13 de fevereiro de 2026

Venezuela em Foco #22: vocação de paz

O governo interino da Venezuela intensificou nesta semana o discurso em defesa de um modelo econômico nacional baseado na economia popular e comunal. A presidenta encarregada, Delcy Rodríguez, afirmou que o país deve fortalecer um sistema “endógeno, sem dependência externa”, como eixo para o desenvolvimento e a superação das sanções.

No campo político, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, reiterou a “vocação de paz” do governo após a ofensiva dos Estados Unidos e o sequestro de Nicolás Maduro. Em entrevista à emissora norte-americana Newsmax, declarou que não há previsão de eleições presidenciais no curto prazo, argumentando que a prioridade do momento é a estabilidade institucional.

A relação com Washington segue marcada por ambivalências. O Departamento do Tesouro dos EUA flexibilizou sanções e autorizou a manutenção de serviços ligados ao setor petrolífero venezuelano. Paralelamente, segundo a Reuters, o secretário de Energia norte-americano, Chris Wright, planeja visitar Caracas para discutir a futura liderança da PDVSA, estatal estratégica para a economia do país.

No plano internacional, persistem tensões. A Venezuela negou informações divulgadas pela Bloomberg sobre suposto envio de petróleo a Israel, classificando a notícia como falsa e parte de uma campanha para desgastar sua imagem externa. Em Moscou, o Kremlin informou que utilizará canais diplomáticos para tratar com os EUA sobre o futuro de projetos petrolíferos russos em território venezuelano.

No entorno regional, Cuba denunciou uma escalada de pressão dos Estados Unidos contra seu abastecimento de combustível. A ilha enfrenta racionamento, restrições no transporte público e medidas emergenciais para conter o agravamento da crise energética, que Havana atribui ao endurecimento das sanções e ameaças tarifárias de Washington.

Em paralelo, os EUA ampliaram operações militares no Pacífico sob a justificativa de combate ao narcotráfico. Novo bombardeio contra embarcação resultou em duas mortes, elevando para pelo menos 130 o número de mortos em 38 ataques recentes, segundo levantamento divulgado pela imprensa. Não foram apresentadas provas públicas de vínculo das embarcações atingidas com atividades ilícitas.

Para saber mais:

Entrevista  Pedido de eleições na Venezuela ‘não é democrático; é tumulto’, avalia professor de relações internacionais

Vídeo – Delcy Rodríguez: As receitas da agenda petrolífera com os EUA e outros países pertencem exclusivamente ao povo

Vídeo – Frei Betto: Como os cubanos estão enfrentando o cerco dos EUA?