28 de agosto de 2026

Sabatina de Lula no JN expõe a agenda (pouco) oculta da Globo para 2026

Foto: Ricardo Stuckert

A sabatina de Lula no Jornal Nacional foi a exposição mais evidente da agenda das Organizações Globo para a disputa presidencial de 2026.

Quase metade da participação do presidente e candidato à reeleição foi ocupada pela difusa temática sobre corrupção. Iniciou-se com as menções aos vazamentos promovidos contra Fábio Luís da Silva. A conversa seguiu passando pelo escândalo do INSS, cuja “acusação” ao atual governo foi uma alegada “demora” para agir, quando se sabe que ele passou por praticamente todo o governo Bolsonaro. Além disso, houve uma associação do caso do Banco Master com Jaques Wagner.

Por: Glauco Faria / Revista Fórum

Não é uma novidade. A cobertura política brasileira em relação a governos do PT, desde o chamado Mensalão, passando pela Lava Jato e chegando aos dias atuais, tem se especializado em um tipo de jornalismo que vive de vazamentos seletivos, pré-julgamentos e a inversão da presunção de inocência, em um ímpeto punitivista que transforma sobra de indício em prova irrefutável.

Hoje, o modelo da Globo e da mídia corporativa é de assistente de acusação no âmbito político, preparando um ambiente inquisitorial que assassina reputações e favorece, em geral, sempre um lado.

Sabendo que uma sabatina no Jornal Nacional pauta o debate da opinião pública e as redes sociais, o Jornal Nacional, leia-se o grupo empresarial, escolheu que corrupção seria a pauta, reforçando o estigma que ajudou a construir para Lula.

É um tema que, trabalhado da forma que foi, ajuda a impedir uma eventual vitória de Lula no primeiro turno. Mas também tem um outro efeito ao turbinar candidaturas ao Legislativo que têm nesse mote o seu lema. Rebaixa a discussão e contribui muito pouco para a democracia, ainda mais em um período tão curto de campanha, um dos mais exíguos dos países com regime presidencialista.

JN e um dogma da Globo

Mas não foi só aí que ficou explícita a agenda da Globo. Na sequência do bloco “corrupção” veio a questão do ajuste fiscal e redução do Estado. A cobrança, pouco sutil, é que exista algo ainda mais restritivo que o arcabouço atual, um avanço em relação ao Teto de Gastos, mas insuficiente para o Brasil corrigir seu histórico déficit social brasileiro.

A defesa da austeridade é um dogma na emissora e em outros veículos da mídia tradicional. Até porque não se pode esquecer que vários deles têm sociedades ou parcerias com bancos, fintechs e fundos de investimento, ou seja, interesse direto e financeiro no tema. A questão é tentar pressionar Lula a assumir um compromisso nessa direção desde já. Se é impossível eleger outro candidato mais alinhado, busca-se ganhar “por dentro”, na disputa de espaço no poder político.

Nessa direção, o presidente quase foi cobrado a privatizar os Correios, algo que ele negou, reforçando que se trata de uma estatal com papel estratégico dentro do Estado.

No todo, sobrou pouco tempo para a área social o que, mais uma vez, evidencia quais são as prioridades do grupo da família Marinho. O Brasil merecia uma sabatina, e um debate político de forma geral, mais construtivo.