participações dos jornalistas Flávia Lima, editora de Diversidade da Folha de São Paulo; Caê Vasconcelos, do Uol Notícias; Anapuaka Tupinambá, criador da rádio indígena Yandê; Iris Agatha, ex-TV Manchete; e Jorge Antonio Barros, criador do canal Quarentena News.

Alunos da Faculdade de Comunicação Social da UERJ assistiram as palestras e depois interagiram com perguntas sobre a utilização de termos como “minorias raciais” e a presença reduzida de jornalistas negros e negras nas redações.

Repórter do Uol Notícias, Caê Vasconcelos destacou a sua condição de homem trans, bissexual, o livro “Transresistênia: Pessoas trans no mercado de trabalho”, o preconceito de parcela da sociedade em relação ao assunto e como a imprensa pode ser fundamental para a quebra desse paradigma.

Secretária de Gênero, Raça e Etnia da FENAJ, Valdice Gomes lembrou que recente pesquisa realizada entre jornalistas empregados nos principais veículos de comunicação, identificou que apenas 20 por cento se declararam pretos, o que enseja a necessidade do aumento da presença desses profissionais nesses veículo, como forma de garantir, por exemplo, a produção de pautas que possam atender à necessidade de enfrentamento ao racismo em todos os segmentos.

Criador há 10 anos da rádio indígena Yandê (Somos nós) e estudante de jornalismo, Anapuaka Tupinambá, difunde entre os comunicadores indígenas a etnomultimídia, resumida por ele como um método de “produção de suas próprias narrativas, que diferem daquelas realizadas por comunicadores não indígenas”.

Editora de Diversidade do jornal Folha de São Paulo, Flavia Lima, coordenou os dois primeiros programas de treinamento voltados exclusivamente para profissionais negros. Disse que esse processo vem evoluindo até mesmo como aprendizado para o próprio veículo.

Repórter das rádios Tupi, Nacional e da extinta TV Manchete, a jornalista Iris Agatha, abordou sua pesquisa sobre o Movimento Negros, entre 1975 e 1985 no Rio de Janeiro, tendo como escopo as divergências entre a black music e o samba de raiz.

Ex-Editor Adjunto do Jornal O Globo e criador da página Quarentena News no Facebook, Jorge Antonio Barros, descreveu alguns momentos importantes de sua carreira como a produção de uma reportagem especial para o Jornal do Brasil sobre a chegada da cocaína vinda da Colômbia, aos morros do Rio de Janeiro e a especialização em segurança pública, com um viés em defesa dos Direitos Humanos.

O presidente da ABI, Octávio Costa respondeu uma pergunta sobre o jornalista e ex-deputado federal, Carlos Alberto de Oliveira, o Caó, e destacou a sua importância para a valorização dos jornalistas negros, num período em que a presença de negros e negras nas redações era menor ainda que nos dias atuais.