
O pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), participou nesta quarta-feira (8), de uma sabatina com as mídias independentes na série Barão nas Eleições, transmitida no YouTube.
Durante a entrevista coletiva, organizada pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, Haddad falou de temas como aumento da violência de gênero, privatizações, piora na qualidade de vida da população de São Paulo e criticou a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Ele apontou que os casos de feminicídio explodiram no estado. Segundo Haddad, há um sucateamento e falta de investimento nas Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs). “Essas delegacias deveriam funcionar 24 horas por dia com atendimento especializado, mas a realidade atual deixa as mulheres desamparadas justamente nos momentos de maior vulnerabilidade”, destaca.
Outro assunto abordado foi sobre o aumento das privatizações e concessões de estatais como a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). Haddad questiona o fato de a empresa ter sido entregue a um único concorrente (a Equatorial) por um preço fixado abaixo do valor de mercado da Bolsa na época (cerca de R$ 20 mais barato por ação).
Ele classifica a privatização como uma “vergonha” e um péssimo negócio para o estado, visto que o lucro previsto para os acionistas privados deve triplicar enquanto o cidadão paga uma conta mais cara por um serviço pior. “A conta de água subiu e a qualidade do serviço piorou, resultando em desabastecimento, água com cheiro ruim e obras mal-feitas”, disse.
Sobre a declaração de Tarcísio sobre não privatizar certas linhas do metrô, Haddad lembra que, na eleição de 2022, o atual governador dizia não ter uma posição firmada sobre a Sabesp e que iria estudar o tema, mas anunciou a privatização logo nos primeiros meses de governo, ignorando estudos anteriores que eram inconclusivos.
A postura subserviente da família Bolsonaro e da extrema-direita em relação aos Estados Unidos, de acordo com o pré-candidato, prejudicaram a economia nacional e, principalmente, a de São Paulo. “A economia paulista cresceu apenas 0,5% no ano anterior, enquanto o Brasil cresceu 2,3%”, ressalta.
Ele lembrou que o senador Flávio Bolsonaro (PL) foi aos Estados Unidos para pedir ou legitimar que sanções econômicas e tarifas americanas fossem impostas ao próprio Brasil, agindo contra a diplomacia e o interesse nacional. “No que diz respeito à política externa e à economia, Flávio Bolsonaro e o governador Tarcísio de Freitas são um só”, afirma.
Haddad afirma ainda que o produtor do interior está “sentindo na pele” a falta de atuação do Estado, sendo obrigado a pagar pela segurança privada no transporte de suas mercadorias. Ele alerta que essa ausência do governo estadual está gerando a criação de milícias no interior de São Paulo por meio de empresas que vendem serviços de segurança.
A coletiva foi apresentada pelo coordenador do Barão Lalo Leal Filho e contou com jornalistas dos veículos: Meteoro, TVT News, Brasil de Fato, Revista Fórum, TV 247, GGN, DCM e Carta Capital. Assista a íntegra: