13 de março de 2026

Venezuela em Foco #24: As cartas de Maduro

A Venezuela vive uma semana marcada por sinais de reorganização política interna, mobilização popular e movimentos diplomáticos na região, ao mesmo tempo em que se intensificam as tensões geopolíticas nas Américas.

No campo político, o dirigente do PSUV, Diosdado Cabello, afirmou que o país segue orientações deixadas pelo presidente Nicolás Maduro, sequestrado pelos Estados Unidos há mais de dois meses. Segundo Cabello, Maduro teria indicado linhas para a reorganização do governo bolivariano durante o atual período de crise institucional.

Em meio a esse cenário, Maduro enviou uma carta ao povo venezuelano, divulgada por seu filho, o deputado Nicolás Maduro Guerra. Na mensagem, o líder bolivariano convoca a população à perseverança e à ação política diante da ofensiva internacional contra o país.

Enquanto isso, o governo liderado pela presidenta interina Delcy Rodríguez destaca indicadores econômicos positivos. Rodríguez afirmou que a Venezuela acumula 19 trimestres consecutivos de crescimento do PIB, reforçando o discurso de recuperação econômica e voltando a exigir o levantamento das sanções impostas por Washington.

No plano da participação popular, milhões de venezuelanos participaram da primeira Consulta Popular Nacional de 2026, mecanismo de democracia direta que permite às comunidades escolher projetos financiados pelo Estado para atender necessidades locais. A iniciativa busca fortalecer formas de gestão comunitária e ampliar a transferência direta de recursos para organizações de base.

No campo diplomático, Caracas intensifica o diálogo regional. A Colômbia espera avançar em acordos de segurança na fronteira durante o primeiro encontro entre o presidente Gustavo Petro e Delcy Rodríguez, previsto para os próximos dias. Paralelamente, a dirigente venezuelana reiterou que o diálogo com os Estados Unidos é o caminho para resolver diferenças entre os países, em uma mensagem direcionada ao presidente Donald Trump.

Ao mesmo tempo, Washington avança em iniciativas de coordenação militar no continente. O projeto denominado “Escudo das Américas” prevê uma nova estrutura de cooperação militar hemisférica liderada pelos Estados Unidos e apoiada por governos conservadores da região.

As tensões também se ampliam no Caribe. Trump voltou a ameaçar Cuba, sugerindo que a ilha poderia enfrentar uma “tomada amigável”, declaração que reforça a pressão política e econômica sobre Havana.

Diante desse cenário, movimentos sociais e organizações internacionais ampliam demonstrações de solidariedade. Uma delegação internacional que inclui o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realiza missão política em apoio a Cuba e à VenezuelaMobilizações semelhantes ocorreram na cidade italiana de Nápoles, onde manifestantes denunciaram o que chamam de ofensiva imperialista dos Estados Unidos contra os dois países.

Para saber mais:

Artigo – 30 dias na Venezuela

Artigo – O Escudo das Américas e o Brasil na mira: soberania em tempos de Doutrina Monroe renovada

Artigo – Guerra no Irã expõe crise do poder dos EUA e pode redefinir a ordem global, diz Pepe Escobar

Vídeo – En Venezuela no dejan de votar