
Após intensa pressão da sociedade, com uma petição popular que ultrapassou 1 milhão de assinaturas em apenas três dias, o Grupo Globo anunciou nesta quinta-feira (22) que fará a checagem das respostas de Lula e Flávio Bolsonaro no debate que será transmitido nesta sexta-feira. A checagem, porém, não se dará em tempo real, durante a transmissão ao vivo da emissora, o que prejudica a verificação das mentiras obradas pelo fascista Flávio Bolsonaro (PL), o candidato das mentiras.
Por Altamiro Borges / Blog do Miro
Em nota oficial, o império global informou que o portal g1, que pertence ao grupo, fará, “ainda durante o encontro, a checagem das declarações dos candidatos”. A divulgação das verificações, porém, não ocorrerá na TV, e sim na página “Fato ou Fake” do portal. O canal acrescentou que “o trabalho seguirá pela madrugada, em conjunto com os sites dos jornais O Globo, Extra e Valor Econômico e Rádio CBN”.
“Fact checking” será parcial
O lamentável “debate” da Band
Ainda sobre o lamentável “debate” na Band, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) divulgou uma nota bastante dura. Entre outras críticas, ela afirma que “o jornalismo não pode ser refém da lógica do espetáculo, da audiência a qualquer preço ou das estratégias de candidatos que desprezam o diálogo democrático. Quando perguntas não são respondidas, afirmações falsas deixam de ser confrontadas e argumentos são substituídos por encenações, quem perde é a população brasileira”.
“Não basta oferecer tempo igual aos candidatos. É indispensável garantir informações relevantes, fundamentadas e passíveis de verificação… É grave quando um debate favorece slogans e ataques pessoais, relegando a segundo plano temas fundamentais como saúde, educação, emprego, renda, desigualdade, segurança, soberania nacional, meio ambiente e direitos sociais. O futuro do país exige propostas concretas, não encenações destinadas à produção de cortes para as redes sociais”.
“O Brasil conhece as consequências da normalização da mentira, da violência verbal e dos ataques às instituições democráticas. O jornalismo não pode ignorar essa experiência nem repetir práticas que transformaram a agressividade e a desinformação em instrumentos de disputa política… Debate eleitoral não é entretenimento. Jornalismo não é espetáculo. Democracia não se constrói com mentiras. A sociedade brasileira merece debates à altura de seus desafios. E o jornalismo tem o dever de estar à altura de sua responsabilidade”, conclui o documento da Fenaj.