Abusador bolsonarista da Caixa sumiu da mídia, denuncia Altamiro Borges

Comunicação
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A imprensa informa, em notinhas bem minúsculas, que o tarado bolsonarista Pedro Guimarães, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, deverá depor nos próximos dias na investigação aberta pelo Ministério Público para apurar denúncias de que assediava sexualmente funcionárias do banco. O escândalo foi revelado pelo site Metrópoles em junho e resultou na queda do banqueiro, até então muito paparicado por Jair Bolsonaro.

Altamiro Borges

Após trazer à tona alguns casos de assédio moral e sexual, a mídia patronal deixou de falar do executivo – até porque gostava dos seus métodos gerenciais autoritários e do desmanche da Caixa. O tarado sumiu das capas dos jornalões e dos destaques da tevê. Nesse período de silêncio midiático, mais de dez mulheres prestaram depoimento ao MPF. Eles foram colhidos sob sigilo, na sede da Procuradoria da República no Distrito Federal.

R$ 130 mil de ganhos mensais extras

Além das repugnantes denúncias de assédio sexual, há vários relatos de assédio moral e de outras mutretas. No início de agosto, o mesmo site Metrópoles revelou que “quando ainda estava sob o comando de Pedro Guimarães, a Caixa se moveu para engordar o contracheque dos principais executivos do banco. O salário do próprio presidente, que era de R$ 56,1 mil, passaria a ser de R$ 80,8 mil – o reajuste seria de quase 44%”.

A proposta foi aprovada nas instâncias internas do banco, mas não vingou porque o Ministério da Economia, ao qual a Caixa é subordinada, sinalizou que não daria o reajuste. “Além do salário mensal, Pedro Guimarães recebia um valor extra de mais de R$ 130 mil por integrar conselhos de administração de subsidiárias da Caixa e de empresas privadas das quais o banco é sócio”, completou a postagem.

Carros blindados e resorts de luxo

Antes disso, a Folha revelou em meados de julho que as viagens do programa “Caixa Mais Brasil” promovidas por Pedro Guimarães tiveram gastos com aluguel de carros blindados e hospedagem em resorts de luxo a um custo total de R$ 9,4 milhões até março deste ano. Os dados foram obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) e revelaram um custo médio de R$ 70 mil em cada uma destas viagens nababescas.

Os eventos aconteciam nos finais de semana e neles teriam ocorrido vários dos casos de assédio sexual. Nas 134 edições do “Caixa Mais Brasil”, o então presidente do banco recebia diárias de US$ 77 por dia. Considerando uma média de três dias por evento, a mutreta representou um ganho extra de cerca de R$ 165 mil. O valor era pago integralmente, pois as despesas de hospedagem e alimentação eram custeadas pela Caixa.

Queridinho do "capetão" e da mídia

Todas essas sacanagens do queridinho do “capetão” eram conhecidas pela mídia patronal. Os sindicatos dos bancários de todo o país, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e a Federação Nacional das Associações da Caixa (Fenae) há muito denunciavam essas e outras mutretas. No caso dos assédios sexuais, as denúncias vieram à tona após seis meses do banqueiro bolsonarista no cargo.

Mas a mídia patronal preferiu o silêncio – como agora parece que decidiu esconder novamente o tarado. Essa postura gerou até uma leve crítica do ombudsman da Folha, José Henrique Mariante, em artigo publicado em 3 de julho. “É incrível Pedro Guimarães, pela ficha corrida escancarada, não ter sido denunciado antes. Durou três anos e meio, quase todo o mandato de Jair Bolsonaro, de quem é sorridente entusiasta, abaixo do radar da imprensa”.